9 de ago de 2015

Juca Kfouri no banco dos réus: o discurso de ódio e o preconceito classista dos coxinhas esquerdistas contra os manifestantes anti-PT

A revista esquerdista Fórum, uma Caros Amigos sem versão impressa, decidiu republicar, devido à proximidade de novas manifestações pró-impeachment de Dilma, um artigo - se é que um texto tão mal paragrafado pode ser categorizado dessa maneira - do jornalista esportivo Juca Kfouri sobre os panelaços que ocorreram em Março de 2015, pouco antes das primeiras manifestações anti-PT tomarem as ruas do Brasil neste ano.

No texto, intitulado O panelaço da barriga cheia e do ódio, Kfouri, mais desconhecido por ter enchido o saco de Kaká e, anos depois, de Neymar do modo mais ateu Toddynho possível por causa de faixas e camisetas com os dizeres "100% Jesus", escancara de maneira tão grotesca o seu medo e o seu ódio a qualquer manifestação mais contundente de antipetismo que faz até mesmo um antidireitista declarado como este que vos escreve partir em defesa dos adeptos do panelaço e das manifestações, por mais que deles divirja em um milhão de tópicos, desde ideologia política até métodos de divulgação dessa ideologia.

Enfim, vamos às bizarrices.

O coxinha esquerdista, como sempre, adora o dinheiro dos outros

Já de início, Juca nos brinda com uma prova do tom de sua crítica:

Nós, brasileiros, somos capazes de sonegar meio trilhão de reais de Imposto de Renda só no ano passado.
Como somos capazes de vender e comprar DVDs piratas, cuspir no chão, desrespeitar o sinal vermelho, andar pelo acostamento e, ainda por cima, votar no Collor, no Maluf, no Newtão Cardoso, na Roseana, no Marconi Perillo ou no Palocci.

Se Juca fosse minimamente honesto, teria dito não apenas a quantia de dinheiro que foi sonegada, mas também o tanto que foi pago de impostos por parte dos brasileiros sem qualquer distinção de classe. 

Para seguir a lógica de Juca, só no ano passado fomos capazes de entregar a uma burocracia estatal repressora e ineficiente a bagatela de 1,8 trilhão de reais, mais do que o triplo da quantia sonegada e mais do que suficiente para que um governo minimamente competente e honesto mantivesse não só as contas em dia como também fosse capaz de investir satisfatoriamente, isto é, investir sem precisar fazer qualquer tipo de corte de verba em setores estratégicos como educação ou saúde.

Juca Kfouri e o coxinhismo de esquerda: fala tão bem sobre política quanto sabe tocar bateria. Juca Kfouri não sabe tocar bateria.
O neoateu, porém, não quer saber de responsabilidade fiscal, tema desde o início do ano espinhoso para o séquito de puxa-sacos do partido governante. O que ele quer, amigo leitor, é o seu dinheiro, que servirá para alimentar desde ONGs de idoneidade duvidosa até megacapitalistas que não querem mais saber de concorrência e que, por isso, procuram o Estado para obter uma grana fácil oferecendo serviços de péssima qualidade. 

Juca, como todo bom coxinha de esquerda, adora o dinheiro dos outros e, por isso, sempre fará campanhas por mais e mais direitos, sem se interessar por como esses direitos incham a máquina estatal por meio de impostos, tornando-a não necessariamente mais eficiente, mas certamente mais endinheirada para reprimir todos aqueles que divirjam do projeto de poder do momento e, claro, mais tentadora para aqueles que quiserem fazer da corrupção o seu método de governar.

Ele, porém, não para por aí e se utiliza da tática esquerdista ao dizer que, ao endossar pequenas corrupções, o "brasileiro" (como se João, Maria e outros 200 milhões fossem todos homogêneos em seus pensamentos e ações) não teria qualquer moral para se manifestar contra a corrupção governamental.

A falta de vergonha na cara é tamanha que Juca se esquece de que as pequenas corrupções que cita são frutos muitas vezes justamente de tentativas de escape ou de subversão de uma burocracia estatal que a todos sufoca, tornando o país cada vez menos produtivo e atrativo para se ser um cidadão cumpridor do número exorbitante de leis que temos. 

Além disso, o comunista da ESPN (quase um pleonasmo) se esquece de que a corrupção estatal é, justamente pelo grande papel que o Estado historicamente representa no Brasil, muito mais fatal do que pequenas corrupções feitas muitas vezes exatamente para fugir do jugo autoritário dessa burocracia falida. Para alguém tão chegado da turma dos relativistas totais, Juca parece um exemplo perfeito de alguém que não sabe julgar os fatos dentro de seu contexto, o que quer que isso ande significando hoje em dia.

Juca Kfouri, a Marilena Chauí de calças

Nos trechos seguintes, Juca prova que, para uma esquerda vigarista, o modus operandi Marilena Chauí de vociferar contra uma classe média abstrata e "reacionária" não será posto de lado facilmente. Segundo Kfouri, 

O panelaço nas varandas gourmet de ontem não foi contra a corrupção.
Foi contra o incômodo que a elite branca sente ao disputar espaço com esta gente diferenciada que anda frequentando  aeroportos, congestionando o trânsito e disputando vaga na universidade.
Elite branca que não se assume como tal, embora seja elite e branca.

Antes de tudo, é surpreendente a habilidade de Juca e dos esquerdistas em geral de, do alto de sua vigia de pensamento, declararem que quem protestou necessariamente era dono de uma varanda gourmet e que era, necessariamente, uma elite branca, como se a crise desencadeada pela corrupção petista como método de governo não estivesse afetando a todos, inclusive àqueles que esperavam, pelo FIES, o acesso à universidade nos anos restantes de sua graduação, mas que, se não tiveram suas bolsas suspensas, apenas conseguiram-nas com uma dificuldade injustificável quando se oferece qualquer programa ao povo.

A crise afeta, senhor Kfouri, justamente aqueles que, segundo seu raciocínio, não protestariam contra Dilma. Aqueles que não mais podem colocar carne no prato com uma frequência saudável, posto que a carne só fica mais cara. Aqueles que, agora, precisam fazer contas aos borbotões antes mesmo de comprar pão pela manhã, já que mesmo este produto básico da mesa do brasileiro não vem saindo nada barato nem compensatório para o bolso de quem recebe um salário mínimo.

Não, senhor Kfouri, o que surgiu no Brasil nos últimos dois anos não foi "a luta de classes" ou "o ódio coletivo da classe alta, dos ricos, a um partido e a um presidente", muito menos contra um "governo que revelou  uma preferência forte e clara pelos trabalhadores e pelos pobres". Governo que prefere o trabalhador é governo que, antes de tudo, deixa o dinheiro no bolso do trabalhador, seja não o sobretaxando, seja com uma política econômica responsável pela qual esse mesmo governo de fato seja capaz de honrar os compromissos que assumiu, fatos que, ao contrário do que foi dito nesse arrazoado de bizarrices que a esquerda brasileira tem coragem de compartilhar como se fosse um texto de Dostoiévski redivivo, não vêm ocorrendo durante o mandato de Dilma Rousseff.

Por fim, se o coxinha de esquerda diz:

Sejamos francos: tão legítimo como protestar contra o governo é a falta de senso do ridículo de quem bate panelas de barriga cheia, mesmo sob o risco de riscar as de teflon, como bem observou o jornalista Leonardo Sakamoto.

Eu tenho o direito a empregar o mesmo raciocínio e dizer que, perto de gente que escreve um artigo repleto de discurso de ódio e de preconceito classista em que sugerem que pessoas que pegam em panelas para exercer o legítimo direito de protestar cometem uma imoralidade tão grande quanto quem se levanta em armas para derrubar um governo, qualquer panelaço ou xingamento a um chefe de Estado é não só legítimo, como mandatório.

Em suma, se quem bate panelas de barriga cheia precisa exercer o senso do ridículo, quem escreve de barriga cheia um texto recheado de ódio e de preconceito classista precisa deixar de ser um cãozinho amestrado do governo enquanto se diz isento, precisa parar de pensar ideologicamente e voltar os olhos à realidade, precisa exercitar o pensamento lógico e perceber que o fato de o oposicionista ser rico ou pobre não faz a menor diferença para se sua causa é verdadeira ou falsa, precisa, enfim, aprender o que de fato é "senso do ridículo" e "vergonha na cara" antes de aconselhar seus adversários políticos a descobrir o que essas duas expressões significam.

Se "Dilma Rousseff, gostemos ou não, foi democraticamente eleita em outubro passado", então cabe a seus partidários o ônus de admitir, sem concessões vigaristas nem falsas condescendências (muito menos acusações de golpismos ou udenismos, porque estas só colam mesmo para nossa esquerda que, mais do que cretina, é totalitária), que os panelaços e as manifestações são nada mais do que o esperado em um país em que a palavra "liberdade" de fato significa algo mais do que a liberdade de defender as causas de que nós gostamos. 

São, portanto, o protesto democraticamente legitimado que só não está sendo ouvido em muitos lugares pela esquerda porque esta fecha, como sempre, os ouvidos ao que não lhe serve ideologicamente, e nada prova melhor isso do que a série de asneiras e sandices escritas por Juca Kfouri e requentadas por blogs de esquerda que se fingem de malucos ao disfarçarem que não entendem que os protestos não são direcionados, neste momento específico, contra a abstrata corrupção de todos, a ser investigada posteriormente, mas contra a real corrupção do partido que, por ter em mãos os órgãos de repressão estatal em sua força máxima e por ter em mãos praticamente os três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), representa um perigo ao qual ninguém pode mais vendar os olhos. Muito menos os ditos esquerdistas a favor do povo.

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. Pensa sinceramente, como ateu, que Juca Kfouri anda crendo demais no Deus-ParTido.

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