30 de jul de 2013

Leonardo Sakamoto e o relincho neo-atoa: "Se Deus quiser, o Brasil ainda terá um presidente ateu"

Olá, amigos leitores, este é mais um dos nossos papos juntos, e desta vez vou apresentar-lhes algo mais obsceno do que pornografia zoofílica: o blog do (des)cientista político, jornalista e professor da Progressista Universidade Comunista, digo, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Leonardo Sakamoto, cujo Lattes não vale nem a pena procurar.

Sim, é aquele mesmo Sakamoto cuja Filosofia vai desde afirmar que ostentação deveria ser crime previsto no Código Penal a pregar que, já que as escolhas de produtos dentro da ordem capitalista são limitadas, a liberdade não existe e não há motivo para não se destruir o Capitalismo (eis um: manter o mundo a salvo do Comunismo, mas não é isso que quero discutir aqui). Pena que, se fosse realmente discutir tais pensamentos em toda a sua complexidade, precisaria, além de muitos sacos de vômito, de um livro, e não um artigo.

Sakamoto ostentando "Filosofia" e matando de tédio a estátua de Drummond
Hei, porém, de segurar toda a minha ânsia para apresentar ao leitor algo que, talvez, seja o auge que a filosofia sakamotiana já tenha atingido - e o faço única e exclusivamente porque Flávio Morgenstern, do Implicante, ainda não o fez (e pelo visto não fará, pois esperar um novo artigo em sua página está mais difícil do que acreditar em mula-sem-cabeça).

Desta vez, depois de ficar indignado ao ler em um artigo de Mônica Bérgamo que certo bispo disse acreditar ser natural que um pastor evangélico possa ser Presidente da República no futuro, Sakamoto resolveu assumir de vez seu neo-ateísmo e seu coitadismo antirreligioso e escrever, em algo que se convencionou chamar de artigo, sobre as suas esperanças de ter, no futuro e "se Deus quiser", um presidente ateu, o que quer que Sakamoto entenda por isso.

O artigo, intitulado Se Deus quiser, o Brasil ainda terá um presidente ateu, começa com tom indignado:

Em resposta à Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo deste domingo (21), o bispo Robson Rodovalho, líder da igreja “Sara Nossa Terra”, afirma que acredita ser natural o país ter um evangélico na Presidência da República no futuro.

Pergunto-me, com toda franqueza, qual seria o problema de o bispo ter essa crença na posse. Afinal, com o crescente número de evangélicos no Brasil, apesar de todas as suas cisões, não é mesmo de se surpreender que um deles ascenda à presidência.

Como, porém, explicação é coisa para os fracos, Sakamoto apenas nos informa que:

Se não me falha a memória, o Brasil teve seu primeiro presidente protestante na figura do presbiteriano Café Filho, que assumiu o país por pouco mais de um ano após o suicídio de Getúlio Vargas, não tendo sido eleito para a função. O ditador Ernesto Geisel era luterano, mas também não foi eleito pelo voto popular. A grande novidade seria um governante protestante que fosse evangélico neopentecostal e suas liturgias da prosperidade e da cura.

Fora o fato de um dos dois presidentes, Café Filho, ter tido, em comparação a seu antecessor e a alguns de seus sucessores, relevância zero para o cenário político brasileiro e de ter sido eleito como vice-presidente quase que na esteira de Getúlio Vargas, e não por ser presbiteriano, e de Geisel não ter papagaiado seu luteranismo por aí, adoraria saber qual é a relevância das "liturgias da prosperidade e da cura" para julgar se alguém será ou não um bom presidente. Estaria Sakamoto tratando todo pentecostal ou neopentecostal como um mero fanático religioso sem cérebro? Ou seria essa uma forma freudiana de projetar a falta de neurônios de Sakamoto em um grupo do qual ele, declaradamente, não gosta?


Café Filho para Sakamoto: "Eu não boto uma hora na lan para ler isso"
Gostaria também de saber qual é a relevância dos dois parágrafos a seguir para o caso:

O número de católicos cai (de 63%, em 2010, para 57%, hoje, segundo o Datafolha) e o de evangélicos não apenas cresce em número (de 24% para 28%), mas também em presença na política partidária. Marina Silva, membro da Assembleia de Deus, hoje está em segundo lugar nas pesquisas de intenção de votos para a eleição presidencial no ano que vem.


E, se por um lado, há parlamentares evangélicos que vociferam contra a dignidade humana, mas outros que atuam na defesa dos direitos das minorias, mesmo nos casos em que há conflito com sua religião. Da mesma forma que ocorre com muitos católicos.
Aliás, também adoraria saber como Sakamoto se formou em Jornalismo sem, pelo visto, passar por qualquer disciplina de Produção de Textos, pois o segundo parágrafo está deficiente quanto aos elementos de coesão, o que, neste caso, compromete também a coerência. Afinal, qual é a relação entre parlamentares evangélicos que "vociferam contra a dignidade humana" (o que quer que isso signifique na novilíngua sakamotiana), outros que defendem "os direitos das minorias" e a previsão do bispo?

Parece, então, que o mistério continuará, pois o blogueiro "pogrecista" muda completamente de assunto e mostra, de novo, mais indignação:

Além do mais, no fundo, isso não tem importado muito. Uma vez chegando ao poder, independentemente de sua crença, políticos atendem às demandas de grupos religiosos conservadores com vistas à chamada governabilidade ou visando às eleições.

Pena para ele, porém, que exista algo chamado "promessa de campanha", que os evangélicos e outros conservadores não esquecem, o que deveria acontecer também com todo o eleitorado brasileiro que votou em uma candidata que prometera, em carta aberta, não se movimentar politicamente em prol da legalização do Aborto, mas que o faz praticamente desde que assumiu a presidência.

Digo, aliás, que é muito bom, no atual panorama, que ainda exista alguém capaz, tanto em política quanto em retórica e argumentação, de questionar a inviolabilidade e a inquestionabilidade de certas causas dos progressistas. Sakamoto poderia, então, argumentar, como fez durante um bloco de sua entrevista ao Provocações, que estou tentando esconder meu viés conservador sobre as coisas. Lamentavelmente, de novo para ele, nunca escondi de ninguém, por exemplo, minha favorabilidade à legalização do Aborto, algo que qualquer conservador rejeitaria, com certa razão, peremptoriamente (Apesar disso, assumo, estou reconsiderando essa posição, e já reconsiderei minha posição sobre as religiões e sobre outras histórias que contei no artigo linkado acima).

O que não reconsidero, no entanto, é minha postura contrária à psicopatia de certos progressistas que têm tanta certeza da veracidade de seus dogmas que se acham no direito de julgar como errada toda e qualquer ideia conservadora e todos os que a eles se associem. Pelo visto, Sakamoto é um desses progressistas.

Mas, caros amigos, não pára por aí, pois Sakamoto trouxe, como exemplo do "rabo-preso" entre políticos eleitos e movimentos conservadores, o que chamou de "combate à homofobia por meio da educação", que, segundo ele:

avançou pouco na atual administração federal, menos por conta da pressão de deputados da bancada evangélica e mais por esse cálculo político.

De fato, adoraria saber quem são esses deputados evangélicos que, pelo visto, não pressionaram o governo por conta do absurdo kit-gay e da ideia estapafúrdia de que uma educação que sequer dá conta de ensinar leitura e cálculo aos aprendizes deveria perder tempo com valores que devem ser aprendidos no ambiente doméstico, pois já saberei em quem não votar nas próximas eleições. Afinal, de "políticos com o rabo preso" e "que posam de imparciais" já estamos cheios, ou, pelo menos, é o que o próprio Sakamoto deixa implícito em seu artigo.

Falando em seu artigo, aliás, eis mais uma informação desconectada do contexto da previsão do bispo:

A pesquisa Datafolha, deste domingo, mostra que os católicos podem ser menos conservadores que os evangélicos em alguns temas (como a adoção por casais do mesmo sexo), mas ainda assim, na resultante final, a nossa sociedade não se coloca de forma progressista com relação aos direitos individuais.

E uma pergunta que não quer calar: Exatamente por qual motivo nossa sociedade - ah, essas entidades sempre misteriosas e nunca bem delimitadas - deveria se posicionar "de forma progressista" ante os direitos individuais? Sakamoto deve se esquecer de que existe o outro lado, o conservador, da política, apesar de ele mentir dizendo que "não tem problemas com blogueiros conservadores".

Está cansativo, amigo leitor? Pois é, concordo, mas agora é que as coisas ficam interessantes, pois Sakamoto se lembra do que pretendia discutir e afirma que:

Particularmente, ficarei chocado no momento em que o Brasil eleger um presidente declaradamente ateu que não precise esconder isso de seu eleitor com medo que o seu caráter seja, estupidamente, julgado por conta disso.

Ao que parece, o embusteiro progressista parece se esquecer de que, até que se prove o contrário, não existe moral ateia e, portanto, os limites morais de um ateu dependerão única e exclusivamente de seu humor e de sua vontade, o que faz com que a preocupação acerca de seu caráter, apesar de na maioria dos casos exagerada, seja, sim, plausível. Mas, pelo visto, os conhecimentos de Sakamoto sobre Filosofia da Religião são rasteiros e guiados por um senso comunista de espiritualidade (ou seja, materialismo (!!!) dialético aplicado à religiosidade), pois, em seguida, fala que:

(Tenho certeza que FHC e Dilma são, no máximo, agnósticos não-praticantes. Mas tiveram que ajoelhar e dizer amém. E o agnóstico Getúlio Vargas, que tomou o poder através de um golpe, instituiu o ensino religioso nas escolas públicas, em 1931, em nome da governabilidade.)

Primeiro, como ateu agnóstico, gostaria sinceramente de saber como se pratica o Agnosticismo. Será que devo ficar papagaiando "não sei se Deus existe" por aí? Ou será, talvez, que "praticante" seja um rótulo que só se deva dar a quem tem a obrigação de seguir uma série de ritos e dogmas  para se aproximar da divindade?


Segundo, na época do agnóstico Getúlio Vargas, e ainda na nossa, e também em todas as épocas conhecidas, havia uma ligação muito forte entre senso de moralidade e religiosidade - o que não significa que todo ateu é imoral, apenas que não há moral que se sustente baseada em ateísmo-, o que fazia e faz com que muitos educadores, como os que elaboraram a LDB de 1996 (chupa, Sakamoto!), se movimentassem para tornar pelo menos facultativo o ensino religioso em escolas públicas. Oh, estariam então os educadores de 1996 pensando em "governabilidade"?



FHC, o "neoliberal de direita", não curtiu Agnosticismo e Ateísmo
Sakamoto, porém, prefere continuar com a ladainha progressista e parafraseia o que disse dois parágrafos antes:

O fato é que o Brasil aceitaria mais facilmente alguém que acredita em Deus mesmo com uma fé diferente da sua do que alguém que não acredita ou não tem certeza disso.


E o fato é também que o Brasil tem boas razões para isso, e elas se chamam Joseph Stalin e Mao Tsé-Tung. Para Sakamoto, no entanto:


No dia em que isso ocorrer, creio que atingiremos a maturidade como democracia. 


Isso porque, é óbvio, maturidade democrática tem tudo a ver com as pessoas descartarem completamente a moral que aprenderam e começarem a trocar o minimamente certo apreço dos evangélicos pelas causas cristãs pela muito duvidosa conduta de ateus (na verdade, provavelmente neo-ateus, mas finjamos que os eleitos não defecarão pela boca sobre as religiões) acerca de assuntos morais. É, de fato, não consigo entender tanta complexidade filosófica, também expressa quando diz que:


Não porque ateus são melhores, longe disso.


(Btw, Tio Stalin curtiu esse seu quase-deslize.)


Por fim, Sakamoto volta ao velho blá-blá-blá de militante progressista e diz que isso seria melhor

pelo fato de que teremos compreendido que, se o governante zelar pela dignidade e igualdade de direitos de todas as crenças, sua fé pessoal é tão importante quanto o time de futebol pelo qual torce.

Pena, porém, que democracia não se resume a igualdade de direito das crenças nem a progressismos baratos. Faz parte da democracia, também, a organização política e a conquista do eleitorado. Se um ateu apresentar propostas atraentes e não for um prosélito antirreligioso (que deve ser o que Sakamoto entende por ateu), não sei se nossa população realmente o tiraria do bolo. Aliás, qualquer palavra sobre isso é mera especulação e, até que se prove o contrário, reclamação vazia progressista.


Enfim, era isso, amigos leitores. Sei que o artigo ficou cansativo, mas isso se deu porque refutei parágrafo por parágrafo de um autor que, pelo visto, acha que retórica e prolixidade andam juntas. Digo sinceramente que, se tivesse escrito o texto sem o 2º, o 3º, o 4º, o 5º e o 6º parágrafos, teria sido bem mais convincente.


Aproveito, também, para convocar outros ateus, dentre eles o libertário Luciano Takaki, o conservador de direita Renan Felipe dos Santos, o liberal de centro-direita Rogério Jorge da Silva Figueiredo e o conservador de esquerda Luz nas Trevas, além de eu mesmo, para se candidatarem, no futuro, à presidência do país. Ou será que a religião de Sakamoto, o marxismo heterodoxo, não lhe permitiria votar em quem põe em dúvida aquilo que ela prega? Se não for o caso, agradeço pelo voto antecipadamente.

ADENDO: Em tempo: Há um novo artigo, sobre a Marcha das Vadias mais recente, no Implicante.

36º Podcast de Octavius: George Orwell, Crítica Literária e "Guia Anticomunista"

37º Podcast de Octavius: Marxismo Cultural - O que é, como se faz
38º Podcast de Octavius: "Na Moral"
39º Podcast de Octavius: Feminismo

25 de jul de 2013

Os piores berros contra o maior Filósofo do Hemisfério


Olá, amigos leitores. Este é um post que dedicarei a defender de algumas acusações bizarras o filósofo e jornalista campinense Olavo de Carvalho. Retirei essas acusações daquela página que me adora, a Anarcopombuxos, digo, Anarcomiguxos, e decidi, então, dar milho aos pombos enxadristas e responder a elas uma a uma. Digo, porém, que esse material anti-Olavo já é velho e que já foi melhor refutado pelo blogueiro Gustavo, do Blog do Contra. Caso queiram, então, uma resposta mais detalhista, recorram a essa que citei. Enfim, vamos aos trabalhos.

VOCÊ SABIA:

A ONU apoia o terrorismo?

Se a ONU efetivamente agisse contra os terroristas, poderíamos até rejeitar completamente essa hipótese, mas ambos sabemos a conivência da ONU em relação a diversos atos terroristas ao longo dos anos. Sendo assim, a hipótese de Olavo, se partirmos da premissa de que um conivente é um cúmplice, e portanto um apoiador, é muito plausível.

Há uma conspiração comunista global e o movimento gay é parte dela?

Sim, sabia, mas eu admito que não sabia que o movimento gay, que sequer anda se preocupando em representar dignamente a maioria dos homossexuais, tinha se tornado intocável. É bom lembrar, sempre, que ser gay não é nem chegou a ser um ato revolucionário, o que, me parece, o movimento gay quer mudar. Então, sim, Olavo também está, no mínimo, perto da realidade nisto aqui.

A Lei da Inércia é falsa e Isaac Newton era burro?

Do que eu saiba, a crítica principal do Olavo a Newton é o fato de sua filosofia ter dado munição para que o materialismo se expandisse monstruosamente dentro das ciências e da própria sociedade. Assim, Newton seria um gênio matemático, mas burro em outras coisas, o que, convenhamos, é bem mais aceitável do que desmerecer toda a obra filosófica de alguém apenas porque este falou algo diferente do que aceita a comunidade acadêmica.

Há livros ensinando crianças fazer sexo oral com elefantes?

Com elefantes, não, mas com outras crianças, sim. E, não, o nome "kit-gay" não foi um espantalho, por mais que as moçoilas politicamente corretas teimem.

O Brasil hoje é uma ditadura comunista?

O que eu sabia, e que o Olavo sempre fala, é que há um plano que já está direcionando o Brasil e o resto da América Latina para o Comunismo, e que há fortes evidências, entre elas a repressão às antigas crenças “opressoras” e a seus crentes e a troca disso tudo pela nova ordem “por um mundo melhor”, para dar um mínimo de crédito a Olavo. 

Ah, nossa, é mesmo, esqueci, o PT, apesar de sua crença no estado inchado, de seus 39 ministérios e de todas as suas políticas anti-Livre Mercado, “virou à direita”.

A mídia apóia os gays para promover o controle populacional?

Desta, eu confesso, nunca ouvi falar – também porque não se costuma igualar “gays” a “movimento gay” -, mas, se aceitarmos a premissa , curiosamente bem aceita pela Sociologia, de que foi também graças à família tradicional que a civilização ocidental pode prosperar e sobreviver, e a de que os marxistas detestam esta civilização e não medirão esforços para levá-la à ruína cultural, essa afirmação também será, no mínimo, próxima à realidade.

O marxismo nasceu do satanismo?

Apesar de não se poder atribuir diretamente ao satanismo o nascimento do Marxismo (e, creio, não foi realmente o que o Olavo fez), é inegável que os dois têm algumas coisas em comum, sendo a principal dela o ódio declarado às religiões, que Marx expressou muito claramente ao escrever, em uma das partes de seu Manifesto Comunista (1848), que “a religião é o ópio do povo”.

E, não, não adianta virem me dizer que esse ópio pode ser entendido como “remédio” ou coisa assim, pois eu li o referido Manifesto e sei que o contexto não dá vazão a essa interpretação. Tentem outra.

Karl Marx não curtiu sua falta de estudo, brou
Darwin é o pai do nazismo?

Pai não, talvez avô, pois Darwin provavelmente não esperaria que sua ideia sobre a evolução das espécies fosse a inspiração para a ideia psicótica do Darwinismo Social de Spencer, ideia essa que gerou algo ainda mais psicótico, que foi? BINGO, o Nazismo.

A web foi criada para combater o ateísmo?

Confesso que, dessa frase, nunca ouvi falar, mas posso garantir, com quase 100% de certeza, que está fora do contexto ou que foi deturpada, e falo isso com base nas outras perguntas feitas.

O ser humano não precisa de cérebro pra viver?

Do que eu saiba, o ser humano anencéfalo consegue viver por alguns minutos, mas não por muito tempo. O detalhe é que existe uma diferença muito grande entre “viver” e “ser considerado uma vida”. Supondo que a fala esteja relacionada à questão do Aborto e que Olavo falou que um anencéfalo continua sendo uma vida, nada há de tão errado aí. Pena que, já que não se mostra de onde cada frase foi tirada, preciso ficar nas suposições. Ah não, isso é bom, pois mostra que quem está criticando o Olavo está sendo desonesto e que provavelmente está batendo em espantalho.

O nazismo e FMI são de esquerda?

Sobre o nazismo, é fácil para qualquer um com mais de 15 anos de idade e um mínimo de estudo e de pensamento lógico notar que existe, de fato, uma enorme diferença entre louvar o Estado e louvar o Mercado. Como sabemos, Hitler, com suas políticas, procurou sempre aumentar o Estado e corporativizar o Mercado, o que o torna bem mais próximo da esquerda do que da direita. Já sobre o FMI, se considerarmos que a ótica deles é tão ou mais dinheirista do que a da esquerda, a frase terá seu fundo (e sua superfície) de verdade.

Bill Clinton era um agente de Pequim?

Percebe-se que quem elaborou esse questionário, de fato, sequer lê o que escreve Olavo, pois, ao ler o texto dele sobre o ex-presidente estadunidense, um trecho em especial me chamou a atenção:

Graças a um bem calculado discurso "politicamente correto", o novo governante tornou-se um ídolo da esquerda, a qual moveu céus e terras para mantê-lo no cargo a despeito de um variado leque de acusações que, entre futilidades sexuais, imbróglios financeiros e uma multidão de pequenos watergates, incluía alguma coisa de perfeitamente sério e apavorante: a suspeita de favorecimento à espionagem nuclear chinesa. A imprensa bem-pensante resistiu a toda investigação do assunto.” (grifo meu)

Pois é, pelo visto, não foi apenas a imprensa americana que não quis investigar um assunto.

Os EUA entraram no Vietnã para perder?

Colocar soldados inexperientes no campo de batalha e não procurar se informar antes sobre o estilo de combate dos vietnamitas definitivamente não é o que eu chamaria de querer ganhar uma guerra.

Há 40 milhões de comunistas no Brasil?

Contando apenas os eleitores do PT, temos 50 milhões. Se colocarmos estudantes universitários, militantes do PCB, PSTU, PC do B e PSOL,  ainda teremos um pouco mais, e isso porque não estou colocando todas as esquerdas no mesmo balaio dos comunistas, porque aí, meu amigo, os números seriam, de fato, assustadores.

Não há diferença genética entre humanos e chimpanzés na gestação?

Se considerarmos que a diferença entre os dois após o nascimento é mínima e irrisória, a possibilidade de não haver diferenças genéticas pelo menos no começo da gestação é bem real. Mas, mais uma vez, não sei o contexto do qual isso foi tirado, e, como diria uma professora amiga minha, “um texto sem contexto é mero pretexto”.

O empresariado nunca se organizou politicamente?

De fato, não, pois não há, na história brasileira, qualquer registro de candidatos apoiados puramente por empresários, ao contrário do que aconteceu com barões do café, pecuaristas em geral e, pasmem, militantes de esquerda. Também não ouvi falar de partidos compostos puramente pelo empresariado, mas, enfim, isso deve ser porque eu não sou um iniciado nos livros de história dos comunistas (vulgo: apostila do ensino médio).

A ditadura foi branda e tinha eleições democráticas?

Primeiro que, em algumas cidades do interior, existiam sim eleições para prefeito. Na minha cidade natal, por exemplo, não se tem registro de qualquer prefeito apontado pelos militares. Fora isso, perto de ditaduras como as de Mao e de Stalin, a nossa, com seus menos de 400 mortos, não chega sequer ao nível de bullying escolar.

Che Guevara invadiu Angola 8 anos após a sua morte?

Fato, isso não aconteceu. O que de fato aconteceu foi a intervenção cubana na independência da Angola, que se tornou, por meio da propaganda castrista, o símbolo maior do guevarismo, ou coisa assim. Ainda assim, quero saber de onde isso foi tirado, rs.

O PT é responsável pela morte de 50 mil pessoas por ano?

Ao fazer de tudo para que a conivência com crimes hediondos continue, sim, o PT se torna responsável pela morte de mais de 50 mil brasileiros por ano. Pena, porém, que, para a atual esquerda, pobreza (ou “ser oprimido”, como eles adoram falar), aparentemente, justifica qualquer tipo de crime, seja leve, seja hediondo. No mundo real, chamamos isso de “bandidomania”, no mínimo, e de “sadomasoquismo”, no máximo.

O General Geisel era comunista?

Comunista, de fato, não, mas, com toda a sua reverência ao Estado inchado, de direita é que Geisel não era.

Bush manteve seu país totalmente a salvo de ataques terroristas por oito anos?

Utilizo-me, aqui, da velha citação de Christopher Hitchens: “O que pode ser afirmado sem evidências, pode ser descartado sem evidências”. Fora isso, convenhamos, pelo menos mais a salvo do que na Era Obama, a nação americana estava.

Sua mãe sabe que você anda afirmando sem evidências na internet?
Bom, era isso. Espero que os amigos leitores tenham gostado do post, que procurem mais sobre a obra do filósofo antes de criticá-lo, que não caiam na besteira de me chamar de olavette - afinal, só o seria se fosse conservador e se concordasse com tudo o que ele diz - e que continuem com seus perspicazes comentários.

Enfim, até mais e um abraço, amigos leitores!

NOVOS PODCASTS:

35º Podcast de Octavius:  Frangos, Palmares e Bambis (de novo)

23 de jul de 2013

Eu, Apolítico: Por que sou tão cético (e pessimista) quanto à "Revolução de 13"?

Olá, amigos leitores, e, sim, este é o título, talvez, mais transparente que eu já pus em algum post do blog, pois vou falar sobre o tema que já virou mania nacional: as manifestações - que vêm ocorrendo, se bem me lembro, desde Junho deste ano -, ou, como diria nosso ilustre pensador, filósofo, antropólogo, poeta e sociólogo (e vlogueiro nas horas vagas) Cauê Moura, a Revolução de 2013.

Cauê Moura no auge de sua Sociologia
Eis aí meu motivo principal para ser cético, mas não para ser pessimista, quanto a essas manifestações. Se formos examinar a história humana mais recente ou mesmo mais antiga, perceberemos que, apesar de nosso muitas vezes declarado pacifismo (o que, sendo franco, acho ridículo e até certo nível infantil, mas explico isso em outra ocasião), todas as nossas revoluções foram feitas com armas e sangue. Alguns poderiam me apresentar, como objeção, a Revolução Gloriosa, mas, além de esta ter sim algum sangue, não foi bem uma revolução, pois apenas confirmou o que toda a Europa da época já sabia, literalmente, há séculos, que era o fato de a Inglaterra ser uma Monarquia Constitucional, e não Absoluta.

Sendo assim, não, não estamos passando por qualquer tipo de revolução, ou, dizendo mais "cientificamente", as possibilidades de que esses protestos sejam uma revolução são quase nulas. Digo quase porque há aqueles que criam as mais diversas hipóteses sobre os desfechos possíveis para tudo isso. Eu, naturalmente, tenho as minhas duas hipóteses, sendo uma cética e a outra pessimista. Falo sobre a cética agora e sobre a pessimista no final do texto.

Como protótipo de cético, a primeira das minhas hipóteses é a de que estas manifestações darão em um grande pedaço de nada, pois, por mais que algumas mudanças sensíveis venham a acontecer, estas serão temporárias e/ou nulas perto dos problemas que temos. Digo isso embasado não só na tendência natural - pois sempre há um mínimo aumento de inflação que seja, lembremos - de haver, em algum momento, a elevação do preço das tão faladas passagens de ônibus e de outros itens necessários à vida humana urbana, mas também no fato de, há pouco mais de 20 anos, ter ocorrido um movimento muito semelhante chamado Fora Collor, em que milhares de brasileiros também saíram às ruas, mas, nesta ocasião, para pedir a saída do então presidente Fernando Collor de Mello da Presidência da República. Conversando com algumas pessoas próximas a mim e já adultas na época desse evento, pude saber que o clima do país na época era mais ou menos o mesmo de hoje: todos pensavam em "mudar o mundo", em "lutar por um mundo melhor", em "revolucionar o Brasil" e todas as outras histórias que tão bem conhecemos.

Também conhecemos, porém, os resultados desse evento, que são, justamente (fora o Impeachment de Collor), um grande pedaço de nada, pois o que era para ser, pelo menos em tese, o começo (e o símbolo maior) da mobilização política contra a corrupção nos bastidores do poder esfacelou-se e sumiu antes mesmo que os militantes do PT pudessem pronunciar "Lula Presidente!"- e olha que eles o fazem com muita rapidez, como todos, suponho, bem sabemos.

A isso, alguns poderiam responder que, por ser o fim da corrupção um objetivo muito abstrato e uma demanda inalcançável, o movimento, de fato, estava fadado a fracassar. Eis que surge, no entanto, a máxima contradição e outro motivo para meu ceticismo, mas não para meu pessimismo: ao se recusarem a luta "por apenas 20 centavos" - e concordo com o que disse o físico, respeitável vlogueiro e meu camarada Guilherme Tomishiyo em seu vídeo sobre o assunto, em que diz que, sim, vinte centavos são uma causa justa (discuto, sim, se as pessoas ponderaram sobre isso antes de pedir, mas, enfim, a causa não deixa de ter sua virtude) -, os manifestantes de hoje acabaram caindo no mesmo erro dos de 1992, que foi, justa e ironicamente, apelar para demandas muito abstratas. Afinal, adicionou-se à luta contra a corrupção a luta (supostamente) pró-saúde e pró-educação, luta esta que, além de abstrata, se resumiu ao que se pode chamar de ótica dinheirista, aquela em que se acha que abrindo a torneira do dinheiro as coisas hão de se resolver.

No mundo dos adultos, chamamos isso de comunismo enrustido, mas não vem ao caso. O que vem ao caso é que, já com esses motivos, justifica-se todo o meu ceticismo e também a minha primeira especulação sobre o destino dessas manifestações. Há, porém, de se explicar todo um título de um texto sem perder a compostura (fuck Guevara, o ídolo da garotada manifestonta). Vou, então, explicar o porquê de eu estar também pessimista quanto às manifestações.

O primeiro fator que me levou ao pessimismo - repito, quanto às manifestações apenas, não chego ao pessimismo sobre todas as coisas - foi a total falta de conhecimento sobre Filosofia, Política e outras áreas demonstrada pelos manifestantes. Fora o fato de pedirem coisas que, hoje, são inviáveis, como um Brasil sem partidos e SEM POLÍTICOS (Arizão, pode se revirar no túmulo, véi), os novos heróis do nada admirável mundo novo também demonstraram sua completa preguiça mental ao aderirem sem análise prévia ao discurso anti-PEC 37 e sua total "leiguice" ao pedirem para que a presidente tirasse senadores e deputados do poder, coisa que só poderia ser feita com uma intromissão do poder Executivo no Legislativo, o que quebraria a isonomia e a independência entre os três poderes e, consequentemente, uma das premissas básicas em que se apoia algo chamado ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO.

Arizão não curtiu suas reflexões políticas, cara
Cabe, então, a pergunta: Como falar em mudança quando não se conhece o sistema atual e quando não se procuram as causas que o levaram ao fracasso? Aliás, há outra pergunta melhor: É possível confiar em alguém sem o conhecimento e a humildade mínimas para não só exercer um papel político, mas também fazer uma reforma que seja, quanto mais uma revolução?

Fato é que, por mais que me tentem convencer do contrário, não consigo confiar em quem é entusiasta com mudanças em um sistema cujas entranhas sequer procura conhecer. Curiosamente, deve ter sido justamente isso que a maioria dos vloggers que conheço que fizeram discursos inflamados a favor desses protestos, dentre eles Pirula, Clarion e Ateu (Des)Informa, percebeu, pois - e eis o segundo fator que reforçou meu pessimismo -, de forma ou outra, passaram de inflamados a, no mínimo, cautelosos. Pirula arregou ao finalmente perceber, após voltar do Planeta Vermelho, que o protesto era anti-partidário e que a burrice política ali imperava. Clarion, por sua vez, quase superou sua raiva declarada aos militares quando (finalmente) percebeu que o protesto não tinha direção nem reivindicações concretas. Já Ateu (Des)Informa preferiu bater em cachorro morto e manter um mínimo de juízo em seu canal neo-ateu.

De todos esses vloggers, no entanto, Clarion é quem ganha um ponto positivo, pois, ao dar aquela tradicional arregada, levantou um ponto importante, que é o de se invocar "o povo" para dar legitimidade a uma causa, algo que até mesmo o cientista político André Singer caiu na besteira de fazer (e que eu, prontamente, questionei). E é esse, justamente, o meu maior motivo para o pessimismo. Apesar de toda a propaganda e todo o marketing político de que era "o povo" nas ruas, não consigo ver como, de um total de 190 milhões de pessoas, denominaram um conjunto de no máximo 5 milhões que foram às ruas de "o povo".

O que aconteceu, sim, foram manifestações promovidas por alguns setores do "povo", e é aqui que mora o perigo. Para os que, ao contrário de boa parte dos manifestantes, procuram estudar a sério e exercer o direito ao pensamento lógico, não é difícil lembrar que houve vários momentos na história do Brasil em que alguns setores do povo fizeram esse tipo de revolta. De um deles,  há quase 50 anos, e também do nojo absoluto de nosso povo a revolucionários, saiu o que hoje chamamos de Regime Militar, ou, para os mais íntimos, Ditadura Militar, e poderia ter saído algo bem pior, uma ditadura comunista. É só perceber que o brasileiro continua com rejeição a revoluções e com amor a sua vidinha comum, que certo Partidão tem sede de poder e que alguns conservadores adorariam, após 50 anos, uma nova intervenção dos militares, e tentar unir as peças de todas as maneiras possíveis para saber qual é minha hipótese pessimista.

Espero, porém, ou que eu esteja completamente errado, ou que o que aconteça seja o grande Nada, o que é mais provável, apesar de não ser muito melhor do que a outra opção.

Enfim, mando ao leitor meu forte abraço e meus mais recentes podcasts.

NOVOS PODCASTS:

32º Podcast de Octavius: Alguns comentários
33º Podcast de Octavius: Grecco, Desbatismo, Bambis e outras histórias
34º Podcast de Octavius: Anúncios (olavettes) e Recomendações

17 de jul de 2013

Embriagai-vos de vinho, poesia ou virtude, mas nunca de Caipirinha

"É preciso estar-se, sempre, bêbado. Tudo está lá, eis a única questão. Para não sentir o fardo do tempo que parte vossos ombros e verga-vos para a terra, é preciso embebedar-vos sem tréguas.
Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, a escolha é vossa. Mas embebedai-vos."

Sua mãe sabe que você paga de bebum na net?
É mais ou menos com essas palavras que se inicia o poema em prosa Enivrez-vous (Embebedai-vos / Embriagai-vos) do poeta e crítico de arte francês Charles Baudelaire. Confesso que, apesar de pouco conhecer sobre a biografia de Baudelaire, não creio que esta sua ordem seja mais do que metafórica, tanto que escolheu como objetos para a embriaguez três dos itens mais ligados à poesia, que são a própria poesia, a virtude e o vinho - bebida esta que, inclusive, também remete às origens do teatro, ou, mais claramente dizendo, das festas de louvor ao deus grego Dionísio.Lamentavelmente, porém, parece que alguns, além de levarem o conselho de Baudelaire ao pé da letra, preferiram se embebedar com caipirinha, uma das bebidas preferidas dos que gostam mais da festa do que da poesia e da intelectualidade em geral. 

Um desses foi e continua sendo o famoso vlogger neo-ateu e esquerdista declarado PC Siqueira, famoso por conseguir fazer críticas porcas e falaciosas à mídia, às religiões e aos políticos, coisa que, convenhamos, nos dias de hoje, até uma criança de 5 anos semi-alfabetizada conseguiria fazer, quem dirá um adulto supostamente letrado.

Até aí, tudo estaria tranquilo, pois há montes e mais montes de pessoas melhores ou piores (e mais ou menos famosas) do que o anti-Globo fazendo esse tipo de crítica banal e infantiloide. Mas, a vida nos reserva surpresas, e eu nunca esperaria que, em uma entrevista para o programas 2 Chopes com, do portal de notícias Yahoo, PC Siqueira se declarasse, em alto e bom tom, um "anti-coxista" e "o Anticristo".

Caipirinha, desde sempre formando Anticristos
Resolvi, então, trazer poucas objeções - pois trazê-las aos montes seria inferir que um sujeito como Siqueira mereça ser levado mais a sério do que uma criança de 5 anos semi-alfabetizada - para fazer com que o meu leitor (pois Siqueira, acredito, já é caso perdido) exercite ainda mais seu ceticismo e caia cada vez menos na conversa deste tipo de embusteiro.

Primeiro, por mais que me digam que a resposta sobre ser o Anticristo seja "poética" (ou qualquer besteira do tipo que faça um Baudelaire ou um Cruz e Sousa se revirarem no túmulo), o detalhe é que, na religião cristã, ser um Anticristo não tem nada a ver com criticar o Cristianismo. PC Siqueira, para sê-lo, teria que ser um falso profeta com poder de persuasão suficiente para convencer todo o povo, ou a maior parte dele, a segui-lo. Criticar o Cristianismo (e mal), na verdade, só faz dele, nas atuais circunstâncias, uma besta antirreligiosa. O único modo de considerá-lo o Anticristo seria se, além de ele ser considerado o mais retórico e influente crítico das religiões - e nisso ele perde até para o Cauê Moura -, teríamos, como faz o Pondé, que considerar o politicamente correto esquerdista, que é a religião do vlogger neo-ateu, como filho ilegítimo, mas filho, do Cristianismo, em uma masturbação mental incrível. Creio, então, que compensa mais chamar um burro de burro do que de Anticristo, característica esta que requeriria, no mínimo, uma inteligência dez vezes maior do que a demonstrada por PC desde os primórdios de seu canal no Youtube.

Segundo (e último, pois, friso, dar-lhe um post já foi demais), ele se diz um "anti-coxista" e rechaça todos os "coxinhas" que forem seus fãs, dizendo que, se for "coxinha" - o novo termo que causa um orgasmo coletivo em esquerdopatas, mas que não passa, assim como quase tudo que a esquerda faz, de humor chinfrim -, ele não vai querer como seu fã. Curiosamente, PC adota, aqui, o mesmo tipo de pensamento dualista e até certo ponto maniqueísta que tanto critica, OH, nos cristãos! Seria ele, então, um cristão enrustido? Ou é apenas burrice nada enrustida?

Enfim, deixo-lhes com estes questionamentos, com meu forte abraço e com os "versos" que terminam o poema de Baudelaire, afinal:

"É hora de embebedar-vos! Para não serdes escravos martirizados do tempo, embebedai-vos, embebedai-vos sem parar! De vinho, de poesia ou de virtude: a escolha é vossa" (BAUDELAIRE, C.)

Deixo, também, as palavras de meu ilustre e sempre preciso amigo Gustavo Nogy, do blog Ad Hominem - Humanidades e outras Falácias,  sobre esta sumidade intelectual - e vlogger neo-ateu nas horas vagas, ou seja, todas - do século XXI:

JÁ FALEI DESSE ENERGÚMENO e falo outra vez: PC SIQUEIRA. Noutros tempos, esse pobre coitado apanharia dia sim e outro também na escola, e não arranjaria namorada antes dos quarenta (nessa idade, algumas já vão perdendo a esperança em dias melhores). Hoje, ele é ‘formador de opinião’. Como ele mesmo disse anteontem: ‘anticristo’, ‘satanista’ e outras amenidades. Escrevo isso e mais de uma pessoa vem aqui – dedo em riste! – me admoestar e me pedir boas maneiras: não se fala assim das pessoas, ninguém merece apanhar na escola e ele, pensando bem, até que é bonitinho. Não sei que elástico e omni-abrangente será esse conceito de beleza, capaz de abarcar das pinturas rupestres às feições cubistas do nosso querido pensador de videolog, mas sei que isso, definitivamente, não comove. O que impressiona nessa entidade não são as bobagens que fala. Mas que o levem a sério e, mais do que isso, que o levem a sério precisamente por causa da persona ‘loser’ que ele meticulosamente forjou para si. Antes, os perdedores eram amados apesar de serem perdedores. Hoje, são amados por conta disso. Bullying é uma instituição que importa preservar.

Enfim, um forte abraço, amigos leitores!

NOVOS PODCASTS:

14 de jul de 2013

(An)Alfabeto

Ah, como somos engraçados alguns universitários. Reclamamos da "opressão" e do "preconceito", mas, além de não definirmos precisamente este, também não escondemos nem criticamos nossas próprias intolerâncias e, fora o fato de citarmos outras regras cujas razões de existência desconhecemos para lutar contra o "preconceito", demonstramos, cada vez mais, quase completo desconhecimento das regras que, em nossas férteis imaginações, geram a tal "opressão".

Aliás, voltando à intolerância, somos também nós que, em nome "do mundo melhor", do "senso crítico" e da "diversidade" - o que quer que tudo isso signifique, pois, novamente, nada se define, tudo se cria e se transforma de acordo com o contexto social e histórico, como nos ensinaram os materialistas históricos -, endossamos,  com base em conhecimentos sociológicos e filosóficos indignos até mesmo da mesa de bar, todo tipo de ato contra a democracia e contra o que, em outro de nossos delírios, convencionamos chamar de "liberdade de opressão", termo este que, convenhamos, só não consegue ser mais vago do que, pasmem, os já citados "preconceito" e "opressão".

Sobre Filosofia, nada conhecemos. Como só lemos aquilo que nos toma menos do que duas horas e alguns neurônios, nada sabemos sobre Nietzsche, Marx, Kant, Descartes e tantos outros grandes nomes da Modernidade. Dos clássicos, então, só lemos Aristóteles, e ainda assim em um de seus livros mais curtos e menos densos, pois não curtimos "Política" e desconhecemos "Retórica". Conhecemos, no máximo, os leitores dos leitores de Marx e Nietzsche - Kant e Descartes nem pensar, pois são "reaças" -, cujas ideias são expostas, como sempre, exclusivamente com base na pobreza materialista histórica e dialética, das quais toda a sorte de ideias também são vítimas.

Digo, porém, que nós é benéfico conhecer nada mais do que um pouco menos do que nada sobre todos esses grandes autores. Afinal, se lêssemos Nietzsche, teríamos de admitir que o antiteísta alemão, apesar de toda sua desagradável misoginia, conseguiu prever muito bem o quão falho é nosso discurso pós-moderno baseado em um igualitarismo fantástico e em uma democracia ainda mais patética do que a ateniense e o quão medíocres somos ao nos submeter a tudo o que prega a cartilha da universidade.

Já se lêssemos Marx, nos veríamos forçados a assumir que, mesmo rejeitando a pecha de "marxistas" - afinal, professor não pode se meter em política! -, além de não nutrirmos qualquer simpatia por nem tolerarmos quem prega a parcimônia ante as mudanças nos costumes e/ou um alto de grau de autonomia do Mercado e do indivíduo perante o Estado, também nos é, apesar de todo nosso "raciocínio crítico e liberto do preconceito", muito conveniente que nossas áreas sejam, talvez, as mais afetadas pela histeria materialista histórica e dialética, aquela que tudo reduz a contexto "social e histórico" e ao binômio "opressor x oprimido" (que, curiosamente, é muito parecido, conceitualmente, ao dualismo religioso entre "bem" e "mal").

Kant, então, nem se fala. Já nas primeiras páginas, descobriríamos que estamos, apesar de pensarmos o contrário, muito longe do Esclarecimento. Com Descartes, então, descobriríamos que, de cientistas, temos um pouco menos do que nada, pois sequer nos apoiamos, para começo de conversa, em ideias claras e distintas. Já Aristóteles, com seus argumentos demolidores contra o relativismo cultural, nos forçaria, já de cara, ao famoso gemido grego, mas, como somos coletivistas, falaríamos, ao invés de "ai de mim! ai de mim!", "ai de nós! ai de nós!", em um gesto digno do mais frouxo dos coros.

Enfim, cansei de falar de nós com tantos detalhes. Se o leitor realmente quer saber, a piscina de nossos gurus está cheia de ratos - e nossas ideias só correspondem aos fatos que nós, com nossas incríveis habilidades de análise, interpretamos histórico-dialeticamente - e nossos inimigos estão sempre no poder, enquanto nossos heróis morrem só de velhice, não de overdose. Outro dado interessantíssimo é que nos pensamos Drummond, mas não conseguiríamos chegar sequer a Paulo Coelho, quanto mais ao que parafraseei neste parágrafo, que morreu um tanto longe da Praia do Leblon.

Quem somos nós? Pergunte ao neon, amigo leitor, pergunte ao neon enquanto posto, aqui embaixo, duas homenagens a meus companheiros e despeço-me de você com aquele meu forte abraço.

HOMENAGEM I: Uma imagem com 7 palavras vale mais do que 1000 palavras:

Tradução (da qual alguns de nós não necessitam): "Vocês todos são um bando de socialistas"











HOMENAGEM II: Um podcast da zueira.

26º Podcast de Octavius: A zoeira, ela não para.

10 de jul de 2013

De Cara com o Fera - Resposta a PH, o Lobo liberal de esquerda

Boa noite, amigos leitores, e este é mais um dos nossos papos aqui pelo blog.

Lembram-se daquele artigo que escrevi sobre a entrevista de Sua Excelência, o Deputado Federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), a Antônio Abujamra no Provocações? (Links para a entrevista: aqui, aqui e aqui). Pois é, um pouco depois de eu ter publicado esse artigo, meu nobre amigo PH Wolf disse-me que faria uma resposta a ele. Pedi, então, que a postasse como comentário (ou comentários) no supracitado artigo para que pudéssemos promover, depois de muito tempo, um novo debate entre mim e um leitor do blog, coisa que só havia acontecido uma vez no post sobre a entrevista de Luiz Felipe Pondé à revista VEJA em 2011 - texto este que, confesso, me arrependi de escrever, apesar de ter-me dado inspiração para uma série (em andamento) no blog.

Ocorreu que, depois de alguns dias e contratempos, incluindo o fato de perder a primeira versão de sua resposta, e de eu não mais esperar por esta, o Lobo liberal de esquerda colocou, em meu blog, seis comentários detalhados com suas críticas  a meu artigo (começa aqui) e com muitos pontos interessantes extra-artigo sobre os quais quero comentar. Resolvi, então, replicar em forma de post no blog com aquele velho esquema de refutação que comecei a usar em um dos posts sobre a renúncia de Bento XVI.

Vamos, então, aos trabalhos. Antes, porém, de começarmos, devo avisá-los de que estou debatendo com um bissexual e com alguém que diz ter acompanhado o trabalho do deputado em quem, hoje, votaria. Sabem o que quer dizer isso, amigos leitores? NADA. Mesmo que ele declaradamente estivesse militando em causa própria, ou seja, se fosse um wyllysiette, isso em nada desmereceria sua resposta, pois não é o fato de alguém militar em causa própria que desmerece seus argumentos. O que, sim, desmerece uma causa ou uma argumentação é usar-se da mentira ou da censura para defendê-la.

Digo isto porque, apesar de dever ser algo óbvio, muitas pessoas, tanto conservadoras quanto liberais, utilizam-se desse argumento mentiroso para desequilibrar o oponente e/ou para desmerecer seus argumentos. O detalhe é que, como diria algum filósofo cínico, se bem me lembro, "a verdade é a verdade até nos lábios de um louco". Não sei se chegaremos aqui à verdade, mas espero, sim, que cheguemos ao melhor entendimento.

Enfim, voltando ao pertinente para este - e não outros - post, Wolf começa sua resposta:

Finalmente um artigo aqui nessa página que mexeu com os meus brios o suficiente para demandar uma longa resposta minha. Para alguém que costuma detonar opiniões preguiçosas com veneno e provocações certeiras, sempre embasado na mais indefectível lógica (independentemente de eu concordar ou não com as conclusões), esse artigo me decepcionou.

Confesso que, apesar dos pesares, esta parte me deixou particularmente feliz, pois significa que, ao contrário do que penso, consigo provocar pelo menos uma ou duas pessoas de modo a fazê-las reagir, seja para cumprimentar-me, seja para refutar-me. Isto, porém, é irrelevante. O que é relevante é a razão pela qual Wolf reagiu, que é a seguinte:

Aqui o que se vê é um veneno genérico, pouco mais do que um festival de xingamentos preconceituosos (nenhum deles homofóbico, é preciso dizer, é sempre no estilo "esquerda = autoritário" ou "ex BBB = burro, fútil, intelectófobo"), rancores de uma má vontade Olavodecarvalhiana e questões colocadas com o mesmo tipo de opinião preguiçosa que tanto costuma criticar. Definitivamente não é o seu estilo.


Eis, nesta parte, o primeiro erro. Apesar de eu ter colocado as palavras "BBB" e "intelectófobo" - termo este que não pode ser associado necessariamente à burrice e à futilidade, pois não é a complexidade de um raciocínio a única razão pela qual se deve apreciá-lo, o que significa que este "salto de fé" foi do Lobo liberal, não meu -, nunca fiz essa correlação apontada, pois não examinei todos os ex-BBBs para saber se são fúteis e burros ou não. Aliás, sequer disse que Wyllys é burro, exatamente porque não acredito em burrice em política. Acredito, sim, em utilitarismo egoísta e em preguiça de pensar, mas isto não vem ao caso.

Do mesmo jeito, também não coloquei relação de sinonímia entre esquerda e autoritarismo, exatamente porque estou rebatendo as objeções de um LIBERAL DE ESQUERDA. Reclamei, sim, do autoritarismo politicamente correto que Wyllys representa, aquele que coloca como "fascista" e "retrógrado" o que não lhe agrada, mas é óbvio que, como um ex-marxista e como um estudante autônomo (na medida do possível, frise-se) de Filosofia, é minha obrigação saber que há esquerda, e esquerda inteligente, fora desse e de outros tipos de autoritarismo. Convenhamos, no entanto, que esse tipo de pessoa é rara tanto na internet quanto na vida real brasileiras (rsrs).

Este, porém, foi só um prelúdio. Em seguida, o poeta carioca reclama de que

A análise já começa fazendo uma correlação entre a reclamação sobre uma juventude não-politizada (não é nada, não é nada, mas é bom frisar que a entrevista foi gravada antes que as manifestações tomassem conta do país) e o seu posicionamento contrário à bancada evangélica na política, querendo dar a entender que o próprio deputado sofreria, em certo ponto, do mesmo problema, como se fosse um hipócrita. 

E não retiro essa acusação, pois, baseando-me em uma análise feita por um amigo sociólogo comum a ambos (se eu estiver certo), vejo esta bancada como a representação da politização, ou melhor, da vontade de participar ativamente da política, por parte de um setor da população, e um setor representativo demograficamente, que é o dos evangélicos. 

É lógico que, como ateu e como alguém que tende mais a posturas liberais do que a posturas conservadoras em costumes, tenho uma série de discordâncias com os evangélicos e seus representantes, mas, ao contrário de Sua Excelência, eu parei de tentar fazer deles monstros morais e passei a debater um pouco mais honestamente sobre diversos assuntos, coisa que o ilustre deputado também deveria fazer, pois democracia não se resume apenas a permitir a existência de uma bancada evangélica - que, sim, pode e, nas atuais circunstâncias, deve existir e ser ativa, especialmente por serem o último bastião de oposição ao politicamente correto e seu autoritarismo progressista -, mas também a respeitar quem dela faz parte e ouvir, sem ataques baratos e apelações medíocres, seus argumentos, algo que, em várias entrevistas, Jean Wyllys deixou de fazer ao chamá-los, por várias vezes, de "extremistas fundamentalistas".

(Aliás, acusações veladas abundam nesse artigo. Praticamente todo final de parágrafo são conclusões exageradas, beirando o declive escorregadio, tiradas a partir das colocações de Jean Wyllys dando a entender que ele é um fascista esquerdocrata e totalitário, como se defender suas posições com veemência fosse o equivalente a não tolerar opiniões contrárias)

Primeiro que eu trocaria "esquerdocrata" por "esquerdopata", mas tudo bem, essa eu deixo passar.

Segundo, Wolf fala em declive escorregadio, mas não dá sequer um exemplo disso. Uso aqui, então, o princípio amplamente divulgado por Hitchens (apesar de este desrespeitá-lo muitas vezes durante sua vida intelectual): O que pode ser afirmado sem evidências pode ser descartado sem evidências.

Terceiro, fato, quem defende veementemente uma opinião não é um totalitário. Agora, que chamar alguém de fascista, acobertador de pedófilos e assassino só porque este é o líder espiritual de uma instituição que não se curva aos argumentos wyllysianos é um indício, ah, meu amigo, isso é. E isso não é "respeito à diversidade", Wolf. Chame do que quiser, menos de "respeito" e similares.

O Lobo, então, prossegue:

Segue-se então toda uma ladainha sobre o que seria o Estado Laico e porque a posição de Jean Wyllys seria contraditória.

Ladainha, convenhamos, que é VERDADEIRA. Aliás, só seria ladainha se fosse falso, oras.

Ora, por mais que a sua definição seja correta, Jean Wyllys sabe muito bem disso.

E eu sei que ele sabe, por isso o achincalho. Isso se chama guerra política, meu amigo, e deve-se desmascarar mentirosos antes que eles façam das suas mentiras as verdades, mesmo que, como Wyllys dá a entender sobre si mesmo, não creiam em verdades absolutas.

Tanto que a oposição que ele faz à agenda da bancada evangélica é feita pelos trâmites democráticos.

Do que eu saiba, incitar o ódio contra um grupo numeroso da população que segue uma instituição que não concorda com os argumentos pró-gay não está nesses trâmites. E, sim, como se vê na reportagem que linkei parágrafos acima, ele faz isso sim.

Ele sabe muito bem que os deputados ali eleitos não exercem suas prerrogativas de forma ilegal, e suas divergências são de caráter ideológico, não religioso. Ele discorda radicalmente das posições e decisões da bancada evangélica, da mesma forma que a bancada evangélica discorda ideologicamente da bancada homossexual.

Como dito antes, eu sei que ele sabe e eu sei quais são as discordâncias dele, só que não lhe é permitido incitar o ódio e difamar grupos simplesmente por ser um defensor das minorias - aliás, ainda bem que o Congresso ainda não se converteu à religião wyllysianista, senão até essa concessão ele teria. Agora, pergunta: Que bancada homossexual? Ué, mas os ativistas LGBTs não são vítimas de difamação por eles, os felicianos e bolsonaros da vida?

A não ser que você esteja sugerindo que essa discordância dos evangélicos seja, por si, homofóbica, nao dá pra esculhambar o posicionamento de Jean Wyllys a respeito de forma tão simplista.

Repito o que disse em todos os parágrafos acima.

Claro que ele lamenta (e eu também, por sinal) que tantos elejam seus representantes pelo simples fato de serem pastores.

E essa lamentação é baseada em provas concretas ou apenas em palpitaria?

Porém, ele reconhece (e eu também, de novo) que faz parte do jogo democrático.

Oh, Wolf, então você chama quem não louva suas ideias de "fascista retrógrado" também? Afinal, do que eu saiba, você REALMENTE reconhece que as divergências fazem parte do jogo democrático e tenta respondê-las com argumentos. Já Wyllys responde, como se vê em vários de seus tweets, entre eles os supracitados e vários outros, com ameaças de processo e com difamações e escárnio. Novamente, democracia também se trata de respeito, e isso Sua Excelência não demonstra em suas declarações.

Eleger alguém por ser da mesma religião (ou do mesmo time de futebol, orientação sexual ou qualquer coisa que não seja um motivo propriamente político) é uma tristeza.

Pena que isto, nobre amigo, nada mais signifique do que um salto de fé, especialmente porque você sequer definiu o que é político. Aliás, se formos pegar a definição propagada pelo sempre sensato filósofo Mário Sérgio Cortella, chegaremos à conclusão de que mesmo o futebol com os amigos é um ato político, pois é um ato de interação com a comunidade. Agora, se vier falando de política como política ideológica, desculpe, mas foi esta que me tornou apolítico e anti-ideológico, e é desta que fujo toda vez que debato, pois ela, por mais que se esforce, é, por essência, um reducionismo drástico e um barateamento do debate de ideias e da busca por soluções para problemas. Por incrível que pareça, do pouco que investiguei, boa parte do "povo" - ah, essa entidade sempre invocada mas também tão pouco delimitada - tem plena consciência disso, mesmo que não use tais termos para demonstrar seu desprezo por "política".

E esse fenômeno, muito mais do que a possível existência de uma ala da população que efetivamente concorde com as propostas dessa bancada, é sim fruto de uma população não-politizada, de modo que, curiosamente, há mesmo uma relação entre as duas partes da entrevista, quem diria?

E qual seria esta relação é uma coisa  que até agora, confesso, não descobri. O que descobri, porém, é que uma população evangélica que elege pastores evangélicos porque estes defendem ideais EVANGÉLICOS provavelmente o faz por não-politização. Que me desculpe o Wolf, mas este raciocínio é tão fantástico quanto o próximo, que é sobre Gramscismo:

O parágrafo sobre a citação de Gramsci nem merece réplica. Uma coisa que foi colocada como uma declaração de amor à democracia (mudar o que tem que ser mudado de dentro, ou seja, sem desrespeitar os processos democráticos, sem atropelar as leis, através do confronto com opiniões contrárias e pelo convencimento) é interpretado como uma atitude autoritária e de censura. 

Na verdade, uma coisa que foi colocada como forma heterodoxa de revolução - pois Wyllys apenas negou a forma de revolução de Marx e não a revolução em si, que também pode ser cultural -, que é esse espírito de adaptar as instituições às vontades de um grupo político específico, foi interpretada exatamente como isso mesmo. Existe uma tênue diferença entre defender a liberdade e defender a mudança. Na primeira situação, pensa-se antes de tudo em preservar os direitos individuais e a democracia. Já no segundo caso, pode-se pensar em qualquer coisa antes dos direitos individuais e da democracia.

E existe, também, uma grande diferença entre revolução marxista e revolução gramsciana. Nesta, apela-se para o irrealismo de achar que, de alguma forma, é mais leal tirar a liberdade das pessoas do que matá-las em nome de um mundo melhor. Naquela, assume-se os riscos necessários para que "a solução" para os problemas venha, e isso inclui, sim, óbitos. Ou seja, Gramsci é nada mais do que a versão mais pacifista e desleal do Marxismo, mas com uma roupagem "cool" que é capaz de atrair para si pessoas como Wyllys que, ao contrário do que demonstram em seus atos, não querem assumir os riscos de um confronto armado, mas não descartam o confronto cultural. 

Mas, enfim, tudo isto é apenas masturbação mental de ex-marxista. O caso é que, mesmo assim, a fala continua sendo revolucionária e a atitude de Wyllys também. Pena, para Wolf, que, ao contrário do que ele disse, eu não afirmei, em momento algum, que Wyllys estava sendo autoritário ao usar Gramsci. O que eu disse é que os céticos ao Marxismo Cultural deveriam ficar de olhos abertos. E essa afirmação, que me desculpem os que vão me chamar de Olavette, eu banco. Assim como banco, também, o que falarei sobre a fala de Wolf acerca de Wyllys x Clodovil a seguir:

Eis que surge a figura de Clodovil Hernandes. Sem apontar sequer que o nome apareceu por reconhecimento do próprio Jean Wyllys, ao ser apontado por Abujamra como o primeiro deputado assumidamente gay do país, o artigo distorce a fala de Jean Wyllys de forma assombrosa. 

Na verdade, ao contrário do que diz o Lobo liberal, além de ser inútil apontar que Jean Wyllys falou isso em "reconhecimento" - mérito que é completamente destruído por sua posterior defecação oral -, não houve qualquer distorção da fala do deputado. O fato é que, em uma paráfrase, quase exata, o que Wyllys disse foi: "Com todo respeito que eu devo a ele, eu acho que o Clodovil tinha muita 'homofobia internalizada', que ele não se gostava como gay e que, por ele, ele seria heterossexual". O problema com a fala de Wyllys é que este não separou "ser gay" de "ser militante das causas homossexuais", como, aliás, nunca faz. O detalhe é que, de fato, "dar a bunda" não é ato revolucionário, ou não foi nos últimos, sei lá, 10 mil anos. Revolucionário (e burro) é, sim, chamar quem não ache isso de homofóbico.

entrevistado lembra ao apresentador que Clodovil, homossexual assumido, veio antes dele, apenas não pregava a luta pelos direitos homossexuais como bandeira pessoal. E isso é verdade mesmo. Clodovil tinha outras prioridades. 

Pena que, para desgosto do nosso amigo liberal, não foi com esse tom que Wyllys falou sobre Clodovil, nem foi apenas isso que falou. Como já dito antes, o que Wyllys fez foi associar a não-militância ao não-amor próprio e à homofobia, sendo que alhos e bugalhos nada tem a ver. 

A chamada "homofobia internalizada" (colocada por Jean Wyllys a título de especulação, tanto que o próprio Abujamra discordou e não houve tentativa de discutir a questão, ficou por isso mesmo) é, simplesmente, fruto de dezenas e dezenas de declarações que o próprio Clodovil deu em sua vida pública, de que muitas vezes sentia repulsa por sua própria homossexualidade, mesmo porque ela confrontava com os valores morais do mesmo. 

Curiosamente, a única declaração de que ouvi falar nesse sentido foi a de que Clodovil não sentia orgulho de ser gay, mas sim de ser quem era, o que não denota homofobia. Como o crítico literário carioca não nos deu maiores detalhes, fiquemos, por hora, com essa declaração, afinal, tio Hitchens tá vendo essa zoera, Wolf, se é que me entende.

Isso não foi colocado como acusação, mas como um simples fato que coloca Jean Wyllys como o primeiro homossexual militante da causa a assumir uma cadeira no congresso.

E, lógico, para exaltar a nobreza do nobre deputado que, sem dúvida, é o maior herói que já existiu no Congresso. Ah, Wyllys, se eu não conhecesse gente dessa laia, eu até comprava.

Aliás, Wolf mesmo parece ter comprado nos trechos seguintes:

Em seguida é examinada a declaração sobre sua dificuldade de se impor como homossexual em um congresso em quase sua totalidade heterossexual (ou heteronormativo, para quem curte o jargão). 

Não curto jargão, mas nem é essa a questão. O que foi discutido, sim, é o ônus de ser um militante da causa gay em um Congresso que, muito curiosamente, vêm se demonstrando cada dia mais aberto a discutir  e a apoiar irrestritamente os militantes gays, a não ser quando, OH, os evangélicos (!!!) apresentam divergências. É, deve ser mesmo uma vida muito difícil para Wyllys ter que conviver com o contraditório. Se chamou um homem velho e até certo ponto passivo de pedófilo homofóbico, imagino o que não diz, em "off", para seus ilustres colegas felicianos.

O processo de subalternação das minorias é um fato histórico

Fato, mas o que ele disse é que o Congresso não se acostumou a discutir o país pelo ponto de vista minoritário. Pena, para ele, que o Congresso, desde 1990, pelo menos, é dos representantes do povo que se organizou para lá colocá-los. Se os gays não o fizeram, não é culpa dos congressistas.

em todo lugar, e os homossexuais estão longe de superá-lo, muito mais longe ainda do que os negros e as mulheres, mesmo porque, ao contrário desses últimos, que somam, em oposição a homens e brancos, metade (ou mais) da população brasileira, homossexuais são uma minoria de fato. Não é mimimi do deputado, é o que ele sofre (e vê amigos, companheiros e desconhecidos sofrerem) na pele dia a dia.

Que Wolf me perdoe, mas, além de o conceito de minoria aplicado ser o sociológico, não o numérico, a partir do momento em que, com uma retórica balofa digna dos habitantes da Itaguaí de O Alienista, o deputado acusa o país de homofóbico e se põe na posição de vítima da "sociedade opressora", é sim mimimi. Afinal, uma coisa é dizer que há atos de Homofobia no Brasil. Outra, por exemplo, é dizer, ou mesmo sugerir, que, por isso, toda a sociedade seja homofóbica. E outra, pior ainda, é banalizar o termo "em nome do mundo melhor", e o que mais vejo Wyllys fazer são os dois últimos. Este recado vale, também, para o excerto abaixo:

Não como um filme sessão da tarde em que todos dão sinais inequívocos de desrespeito com xingamentos dublados e estereotipados, mas como uma sensação de desconforto constante, sobretudo das alas mais conservadoras da população (e do congresso, não tenha dúvida), para quem a homossexualidade é, ainda, considerada um desvio de caráter, ou mesmo uma abominação.

E a este aqui:

Muitos congressistas, embora não tenham criado esse processo, são responsáveis sim por disseminá-lo, inclusive no Congresso, como se vê em inúmeras declarações de fácil acesso pelo youtube.

Mas, não é aqui que a resposta acaba (e, aliás, ainda demorará um pouco). Wolf também nos diz que

A sua analogia com culpar os ateus pelos crimes de Mao é falsa. Mais correto seria comparar com culpar os Maoístas, mesmo os pacíficos.

Tio Hitchens vai te assombrar, e eu vou te dizer que, pelo contrário, a analogia é válida, pois, além de Mao ser ateu, o que eu disse é fato, pois o processo de subalternação de minorias, como você mesmo disse, é HISTÓRICO, portanto não recente. Além disso, os congressistas, convenhamos, têm zero ou pouca influência sobre o pensamento da população. Francamente, seria mais efetivo e talvez até mais honesto fazer como Gilberto Felisberto Vasconcellos e culpar a telenovela por tudo. Afinal, esta sim, pelo menos em tese, tem um maior alcance e uma maior influência.

Wolf também mostra seu descontentamento com uma outra fala minha e diz que

E chega a ser triste ver aqui o velho argumento de que "há temas mais prioritários, como saúde, educação, etc. Mesmo por que, à parte o uso dessa estratégia batida de se desviar de assuntos concretos delicados, a defesa dos direitos humanos e o combate aos preconceitos é sim parte do tema educação (e segurança pública, tendo em vista os crime de ódio que ainda hoje acontecem com frequência, sobretudo no Brasil Profundo citado pelo deputado, mas - por que será? - não por esse artigo.)

Pois é, concordo, mas, para seu desgosto, Wolf, não foi esse o argumento que usei. O que disse é que o Congresso funciona, sim, na base da representatividade, e que, apesar de deverem sim se preocupar com temas delicados - e nunca neguei que o tema merecesse apreciação, só inferi, assumo, que não é Wyllys o homem que deve ser o propagador dessas discussões, especialmente porque este não sabe discutir com um mínimo de honestidade intelectual, ou pelo menos não aparenta isso -, os congressistas, sem nenhuma voz que os levante, tenderão, naturalmente, a discutir temas mais relevantes para a sobrevivência do país, o que não está necessariamente errado, pois, do que eu saiba, o problema da fome no Brasil, por exemplo, é bem mais relevante do que os pretensos direitos humanos defendidos por Wyllys e por outros da mesma militância. 

Fora isso, e também em resposta ao trecho seguinte:

E educação é o tema seguinte. A educação para a diversidade. Me demorar aqui seria me repetir, basta apontar que aqui está um belo exemplo do que eu falei anteriormente sobre as acusações preconceituosas ao deputado, como se ele fosse averso à diversidade de opiniões, o que não é verdade. 

Além de eu já ter mostrado o sempre válido exemplo do Papa, vale sempre lembrar que, pelo menos na sociedade moderna e contemporânea, a função da educação pública - e isso lhe pode ser confirmado até mesmo pelos mais marxistas da pedagogia - não é brigar "por direitos humanos" ou "por politicamente (in)correto", mas sim reproduzir o sistema de crenças sociais e científicas e repassá-lo às crianças e aos jovens. Falar que educação inclui algo a mais que isso é salto de fé ou mentalidade revolucionária.

Aliás, falando em educação, o poeta carioca, depois disso, entrou em um ponto muito interessante. Apesar de ter concordado comigo quando rechacei Wyllys por este ter usado o velho truque "o grupo mais odiado da história", ele reclama da

má vontade do artigo pelo fato de o deputado não trazer "mais do que retórica" para provar sua alegação, como se isso fosse uma falha.

Na verdade, se ele tivesse trazido boa retórica, não reclamaria. Aqui, confesso, esqueci de adjetivar a retórica como "frouxa" e/ou "falaciosa".

Porém, a reclamação não termina aqui. Wolf também aponta que

o autor do artigo se esquece do contexto linguístico da entrevista. Não se trata de um debate formal. Nem mesmo de um programa de entrevistas formal, como seria no programa da Marília Gabriela, por exemplo. "Provocações" tem um formato que não só não inibe esse tipo de alegação como o estimula. É mister colocar pontos polêmicos e apresentá-los, mesmo quando postos de forma assertiva, como questionamentos, como frases lançadas no ar para se pensar a respeito. Sobretudo como uma porta para que tentemos ver o mundo de outra forma, para que nós, os telespectadores, pensemos, ainda que por um instante, sobre a possibilidade de estarmos errados em nossas certezas mesquinhas, quaisquer que elas sejam. Não há a menor obrigação de se embasar as opiniões ali apresentadas com dados, estatísticas ou o que seja, mesmo por conta da curta duração da entrevista. Quem quiser, que o faça, tudo bem. Mas o programa (e o entrevistado sabe disso muito bem) serve, como o nome diz, para Provocar. E Jean Wyllys dá, para quem se interessar, fortes embasamentos em outras entrevistas e artigos.

Reconheço que este argumento é bom, mas o detalhe é que o Lobo da esquerda se esquece de que há também o contexto extra-linguístico da entrevista. Afinal, esta não foi feita com Seu Zé da Padaria ou Seu Joaquim da Quitanda, mas com um Deputado Federal, com um homem público, cujas afirmações, para todos os efeitos, têm sim muita importância para a sociedade em geral, apesar de sua visibilidade ser menor do que deveria. O caso é que, apesar de ser uma entrevista relaxada e provocante, não custaria nada ao deputado, assim como também não faz nas redes sociais, medir suas palavras e ponderar que, apesar de estar, como diz o próprio entrevistador, "na televisão mais livre do Brasil", ele ainda está lá como Deputado Federal e como homem influente no debate político público no país

Há, entretanto, outros problemas apontados pelo carioca:

Seguimos então para o que, ao meu ver, é o ponto mais fraco do artigo inteiro. A implicância com o uso do termo "homofobia”, já esboçada no comentário sobre Clodovil. Por onde começar? Vamos à definição do termo que o artigo dá. Homofobia seria apenas o "ódio ou repulsa a homossexuais". Essa definição de dicionário, além de besta, não é a utilizada pelo deputado em nenhum momento na entrevista.

Quase. O detalhe é que minha implicância não é tanto com o uso do termo, mas, parafraseando nosso amigo Guilherme Tomishiyo em seu brilhante vídeo sobre o artigo de J.R. Guzzo (pena que ele não brilhe no Facebook metade do que o faz em seus vídeos), com a banalização do termo e exatamente com a não-definição do que é Homofobia, o que permite aos seus inimigos políticos que desmascarem suas fraudes e ponham na mesa a sua definição de homofobia, que nada contém de errado apesar da reclamação de Wolf, especialmente porque é uma definição bem mais clara do que a por ele apontada, que seria

algo muito mais amplo. Fala de toda forma de ato ou sentimento discriminatório em relação a homossexuais ou à homossexualidade.

Sorte nossa, no entanto, que Wolf clarifica depois ao dizer que isso seria

Perceba. Não é "ser contra a prática", mas tratar alguém diferente por conta disso.

Azar nosso, porém, que o tratamento diferente

engloba todos os atos discriminatórios, desde piadinhas sem graça (que machucam de verdade, não nos iludamos) até as vias de fato, como espancar ou matar alguém por ser homossexual.

Ou seja, essa nova definição seria o fim de muitos humoristas e a consolidação de muita babaquice politicamente correta. Venhamos e convenhamos, isso, na prática, seria chamar qualquer coisa de Homofobia e seria tratar gays como bons selvagens. Lamentavelmente (ou afortunadamente), Rousseau, assim como "Deus" - mesmo ateu, escolho o lamentavelmente para este, e peço para que meus amigos cristãos não encarem isto como mais do que um uso conveniente para a frase nietzscheniana -, está morto. Fora isso, essa ampliação extremamente indevida daria sim espaço para frouxos "frouxearem" e processarem deus-e-o-mundo por "ato discriminatório", o que, com o tempo, tornaria a sociedade ainda mais chata do que já é.

Mas, para Wolf, o primeiro problema real em tudo isso é que

Esse sentido mais amplo do vocábulo já está cristalizado na nossa sociedade e é legitimizado pelo uso popular. Acusar o Jean Wyllys de "especulação difamatória" por não se ater ao sentido conveniente de dicionário é um erro que eu poderia esperar de um sociólogo, economista ou mesmo um filósofo. 

E não reclamar disso, meu amigo, é um erro político, exatamente porque a filosofia de hoje (que Wyllys divulga com fervor), mesmo tendo, teoricamente, menos de 20 anos, já está mais caduca do que minha tataravó se estivesse viva. Aliás, gostaria de saber, como avaliar o uso popular quando o que se fez foi impor, goela abaixo, uma nova definição? Ainda mais, será que "o povo" realmente se preocupa com tais assuntos?

Pelo visto, eu deveria saber e não deveria mais errar, pois, segundo o próprio Wolf, estudo Letras e:

A língua, com suas variações tanto diacrônicas quanto sincrônicas, é seu objeto de estudo. Um erro básico desses vindo de você é simplesmente imperdoável. Se eu quisesse colocar aquele indefectível vídeo do Caetano xingando a burrice do interlocutor nessa minha resposta, eu o colocaria aqui.

Assim como é a língua, e não a religião cristã, o objeto de estudo do papa da Sócio - para os menos íntimos, Sociolinguística, que estuda as relações entre língua e sociedade e cujo pai mais famoso é William Labov -, Marcos Bagno, mas, mesmo assim, este, além de sequer permitir grandes contestações a suas ideias, ainda comete erros dignos do primário sobre a tradição cristã, que critica duramente. Além disso, quem estuda "a língua em suas variações diacrônicas e sincrônicas" são, em sua maior parte, linguistas, sociolinguistas, psicolinguistas, outros derivados da Linguística e quem compara obras literárias linguisticamente. Como não faço nada disso em minhas pesquisas, não é esse meu objeto de estudo.

Fora isso, sendo um pouco mais rigoroso, eu diria que o pessoal de Letras, no geral, temos um grande problema: somos os especialistas em tudo sem ter estudado nada mais do que Foucault apud Psicólogo x da Educação, Bordieu apud Marcos Bagno (e Bagno apud Erros conceituais) e Saussure apud Fiorin. Eu, com essa silepse, não tiro o corpo fora. O que faço, sem nenhuma silepse gramatical, porém, é tentar pelo menos mudar a mim mesmo e dizer, com orgulho, que não palpito no que não conheço, o que não é o caso da carreira parlamentar do LINGUISTA Wyllys, voltando ao pertinente.

Já o segundo problema real, este mais grave, é que

não é esse o único erro do parágrafo, nem o mais grave. Você dá a entender que preferir filhos hétero a homossexuais, salvo eventuais casos movidos por ódio, é pura questão de preferência. Falsa dicotomia. Preferência as pessoas têm por ter um filho loiro ou de cabelos castanhos. Há muitos motivos pelos quais alguém preferiria ter um filho hétero, a maioria deles de natureza homofóbica, segundo a definição mais geral que eu apresentei. Exemplos: "homossexualidade é doença, é falta de vergonha na cara; é imoral; é promiscuidade; eu quero um filho "homem"; E isso se vê nas reações das pessoas ao descobrirem que seus filhos são homossexuais. Uns espancam, uns expulsam de casa, uns até tentam aceitar o "defeito" do filho, o que não deixa de ser um passo contra uma homofobia internalizada de fato. Mas quase sempre é um desgosto na família, e um desgosto profundo. Por que há uma visão extremamente arraigada em grande parte da sociedade de que, de um jeito ou de outro, homossexualidade é feio. Pouquíssimos são os que prefeririam ter um filho hétero por um motivo não-homofóbico como "não gostaria que ele sofresse o que eu vejo os homossexuais sofrendo por aí."

Aqui, que me desculpe Wolf, o que houve foi um gigante salto de fé, pois o que eu disse foi que não há necessária relação entre preferir filhos hétero e homofobia, o que é fato. Devemos nos lembrar (como já fiz aqui e aqui) de que, no Brasil, a regra jurídica diz que todos são inocentes, e não culpados, até que se prove o contrário. Portanto, tentar colocar no mesmo balaio, como fez o deputado, mera preferência e atos reais de preconceitos é retórica barata e nada  mais. Dizer que o que eu fiz foi "falsa dicotomia" - o que não tem nada a ver com o assunto, sejamos honestos - e que uma preferência, até que se prove o contrário, não é uma preferência não é a música de Gabi Amaranthos, mas, se botar na vitrine da retórica, não vai valer nem R$ 1,99.

Mais ao fim, Wolf repete a mesma ladainha sobre a conduta do deputado ser apenas de discordância veemente e não de intolerância e reclama que

Em seguida, vem o comentário sobre "religiões, preconceitos e bancos". Sim, uma pergunta provocadora da parte de Abujamra. Sim, uma resposta provocadora do entrevistado. Não uma defesa de tese, mas uma, de novo, provocação. A não-compreensão dessa palavra como pano de fundo e textura de toda a entrevista é o que causa a maior parte dos espantos por sua parte. Não se trata de provar que religiões e bancos são uma união que estraga o mundo, mas de colocar isso como possibilidade, e a presença do Banco do Vaticano (mais ainda, a acusação, que, até onde eu sei, teve bases sólidas para ser feita) são exemplos que sugerem - não provam - essa possibilidade. 

e que

Por fim o artigo, sem reconhecer o caráter poético da questão sobre reencarnação, descasca em cima da resposta do deputado sobre querer viver em "um mundo justo". Clichês à parte (e se eu tenho uma crítica à resposta é justamente esse cliché desnecessário e incoerente com o que fora uma entrevista cheia de pontos provocadores de fato), o artigo aproveita para dar mais uma alfinetada gratuita no pensamento de esquerda, citando o Stalinismo (e o nazismo, mais isso é outra questão) como resultados das últimas tentativas de se fazer um mundo justo. Isso quer dizer que devemos parar de tentar? Que devemos deixar o mundo como está e pronto? Ou apenas questionar o que deu certo e o que não deu, pensar por que essas tentativas falharam e evitar cometer os mesmos erros? Porque em nenhum momento se trata de demonstrar fervor religioso a uma ideologia política inevitavelmente ditatorial. De novo, a defesa fervorosa de ideias é confundida com a intolerância às ideias contrárias. 

Quanto à primeira resposta, por mais que existam bases sólidas, o fato de alguém ser acusado de algo prova contra ele um grande pedaço de NADA, pois acusação não é prova de culpa. Pensar diferente disso é endossar que "onde há fumaça, há fogo", que é um raciocínio bem mais provocador e bem mais instigante, convenhamos, do que toda a entrevista do deputado.

Quanto à segunda resposta, reconheço sim o caráter poético, só que o desprezo. Reconheço também a provocação da entrevista, só que sou um "escarniador". Por fim, reconheço sim que o mundo pode ficar melhor, só não acho que  ajude nisso chamar velhos decrépitos e, até que se prove o contrário, limpos no sentido moral, de pedófilos homofóbicos. 

Aliás, a penúltima parte interessante é uma reclamação de que

quanto à religiosidade composta do deputado, isso não é, de modo algum, sintoma de um neo-ateísmo enrustido, mas faz parte de um sincretismo hardcore bem característico de quem nasceu e cresceu na Bahia, onde o cristianismo e as religiões de matriz africana convivem como em nenhum outro lugar do mundo.

Passou perto, Wolf. Pena que, de cristão fraco, Wyllys não tenha nada. O que isso geraria, em tese, é um cristão fraco, não um neo-ateu, que é, sim, o que Sua Excelência parece. Deve ter sido, imagino, o resultado da mistura disso tudo com o que ele entende por e de ateísmo -  que, pelo que ouvi, é nada e menos um pouco.

Por fim, e eis a última parte interessante, terminamos com um lamento:

Termino reiterando minha tristeza, fruto da admiração que tenho pelo autor do presente artigo, e da inteligência sagaz e mordaz que costumo ver mas não vi aqui, infelizmente. Assim como o remédio, na dose errada, se transforma em veneno, da mesma forma o veneno, na dose errada, vira puro mimimi. Uma pena. Mas não se pode ganhar todas.

Pois é, nobre Wolf, mas o mimimi, assim como ocorre com a zuera, seja na dose certa ou na dose errada, não deixa de ser o mais puro mimimi. Minto. Talvez um mimimi mais sofisticado, como o de Wyllys, seja, efetivamente, um bom discurso político. Prova disso é que, até mais do que as Igrejas pelas quais nutre tanto ressentimento, Wyllys conseguiu um bando de ovelhinhas para sua seita cheia de "religiosidade composta".

Eu, porém, não vou me alongar ainda mais sobre isso, pois é, para quem, como Wolf, conhece neo-ateus e cristãos fracos, algo óbvio. Portanto, despeço-me por aqui e, desta vez, com um piparote e com meus agradecimentos ao leitor que nos acompanhou até aqui. Obrigado Wolf e leitores, e até mais.