26 de jun de 2013

Nos embalos de um ex-BBB intelectófobo - Jean Wyllys, o Rousseau brasileiro

Ontem à noite, enquanto navegava pelos canais de minha televisão, vi que, dentro de pouco tempo, haveria uma entrevista no programa Provocações, da TV Cultura, com o Deputado Federal e ex-BBB Jean Wyllys, que atualmente milita pelo PSOL e por todo tipo de causa que sirva para inchar o estado e praticar todo tipo de fascismo ideológico contra os grupos que não aprecia, incluídos todos aqueles que se apegam às suas tradições ou mesmo aos próprios ideais ao invés de louvar e propagandear as ideias do messias dos "por um mundo melhor".

O fato foi que o linguista-deputado não decepcionou e, como sempre, nos presenteou com um show de afirmações no mínimo curiosas e interessantes de serem analisadas. Resolvi, então, promover uma reflexão sobre alguns desses pontos interessantes presentes na supracitada entrevista. Como, ao contrário do deputado, sou um democrata convicto (apesar de não tomar a Democracia como ideologia ou objeto de louvor), convido também o leitor a participar comigo e dar seu sempre precioso pitaco sobre minhas reflexões. Aproveitemos, então, antes que este tipo de reflexão descompromissada e sincera também seja considerado preconceito, termo cada vez mais vago e, em contrapartida, cada vez mais usado por aquelas pessoas que, como Wyllys, amam a humanidade, mas detestam seus semelhantes (e aqui copio descaradamente Luiz Felipe Pondé, Edmund Burke e muitos outros).

Enfim, vamos à análise. Poderia começar pela parte em que o deputado diz que "não está acostumado a ser chamado de Vossa Excelência", mas prefiro, por pura e simples vontade, começar pela reclamação em parte justa de Sua Excelência quando este diz que um dos problemas da política brasileira é termos uma população pouco politizada, pouco participativa. Muito curiosamente, é esse mesmo Jean Wyllys que reclama em coro com neo-ateus e outros imbecis juvenis e senis contra a participação de pastores evangélicos na política sob a afirmação de preservar a laicidade do estado.

Mas, ora essa, do que eu saiba, um Estado Laico é justamente aquele em que todas as religiões, grupos religiosos e pessoas religiosas (ou não) podem ter voz - e podem ter certeza, quem diz que Estado Laico é estado sem religião, no sentido de participação dos religiosos, é ignorante, politicamente correto ou mau-caráter, apesar de estes dois últimos serem quase sempre sinônimos. Estariam, então, os evangélicos, um grupo numeroso e expressivo da população, proibidos, por algum tipo de moralismo wyllysiano, de votar em seus pastores para que eles tenham também seus representantes lá? Deveria, então, a população ser politizada apenas em prol dos ideias de esquerda defendidos por Wyllys?

Pergunto isso porque, muito curiosamente, o Papa dos LGBT cita, logo em seguida, o pensador italiano Antonio Gramsci, famoso por dizer, como repetido pelo próprio Jean Wyllys, que não se deve esperar por uma revolução, mas sim entrar no sistema e mudá-lo por dentro. Seria o objetivo de Sua Excelência, então, agir de modo a censurar todo o pensamento que não lhe agrade e impor sua agenda a todos, gays ou não?

Mais curiosa ainda foi a declaração do deputado sobre o agora finado e antes deputado Clodovil Hernandes, dizendo que este, ao não lutar "pelos direitos humanos dos LGBT" - o que quer que se deva entender por isto, visto que Sua Excelência não explicitou, na entrevista inteira, quais seriam esses direitos, que, pelo visto, deve diferir muito dos direitos humanos tradicionais, incluindo o direito de passar valores religiosos aos filhos, coisa que Wyllys parece não respeitar -, pareceu-lhe apresentar o grave caso de "homofobia internalizada", mesmo sabendo que, quando se fala em Clodovil, uma das primeiras coisas que vêm à cabeça de quem conheceu esta figura é a homossexualidade em si. Pelo visto, não basta ser homossexual, é necessário ser da vertente radical-marxista-wyllysiana.

Aliás, é justamente pelo fato de nem todos os deputados o mimarem e o tratarem como ele acha que deveriam (ou seja, mais do que "Vossa Excelência", um herói da nação e uma figura inquestionável) que o intelectófobo apela e acusa, sem o mínimo pudor, os congressistas (ou, em suas palavras, os "machos adultos brancos") de terem se acostumado a colocar os homossexuais no lugar de subalterno e, consequentemente, de estarem descontentes com o fato de essa minoria ter ganhado voz. Além disso, também culpa o Congresso pelo "crime inafiançável" de nunca ter se habituado a dar espaços a todos os pontos de vista, incluindo o de homossexuais, mulheres e negros.

O detalhe de que se esquece o ilustre congressista novato é que, além de os congressistas atuais não terem qualquer culpa pelo processo histórico de subalternação das minorias (e culpá-los por isso seria o mesmo que culpar todos os ateus pelos crimes de Stalin ou Mao, por exemplo), é necessário, especialmente no admirável mundo corporativista brasileiro, haver uma representação que traga para o debate os pontos de vista minoritários, especialmente porque, apesar de sermos uma nação com vários problemas histórico-sociais nesse sentido (e não assumir isso seria canalhice de minha parte), há outros temas um tanto mais prioritários a serem tratados, entre eles Economia, Saúde, Segurança, Saneamento Público e Educação.

Falando em educação, pouco após esse apelo despudorado à culpa alheia, totalmente típico dos politicamente corretos, Wyllys explica que, entre seus projetos, está um por uma educação "para a diversidade". Porém, esse é o problema: que diversidade? Apenas a "diversidade sexual" ou a diversidade de opiniões e de pensamentos? Afinal, se for esta última, o próprio deputado teria de ir a algumas aulas, já que, em mais de uma ocasião, inclusive na entrevista, demonstrou profundo desrespeito àqueles que pensavam diferente dele próprio, tachando-os de "preconceituosos" - ah, sempre essa vaga acusação que acarreta, curiosamente, uma claríssima punição, indo de isolamento social a limbo intelectual.

Mesmo assim, para justificar este e outros pontos de seu pensamento, Sua Excelência apela para o quase sempre falacioso, todavia sempre efetivo (em termos de propaganda de uma causa) truque de "somos o grupo mais odiado da história". Falo isso porque me habituei não a encarar homossexuais como subalternos (pois isto seria pura ignorância), mas a ver tanto estes quanto ateus e outras minorias usarem o mesmo truque, quase todas as vezes tomando como provas pesquisas malfeitas e dados históricos mentirosos. Como Sua Excelência não trouxe nada além de retórica para provar sua alegação, descarto-a, pois, como diriam o neo-ateu Christopher Hitchens e muitos outros, o que pode ser afirmado sem evidências pode ser descartado sem evidências.

É também sem evidências e com uma retórica cada vez mais frágil que, logo em seguida, o sofista showman mostra sua mágoa pelo fato de pessoas ateias e não-religiosas  também demonstrarem "homofobia" ao preferirem ter filhos hétero a filhos homo. Pena que, para desespero do Papa do Marxismo-LGBT (apesar de o Marxismo ter fortes traços de Homofobia), a homofobia seja apenas repulsão ou ódio aos homossexuais, e não a preferência por ter filhos heterossexuais, algo que, de fato, não tem relação necessária com ódio ou com repulsão, exatamente por ser mera PREFERÊNCIA. Obviamente, não nego que possa haver alguns destes movidos pelo ódio, mas isso, até que se prove o contrário, é pura especulação e, pior, especulação difamatória.

Por falar em difamações, Jean Wyllys reclama, com justiça, de uma imagem compartilhada pelas redes sociais em que o próprio se dizia um "apoiador da pedofilia", e diz, inclusive, que vai entrar com um processo contra os que fizeram e compartilharam a imagem. Curiosamente, o mesmo deputado PSOLista não teve vergonha de, na própria entrevista, chamar de "fundamentalistas opressores de minorias" - e o xingamento aqui está em fundamentalista, termo que se tornou pejorativo ao longo das últimas décadas - os religiosos que, segundo eles, compreendem mal a "liberdade religiosa". Não deveriam, então, os religiosos também moverem processos contra o guru da moçadinha laica-gay?

Depois disso, além de chamar a Comissão de Direitos Humanos, comandada por Marco Feliciano, de "causa perdida", ele e Abujamra quase têm um orgasmo conjunto ao falar de "teologias inclusivas" - que, aposto mas não sei se ganho, devem ser capitaneadas por pessoas tão cristãs quanto eu e tão entendedoras de Teologia quanto o próprio deputado -  e ao discutirem a relação entre religiões, preconceitos e bancos, discussão essa que incluiu uma frase de Jean Wyllys em que o deputado dispara, não sei com base em que premissas, que o fato de o Banco do Vaticano existir e ter sido ACUSADO (o que difere e muito de CULPADO) de ser um paraíso fiscal é prova mais do que suficiente de que religiões e bancos são uma união que estragam o mundo. Típico dos intelectófobos.

Por fim, o metafísico de boutique, não satisfeito em já ter demonstrado seu amor à humanidade e ódio ao semelhante durante toda a entrevista, ainda fala, quando perguntado sobre "reencarnação", que adoraria voltar em um "mundo justo", em que não houvesse divisão do homem, exploração do planeta, preconceitos, guerras religiosas (o que raramente acontece, pois as religiões são mais pretextos do que guerreadoras de fato) e tantas outras mazelas sociais. Pena, para ele, que não há mundo justo, e que as últimas tentativas de fazer isso resultaram em bizarrices como o Comunismo Stalinista e o Nazismo Hitlerista.

Mas, esse não é o grande problema no pensamento de Sua Excelência. O problema é que Jean Wyllys, como todo membro de minoria, põe-se na posição do bom selvagem rousseauniano, aquele que, não fosse a sociedade, seria a melhor das pessoas. O engraçado é que, apesar de odiar a sociedade "homofóbica" em que vive e de não gostar das religiões que "oprimem minorias", o Papa (e peço perdão por fazer essa comparação, pois nem o pior dos Papas mereceria isso)  LGBT latino-americano insiste em demonstrar publicamente seu religioso louvor e sua devoção digna do pior dos fanáticos não à religião tradicional - pois ele, como todo bom neo-ateu enrustido, não se assume assim e prefere dizer que tem uma "religiosidade composta" -, essa que busca a virtude metafísica antes de qualquer coisa, mas à religião política, aquela em que, em prol do "mundo melhor", as vozes divergentes são caladas e os ídolos passam a ser os ditadores.

Algum Wyllysiete poderia vir aqui e falar que "só estou defendendo minha religião". Errado. Não acredito no Deus das religiões, mas rejeito bem mais sistematicamente sequer a hipótese de louvar aos deuses Mercado e Estado. A real questão aqui é que Sua Excelência, apesar de não estar acostumado a ser chamado de "Vossa Excelência", quer esse tipo de tratamento, o da submissão servil, às suas ideias, e isso, infelizmente, eu não posso oferecer, pois meu ceticismo, mesmo que não-absoluto, não permite.

É, amigo leitor, é como disse o próprio Abujamra, "o gesto é o suficiente para o ator", especialmente quando ele decide interpretar Rousseau.

ADENDO: Podcast mais recente:

15º Podcast de Octavius: Alguns pitacos: Reforma Política e Frescuras Facebookianas
16º Podcast de Octavius: Provocação Filosófica: O que é a Filosofia? O que é um filósofo?
17º Podcast de Octavius: Por que ser contra "um mundo melhor"? Semi-breve análise do pensamento politicamente correto

22 de jun de 2013

Mais 20 centavos: O Lulista que Disfarçava - Singer, Esquerda e Direita

Há pouco tempo, vi um compartilhamento feito pelo economista Rodrigo Constantino (que sigo no Facebook) de um artigo da Folha de São Paulo assinado por um cientista político e professor da USP, cujo trabalho também já conhecia, chamado André Singer, aquele que fez mais de uma obra sobre o Lulismo no Brasil.

No artigo em questão, intitulado Esquerda ou direita?, pude perceber algumas associações, digamos, "interessantes" que Singer faz entre essas posições no espectro político e as recentes manifestações que vêm ocorrendo por todo o Brasil, apesar de estas terem, até o momento, tomado menos de 100 dos mais de 5500 municípios espalhados pelo território nacional.

Confesso, porém, que esperava pelo menos um disfarce melhor por parte do braço-forte do Lulismo na Ciência Política quanto à ideologia com a qual se alinha. Resolvi, então, trazer mais 20 centavos além dos que eu já trouxera em um podcast citado no post anterior, dessas vez à luz das ideias expressas por cada lado do espectro político, que, ao contrário do que dizem alguns leigos e outros mal-intencionados, ainda é uma ótima forma de se analisar as posições ideológicas dos cidadãos e intelectuais do mundo contemporâneo (e explico isso em uma outra ocasião).

Procedo, então, da mesma forma que fiz aqui, no post anterior e em outras oportunidades, ou seja, destacarei os trechos do artigo e comentá-los-ei em seguida. Vamos, então, aos trabalhos. O lulista começa afirmando que:

O levante urbano desencadeado pelo Movimento Passe Livre (MPL) obteve uma vitória extraordinária ao conquistar a redução do preço das passagens do transporte coletivo em São Paulo e em tantas outras cidades.

Pergunto: Será mesmo? Afinal, pelo menos em São Paulo, além de ter acontecido apenas uma suspensão do aumento da tarifa até o momento, essa "vitória", por questões puramente econômicas, trará uma série de ônus não só a um ou mais setores de investimento da cidade, já que, para não elevar o preço, será necessário a Haddad e outros retirar dinheiro de outras áreas importantes, seja da educação, saúde, segurança, cultura ou outras, para dar subsídios ainda maiores às transportadoras, como também ao próprio trabalhador, que poderá acabar pagando ainda mais impostos para que as cidades tenham mais verba para as áreas desfalcadas.

Este, porém, não é o foco de Singer, mas apenas uma afirmação categórica e que, portanto, pode ser descartada ou rejeitada, pois o que se afirma sem evidências pode ser negado sem evidências. Ele, então, mostra a que veio e pondera:

Mas, conquistada a reivindicação, é preciso saber para que lado vão os personagens que tomaram as ruas depois de 20 anos de ausência das massas na cena brasileira.

Aqui, o lulista volta a mostrar sua face de cientista político e, de fato, põe a carta mais relevante na mesa, afinal, também houve uma considerável mobilização durante o fim do Governo Collor, mas, depois disso, nada mais de tão grandioso ocorreu, apesar de partidos e militantes de todas as causas terem continuado suas manifestações rotineiras.

Há, no entanto, uma correção a se fazer. A questão é que, por mais oba-oba que haja, falar que este movimento foi das massas quando no máximo 3 milhões dos 190 milhões de brasileiros participaram (e isso sendo muito bondoso), ou, dando o exemplo específico da cidade de São Paulo, "apenas" 500 mil dos mais de 11 milhões de habitantes foram às ruas, é nada mais que uma grande falácia. Aliás, não me surpreenderia se a grande massa brasileira, a dos trabalhadores, das donas-de-casa e de todos os outros, não soubesse das manifestações ou se posicionasse contra elas, visto que, como se sabe, o movimentar político, de fato, não faz parte da cultura da maior parcela da população brasileira.

Creio, então, que, no máximo, poderíamos chamar este movimento de um movimento "da classe média", o que pode ser comprovado ao vermos que muitos dos manifestantes são estudantes de classe média.

Singer, porém, não para por aí. Em sua continuação, ele explica que

Duas características peculiares aos protestos recentes criaram uma indeterminação. A primeira é o seu estilo horizontal de organização, cujas raízes profundas estão na tremenda crise que assola a democracia contemporânea. Indignadas com o descolamento entre o mundo da política e o inferno da vida cotidiana, as pessoas recusam as organizações tradicionais --sejam partidos, sejam sindicatos--, ou o que se pareça com elas.

Algo que chega a ser cômico é o fato de o cientista político uspiano esquecer-se de apontar que foram justamente algumas das políticas propostas pela esquerda as que mais geraram essa frustração, como a Maioridade Penal em 18 anos, as penas relativamente leves para criminosos mesmo que hediondos, a péssima qualidade do sistema educacional freireano-progressista-politicamente correto, as péssimas condições de trabalho para professores e muitos outros profissionais e o sucateamento generalizado da segurança e da saúde brasileiras.

Como isso, entretanto, não convém para sua argumentação, Singer sofre um lapso momentâneo de memória e se esquece de jogar para a esquerda as culpas que esta de fato tem. Mesmo assim, ele ainda se indigna com essa postura do brasileiro:

Convém esclarecer, antes que haja qualquer mal-entendido, que a democracia não pode funcionar sem partidos e que os sindicatos, apesar de todos os problemas, continuam a ser o melhor instrumento que o trabalhador tem para defender seus interesses.

Curiosamente, a única coisa que ele fez foi afirmar ambas as coisas categoricamente, não explicando o porquê de uma democracia não poder funcionar sem partidos e de os sindicatos  serem a melhor ferramenta de defesa do interesse do trabalhador. Com isso, não só deixou de esclarecer esses pontos como também negou todas as outras visões contrárias a seu ponto de vista, que ainda é alvo de muitas controvérsias, apesar de todas as tentativas da esquerda de escondê-las ou calá-las.

A coisa degringola de vez quando Singer escreve:

Para completar, em minha opinião, a democracia --em que pese os inúmeros e graves percalços pelos quais passa-- é a maior conquista da humanidade no campo da política. Isto posto, é preciso canalizar a revolta contra as instituições para uma participação que as revitalize, e não que as destrua.

Trocando em miúdos, não devemos lutar pela democracia porque há, de fato, argumentos objetivos, claros e precisos para defendê-las, mas sim porque, na OPINIÃO do lulista, ela deve ser preservada. Ele se esquece, porém, de que, ao contrário do que deixa subentendido, nem todos são seus fãs e muitos, aliás, preferem alternativas como a Aristocracia ou mesmo as Ditaduras. Cícero, em partes do seu "Da República", explica mais sobre os argumentos para preferir a primeira. Já sobre as segundas, é só ler qualquer coisa dos milhares de pró-Militares de 1964 que vêm surgindo Facebook afora.

Colocado isto, vamos, agora, a uma declaração sensata (mas que deve ser encarada com ceticismo, já que se trata de um esquerdista prosélito escrevendo) do lulista:

O saudável ímpeto antivertical tem como contrapartida a falta de direção unificada.
Ao não se delimitar com clareza o que cabia e o que não cabia nas manifestações, elas começaram a agregar um pouco de tudo, até mesmo ideologias opostas, como ficou claro na briga entre direita e esquerda que marcou a comemoração da vitória na av. Paulista anteontem.

Seguida de um show de bizarrices:

O segundo elemento singular é que nunca na história recente do país --e, talvez, nem na antiga-- camadas populares tenham se levantado em tal proporção. 

Como já dito antes, a maior parte dos brasileiros não se levantou e a maior parte dos revoltosos, se não todos, não vinham de classes mais baixas.

Se o estopim foi aceso pela classe média, o novo proletariado, forjado na década do lulismo, entrou nas avenidas, dando um colorido inédito às marchas reivindicatórias.

Como diria um grande amigo meu, chamar burguês criado a leite com pêra de proletariado é brincadeira.

Uma placa tectônica do país se mexeu, surpreendendo a todos os atores tradicionais.

Claro, uma placa chamada "juventude classe média", que deixou de defecar pela boca no Facebook sobre coisas básicas de Filosofia e Ciência Política para colocar essas defecações orais no papel, em palavras de ordem e em lemas ridículos como "O Brasil parou e nem é Carnaval! Olha que legal!" (saudades, rimas ricas)

O ápice das falácias singerianas-lulistas, porém, se dá aqui:

Iniciado pela esquerda, o processo ficou indeterminado quando se verificou que tal fração de classe pode ser fisgada pela direita, a partir de apelos contra a corrupção. A direita quer vender a ideia de que sanear o Estado (o que é necessário) e cortar funcionários resolveria as demandas por saúde, educação e segurança.

Primeira coisa, devo agradecer a Singer pois me deu a prova necessária para falar que, de fato, o movimento, de não-ideológico (que é o que se quis dizer com "apartidário"), não tinha nada. Aliás, nem preciso agradecer, pois essa constatação deveria ser óbvia a qualquer um que usasse mais que dois neurônios do cérebro. Desculpe então, Singer, mas suspendo meus agradecimentos.

Segundo, qual é o problema em se atrair pessoas para um espectro ideológico com apelos contra a corrupção? Aliás, um dos argumentos que mais vejo a esquerda usar contra a direita é justamente o fato de o sistema com estado mínimo (ou sem Estado) estar mais suscetível a corrupções do que o com Estado inchado. Seria, então, o argumento válido apenas para um dos lados?

Alguns poderiam objetar que o que Singer quis dizer é que esse tipo de argumento é populista. Para isto, respondo que, além de ele não ter escrito isso e ter deixado muito precariamente subentendido, o Populismo, com todo o seu apelo às massas, é uma ideologia da esquerda, já que dá todo poder ao Estado "em nome do povo". Eu diria, inclusive, que, do populismo ao politicamente correto, é só mudar "em nome do povo" para "por um mundo melhor". 

Isto, porém, não vem ao caso. Convém, então, terminar de refutar este monte de falácias:

Caberá à esquerda, que teve o mérito de começar a luta, ter a coragem de mostrar a cara e propor um programa que, sem deixar de ser republicano, aposte na ampliação do gasto público, de modo a construir o bem-estar que as massas exigem.

Apesar de não ter deixado isso explícito, o apelo do lulista é, de fato, aos sociais-democratas, já que tanto socialistas quanto comunistas, isso falando das mais destacadas correntes da esquerda, propõe um caminho para a ditadura do proletariado, apesar de uma pregar o Estado inchado (Socialismo) e a outra o fim do Estado, ou, melhor dizendo, sua completa mistura com o proletariado em si (Comunismo).

Com isto em mente, preciso fazer apenas algumas perguntas. A primeira delas é: Devemos, então, resolver um problema causado por uma social-democracia (o lulo-dilmismo) com um governo ainda mais social-democrático? Seria o mesmo que resolver uma crise causada pela ausência do Estado com mais ausência de Estado, ou então tentar solucionar um surto de racismo com a instauração de um governo hitlerista.

A segunda, proposta pelo próprio Constantino e bem mais relevante, é: Para aumentar o gasto público, precisaríamos, necessariamente, aumentar a arrecadação de impostos, que já  consomem pelo menos 30% da renda do trabalhador. Como fazer isso em um país que já está chegando a 40% do PIB só de impostos (o que é um quadro alarmante, já que mostra o quão dependente um país é dessa fonte de renda e quão pouco livre é seu mercado)?

Teria Singer, então, tendências sadomasô (pois ele mesmo teria de pagar mais imposto para isso e diminuir seu nível de vida)? Ou seriam essas suas palavras apenas mais um sintoma da genialidade de todos os que defendem o Lulismo?

Deixo a resposta ao leitor e me despeço por aqui. Se gostaram, mando-lhes meu forte abraço. Se não gostaram, dou-lhes um piparote e continuo postando do mesmo jeito. Até mais e um abraço, amigos leitores.

ADENDO: Ainda mais 20 centavos, agora com a participação do Senador Cristóvam Buarque

14º Podcast de Octavius: Ainda Mais 20 Centavos - O Senador (Buarque), O Cientista Político (Singer) e O Ataque à Lógica.

21 de jun de 2013

O Império Liberaloide ataca novamente: O "Doido" e a Argumentação do Hospício

Olá, meus amigos leitores, e este é mais um dos nossos papos.

Creio que o título soa familiar, não? Pois é,  este título é inspirado naquele mini-debate que tive com o pseudo-"pensador-livre"e neo-ateu enrustido Paulo Sérgio Duff em O começo do Liberalismo burro? - Duffinho ataca  e em O Império Liberaloide contra-ataca - Duffinho e Ateus de Areia. Após aquilo, pensei que nunca mais veria um texto anti-"conservadorismo" (mas que, curiosamente, sequer DEFINIU o que significaria o termo em questão) com um número tão grande de falácias, impropérios e bizarrices.

Eis, porém, que vejo meu amigo soteropolitano Pérsio Menezes comentando em um texto do "Polaco Doido", declaradamente um blogueiro de esquerda. Sinceramente, enquanto o Duff pelo menos se esforçou em provar o que afirmava mesmo que por sofismas de um nível primário, o tal Polaco nem se deu a esse trabalho e, do alto de sua maluquez (perdão, Raul Seixas, porque nem você aguentaria isso) e com 11 em cada 10 frases sendo apenas frases de efeito, construiu uma argumentação indigna até mesmo do Hospício, de onde ele nunca poderia ter saído, visto que não demonstrou o mínimo de sanidade mental ao longo daquilo que, muito forçadamente, podemos chamar de artigo.

Resolvi, então, responder a cada um de seus impropérios em um artigo, coisa que já fiz com o próprio Duff e com pessoas como o sociólogo Gilberto Felisberto Vasconcellos, da Caros Amigos, além de entidades como o site de esquerda, Pragmatismo Político (aqui e aqui). O texto do Polaco (link com a versão não-refutada) chama-se O movimento reacionário-conservador no Brasil é uma perigosa piada de mau gosto.

Vamos, então, aos trabalhos:



O movimento reacionário-conservador no Brasil é uma perigosa piada de mau gosto


De uns tempos pra cá tenho percebido nas redes sociais uma verdadeira explosão de páginas e movimentos em defesa dos ideais de direita, reacionários, conservadores, moralistas e, não poucas vezes, monarquistas e até teocráticos.

Até aqui, nenhum problema grave, a não ser o fato de o nosso Cícero do terceiro milênio já começar usando "moralistas", um termo pejorativo que já dá o tom de como será o resto do artigo. Pergunto também: O que seria um ideal teocrático? Pergunto isso porque não duvido de que este homem delegue ao status de "defesa da teocracia" toda e qualquer causa apoiada pelos religiosos, incluindo a maior criminalização do Aborto e a não-legalização do casamento homossexual, quando, na verdade, estas causas também podem ser apoiadas por ateus, agnósticos e outros por motivos totalmente diferentes.

Enfim, isso foi só o começo. Logo depois, o gagá-beleza (porque o maluco-beleza já está muito velho após mais ou menos 40 anos sendo cantado) mostra uma imagem em que constam os logos de diversas páginas de direita e conservadores, entre elas a Conservadorismo Brasil e a NO COMUNA, ou seja, pelo menos ilustrou as páginas de que falou. Logo em seguida, porém, começam as falácias e as aberrações:

Os responsáveis por estas páginas provavelmente nasceram depois do fim da ditadura militar brasileira, não devem fazer a menor ideia do que sejam termos como AI-5, censura prévia, repressão, golpe, ditadura. 

Aqui, há uma clara falsa correlação, pois não há relação nenhuma entre nascer após um período e não fazer a menor ideia dos termos usados nesses períodos. Se fosse assim, não entenderíamos nem conheceríamos a filosofia de Foucault, Sartre, Marx, Nietzsche, Descartes, Tomás de Aquino, Aristóteles e tantos outros, pois todos nascemos décadas, séculos e até milênios depois de eles filosofarem e de suas filosofias estarem "na moda".

Porém, o caso é que qualquer um, independente da idade, pode ler as obras desses filósofos e entender, por exemplo, o que Foucault queria dizer com Microfísica do Poder, o que Sartre falava em seu "O Existencialismo é um Humanismo", o que Marx entendia por Mais-Valia, o que Nietzsche considerava ser o Além-Homem, o que Descartes ponderou sobre o Sujeito, o que Aquino pregou e o que Aristóteles trouxe de novo para a Teoria Literária. Não é o fato de alguém ter nascido anos depois de um filósofo viver seu auge ou mesmo de ele ter escrito sua Filosofia que não lhe permite conhecer sua Filosofia. Aliás, é justamente o distanciamento histórico que facilita sua compreensão dessas filosofias. O que não permite o conhecimento é, na maior parte das vezes, o desinteresse. O mesmo ocorre com o Regime Militar, sobre o qual podemos encontrar muitas informações em diversas obras de História, coisa que, imagino eu, "os responsáveis" por estas páginas já fizeram. "Pena", porém, que eles foram além da bibliografia autorizada moralmente pela esquerda.

Mas, calma, leitor, o show de falsa correlação continua:

Devem, como este polaco doido e escrevedor, ter nascido em boa família, brancos de olhos azuis, formados em boas escolas particulares ou públicas e, é quase certo, nunca foram dormir com o estômago vazio e roncando por pura e simples necessidade, ou faltaram um dia de escola por não ter um calçado, um caderno, um lápis ou mesmo uns trocados para a passagem de ônibus.

Ou seja, desprolixizando o raciocínio do nosso amigo gagá-beleza, ninguém que tenha passado qualquer tipo de necessidade na vida é um capitalista, o que só seria verdade se não houvesse a possibilidade de uma pessoa, ao invés de querer o equilíbrio entre todos, querer, por razões pessoais e completamente legítimas, ascender socialmente pelas vias já existentes e sem revoluções ou confiscos de meios de produção.

Por enquanto, não veremos mais falsas correlações. Vem no lugar, no entanto, um verdadeiro show de falácias ad hominem (ao argumentador) e ataques pessoais, que começa a seguir:

Estes jovens conservadores reacionários abençoados pela boa sorte baseiam-se e replicam textos, postagens e idéias quase que exclusivamente de apenas dois personagens caricatos do conservadorismo brazuca.

Além de, como já demonstrado, o fato de eles supostamente serem "abençoados pela boa sorte" não ter relevância para se argumentar contra os "novos conservadores", gostaria de saber qual é o critério usado pelo gagá-beleza para definir quem é caricato ou não. Afinal, quase qualquer coisa pode ser caricata: um católico tradicionalista, um evangélico fanático, um neo-ateu de internet, um blogueiro de direita, um vlogueiro de esquerda ou até mesmo um cidadão comum. 

O grau de caricatura depende, na verdade, da visão do imitador, que pode variar por vários fatores, entre eles o próprio fator de posição ideológica. Afirmar, então, quem é ou deixa de ser caricato, além de irrelevante para a questão, é pura denúncia das posições ideológicas de que o argumentador gosta ou não.

Mas, enfim, vejamos quem são os caricatos. O primeiro deles é:

O dep. Federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), um ser que transpira sexismo, homofobia e saudades dos tempos da ditadura militar

De fato, Bolsonaro nunca esconde... suas saudades dos tempos da Ditadura Militar. Se isso é bom ou mau, não sei, mas a questão é que, em um mundo democrático e com liberdade de expressão, isso não é condenável (sim, a liberdade tem seus ônus). Agora, acusar alguém de "sexismo e homofobia" sem sequer definir esses termos e sem dar qualquer prova concreta disso pode, de fato, render um processo na justiça por calúnia e difamação, e, provavelmente, por danos morais e por assédio moral. Será, então, que, além de Doido, o Polaco é burro? Ou é só sadomasô?

Já o segundo é:

Olavo de Carvalho, um astrólogo frustrado que, do dia para a noite, resolveu autointitular-se professor de filosofia e, por não possuir um diploma de licenciatura, esconde-se nos estados Unidos de onde consegue cooptar seus seguidores e “alunos” sem correr o risco de ser enquadrado pela justiça brasileira por exercício ilegal de profissão e/ou estelionato.

Para começo de conversa, o fato de alguém ter ou não sido astrólogo antes de exercer outra profissão é irrelevante. Se fosse, e se fosse para o mal, teríamos, por exemplo, de jogar boa parte das filosofias grega e romana no lixo, visto que um monte daqueles filósofos também foram astrólogos ou apreciadores da astrologia. Teríamos, aliás, de descartar também o trabalho de Galileu, que era declaradamente um apreciador da Astrologia (O que pode ser constatado em "A Dança do Universo", do físico agnóstico Marcelo Gleiser).

Além disso, exercício ilegal de profissão (no caso, a de professor, pois "filósofo" não é profissão regulamentada) seria se ele fosse ensinar em uma escola pública sem o diploma, coisa que acontece em diversos lugares do Brasil, e só seria estelionato se ele dissesse aos alunos que poderiam trabalhar como professores de Filosofia nas escolas do MEC com isso ou se ele estivesse chantageando algum dos alunos a ingressar no tal Seminário de Filosofia. Dizem, aliás, é que ele rejeita os alunos que julga "muito burros". Agora, daí a ser estelionatário ou a exercer ilegalmente a profissão é um loooongo caminho.

O leitor mais atento conhece estes dois caricatos personagens do conservadorismo brasileiro e sabe que ambos abusam de um pensamento popularesco e simplista recheado de falácias filosóficas somente para agradar seus fiéis seguidores.

O leitor mais atento (e, no caso, menos mau-caráter) também sabe que afirmações categóricas, como a que o gagá-beleza acabou de fazer ao falar de falácias filosóficas mas sem sequer citar uma delas e sem sequer explicar porque são falácias, têm tanto valor quanto um grande pedaço de NADA.

Após isso, aparece uma foto de Olavo e Bolsonaro, os dois "gurus conservadores caricatos", e uma afirmação no mínimo curiosa:

São estes seguidores que semeiam estas idéias estapafúrdias que, volta e meia, vemos publicadas em nossas “time-lines” e murais, como, por exemplo: a campanha pela redução da maioridade penal; as mentiras sobre Lula e sua família, como a de que o ex-presidente é um dos bilionários listados pela revista Forbes, ou a mansão de Lulinha. E ainda, as campanhas para apresentar os ministros do STF como verdadeiros heróis da nação e lançar seus nomes como candidatos à presidência; os ataques a personalidades da esquerda, feministas, defensores dos direitos LGBT e comunistas, como no recente caso do falecimento do arquiteto Oscar Niemeyer.

Novamente, o que o Cícero (trêbado) do terceiro milênio faz é só jogar mais e mais frases de efeito sem sequer explicar porque estas ideias expressas seriam estapafúrdias. Sem entrar em polêmicas como a de Lula e da Maioridade Penal, vamos a um ponto interessante: Qual seria o problema em atacar personalidades de esquerda, do Feminismo, da militância LGBT e "comunista" (e comunista é o que, se não é esquerda?)? Por que é esse ataque o esdrúxulo e não as ideias que esses setores expressam? Vale, então, todo tipo de desonestidade intelectual e truque retórico barato para defender o lado "por um mundo melhor"?

É, o nível de insanidade está aumentando, e ele tende a aumentar mais:

É evidente que todas estas falsas verdades semeadas pelas redes sociais são facilmente refutadas por qualquer estudante secundarista, mas este “movimento conservador e reacionário” apesar de parecer inofensivo tem um grande poder de infiltração dentro das redes sociais.

Aqui, não sei se é insanidade ou cara de pau pura, mas o Polaco Doido chega a um nível alarmante: segundo ele, um estudante secundarista, com base em uma cartilha feita por um ministério da educação dominado pela esquerda, é capaz de, sem qualquer fonte acadêmica minimamente séria, fazer uma refutação séria a falsas verdades que, na verdade, são motivos de debate até os dias atuais. Os "ideais reacionários" só seriam falsas verdades se já tivessem sido refutados, mas existe uma grande diferença entre calar um setor por diversos tipos de coerções e apelações e refutá-lo completamente, sendo que o que ocorreu foi aquilo, não isto.

Adiante, o gagá-beleza escreve:

São doses cavalares dos ideais reacionários ministrados homeopaticamente diuturnamente a todos os membros das redes sociais, é tanto bombardeio de informações falaciosas que inevitavelmente estas idéias, cedo ou tarde, serão semeadas no subconsciente até dos mais engajados.

Isso porque, é óbvio, os engajados com certeza passam 24 horas por dia no Facebook e, se passarem, só lerão textos reaças e ficarão inertes e sem resposta. Ah é, é mesmo, é por isso que alunos do MEC vêm passando desde a década de 90, com a diferença de serem "só" 6 horas por dia de doutrinação barata. Não, Polaco, não colou.

E vai colar menos ainda quando ele fala sobre a "ofensividade dessas ideias".


Mas não são idéias tão absurdas e inofensivas?

Sim, são idéias absurdas e inofensivas, mas não podemos esquecer que vivemos um momento bastante delicado da democracia brasileira

Como não se demonstrou porque essas ideias são absurdas, posso rejeitar o que vier a seguir, o que inclui este parágrafo cheio de mais acusações sem provas:

Vivemos tempos em que nosso Superior Tribunal de Justiça, a uns condena sem provas ao mesmo tempo em que absolve outros criminosos confessos. O mesmo STF que distribui penas com base exclusivamente na filiação partidária dos condenados pelo “Domínio de Fato” baseando-se unicamente no poder de influência midiática destes condenados. O mesmo STF que passa por cima da constituição quando pretende cassar mandatos legislativos, quando esta é uma prerrogativa exclusiva do próprio poder legislativo. E até do próprio poder legislativo que depois de uma investigação que comprovou o envolvimento de políticos e “empresários” do jogo em atividades ilícitas decidiu absolver todos e esconder a sujeira de baixo dos tapetes do congresso.
Estes fatos são nada mais que simples indícios de golpe institucional em pleno andamento.

Porém, além desse monte de acusações, temos mais esquizofrenia, ou, melhor dizendo, "gagazice" por aí:

E nem é preciso forçar muito a memória para lembrar as aulas de história de que nos anos 20-30 do século XX, foram os mesmos golpes que propiciaram a ascensão de movimentos como o Franquismo na Espanha, o Fascismo de Benito Mussolini na Itália e do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães. Todos eles, movimentos conservadores e reacionários e, até a véspera do dia em que assumiram o controle de suas respectivas nações, considerados pela imensa maioria dos intelectuais como movimentos absurdos e inofensivos, formado por loucos extremistas que nunca teriam chances reais de assumir qualquer posição relevante no poder.

Fora as inadequações históricas, já que o louco Hitler já tinha assumido o poder antes do Golpe do Partido NACIONAL-SOCIALISTA e que o mesmo ocorrera com o louco Mussolini alguns anos antes, gostaria de saber como movimentos que DERRUBARAM governos e, portanto, MUDARAM radicalmente o panorama desses países, poderiam ser conservadores, e como seriam reacionários, visto que o Fascismo era algo totalmente "inovador" na época, e nunca tinha sido experimentado antes? Além disso, para onde foram as argumentações sobre as ideias "teocráticas", "moralistas", "monarquistas" e "direitistas"? Será que Polaco foi minimamente honesto e reconheceu que de teocrático e de direitista o Estado inchado e anticristão nazista nada tinha? Ou será que a loucura também traz esquecimentos e lapsos de memória momentâneos?

Mas, calma, leitor, ainda vem uma última incoerência histórica:

Mas bastou que estes movimentos semeassem idéias simplistas e populistas de conteúdo extremista, obtivessem o financiamento de máfias econômicas e religiosas para que, no primeiro descuido dos poderes legalmente constituídos, assumissem o controle de suas nações para, por fim, levar todo o continente europeu a maior guerra e genocídio que se tem conhecimento na história da humanidade.

Não contesto o fato de a segunda maior guerra da História ter sido a Segunda Grande Guerra, mas, francamente, sobre genocídios, Maoísmo, Stalinismo e todos os outros "ísmos" derivados do Comunismo não te lembram nada, gagá-beleza?

Ah, lembrou sim, lembrou de dar um último aviso:

E se não tomarmos o devido cuidado, a América Latina corre o sério risco de seguir pelo mesmo caminho.

Isso porque, é óbvio, os conservadores de hoje propõem matança em massa de negros, gays, ateus e outras minorias, além de proporem o Estado inchado, a censura e a corporativização dos meios de produção, coisas que, curiosamente, são típicas do outro lado.

Esse foi, enfim, o monte de besteiras completo. Devo dizer ao amigo leitor que, se falar que estou surpreso, estarei mentindo, pois nada mais que venha do Império Liberaloide poderá me surpreender. O que, confesso, quase me surpreende é o fato de ainda existirem pessoas que deem trela para esse tipo de sofista miserável que usa esses argumentos que, se não vêm da pura desonestidade intelectual, só podem vir do hospício.

Bom, é isso. Se o gagá-beleza quiser responder, o faça. Se não, é indiferente. Agradeço, porém, do mesmo jeito, aos leitores que tiveram a paciência de ler isto até o fim, e mando-lhes meu forte abraço.

Ah, em tempo, aqui vão meus 20 centavos sobre a "Revolução dos 20 Centavos". Aproveitem:

18 de jun de 2013

Falácias: Falso Escocês (Ou: Ghiraldelli gonna Ghiraldellar 2: Como usar a Filosofia para detonar uma causa)

Olá, amigos leitores, e este é o post com a segunda das falácias, sendo que o primeiro foi sobre o Contraponto entre Maior Relevância e Menor Relevância e que, como dito neste post, tomo como falácias "todo tipo de argumento enganoso, o típico argumento que, para uma visão menos atenta e apenas estrutural, parece estar correto, mas que tem alguma falha lógica ou semântica em sua constituição ou em sua conclusão." (OCTAVIUS, 2013).

Vamos, então, aos trabalhos. Desta vez, falo da famosa Falácia do Falso Escocês (ou do Escocês de Verdade, como usado por muitos, entre eles o meu amigo Clarion de Laffalot, já citado no primeiro post). Basicamente, esta falácia é usada para defender grupos ou para excluir pessoas das quais se discorda do próprio grupo dizendo que estas "são falsos x" ou "não são x de verdade".


Se me disserem que a explicação é muito abstrata, só posso dizer: FATO. Aliás, mesmo se eu desse o exemplo tradicional, que é aquele de "Ah, eu vi um escocês que fazia X" x "Ah, mas escocês de verdade não faz x, faz y", a explicação não deixaria de ser abstrata e pouco clara. 


Quero, então, usar como primeiro exemplo de falácia um dos vídeos mais recentes do filósofo Paulo Ghiraldelli Jr. sobre a famosa "Primavera Paulistana", aquela mesma que teve como estopim o tal Movimento Passe Livre. Neste vídeo, o filósofo rortyano (que baseia seu pensamento em Richard Rorty, o pragmático), já de cara, afirma que:

FALÁCIA I: "Nenhum filósofo que honra a Filosofia pode condenar as manifestações da Primavera Paulistana e das Primaveras que estão ocorrendo em todas as capitais"

Basicamente, Ghiraldelli parte da premissa de que só quem não condena essas manifestações é um FILÓSOFO DE VERDADE. O problema é que, talvez intencionalmente, o ilustre professor da UFRRJ se esquece de que, além de a Filosofia ter diversas facetas, o que tornaria sua alegação ainda mais arbitrária e precipitada do ponto de vista da lógica, muitos dos grandes filósofos inclusive da Modernidade e da Pós-Modernidade, incluindo o antiteísta Nietzsche, mostravam um grande desprezo ante o que hoje chamamos "Democracia", pois a achavam um sistema fraco e/ou falho. O próprio Nietzsche, inclusive, ficou marcado na história da Filosofia também por ser um dos principais pensadores a atacar o sistema democrático. Ele, aliás, e todos os outros pensadores menos famosos que defendiam alternativas como as Ditaduras e as Aristocracias. E, acredite em mim se quiser (se não, pesquise por si mesmo e descobrirá com facilidade), amigo leitor, de pequenos esses filósofos não tinham NADA.

Agora, pode ser que eu esteja definindo Filosofia de um modo errado, afinal, não sou Doutor em Filosofia (aliás, nem graduado sou). Opa, mas, espere um pouco, isso seria um argumento de apelo à autoridade (sobre o qual falarei posteriormente). Pode ser, então, que, de fato, o filósofo de São Paulo tenha se precipitado ao usar essa falácia e reduzir toda a Filosofia apenas àquilo com que ele próprio simpatiza.


De qualquer jeito, este primeiro exemplo, creio eu, já deixa clara a formulação desta falácia e explica o que eu disse mais acima. Há, porém, mais pontos a serem aproveitados do discurso de Ghiraldelli. Vamos, então, a um segundo exemplo, dito logo após o primeiro:

FALÁCIA II: "Aliás, nenhum filósofo que é autenticamente filósofo pode deixar de participar desses protestos."

Aqui, temos um exemplo perfeito da fórmula do Falso Escocês. Afinal, se trocarmos algumas palavras, temos:


"Aliás, nenhum filósofo DE VERDADE (A) pode deixar de participar desses protestos (B)"

Trocando em miúdos, e considerando que o objetivo desses protestos é a mudança de algo (não é minha pretensão discuti-los aqui. Aliás, sequer quero discutir este assunto no blog), o que Ghiraldelli faz é atrelar A, ser "filósofo de verdade", a B, participar da mudança, dos protestos. Curiosamente, apesar de o filósofo da educação rebater com certa constância as acusações de que é marxista, o que ele faz nesse trecho é não só acatar a opinião de Marx sobre qual deve ser o papel de um filósofo, mas também reduzir toda a Filosofia, toda uma disciplina, uma área do pensamento, uma ferramenta humana de investigação do mundo e dos fatos a uma forma de mudança do mundo. Afinal, não custa lembrar que, em uma das partes do Manifesto Comunista (se bem me lembro, pois o li há mais de um ano e não tenho o livro comigo), Marx diz algo como: "Os filósofos, até hoje, só analisaram o mundo. Está na hora de mudá-lo".

Enfim, de qualquer forma, e sem entrar no mérito ideológico da questão, mesmo que eu fizesse um artigo apoiando a causa de Ghiraldelli e outros, não teria como deixar passar essas falácias do começo de seu discurso e que me foram úteis para exemplificar perfeitamente e com muita atualidade o Falso Escocês. Deixo, porém, outros exemplos interessantes desse tipo de argumentação abaixo:

FALÁCIA III: "Corinthiano falso fica vendo o jogo pela televisão. Corinthiano de verdade vai é pro estádio torcer" (Ou seja, não importa se o estádio tem limite de público ou se a pessoa não tem como, por exemplo, sair do interior de São Paulo para ir ao Pernambuco: se não vai ao Estádio, não é Corinthiano de verdade. Veem o erro aqui, leitores?)


FALÁCIA IV: "Stalin não matou em nome do Ateísmo, pois ateu de verdade não mata" (Como diria Felipe Buarque, "Ateu de verdade não acredita em Deus, porra". Ou, como eu diria, bons selvagens não existem, logo qualquer um pode cometer atos ruins, incluindo ateus).

FALÁCIA V: "Gay de verdade apoia Jean Wyllys, Casamento Gay e Adoção" (Preciso falar algo, amigo leitor? Ah, é, preciso, pois muita gente cai nisso: Gay, meus amigos, é todo aquele (ou até aquela) que sente atração por pessoas do mesmo sexo. Não tem nada de ideológico nisso. Gays, assim como héteros, têm posições diferentes em política, religião, costumes e o que mais for. Qualquer coisa diferente disso é tentativa tosca de ideologizar um grupo, pois coesão social e grupal é outra coisa).


Enfim, eram esses os exemplos, amigos leitores. Por fim, quero deixar ao filósofo Paulo Ghiraldelli uma pergunta: Se, como o senhor disse em sua entrevista para o genial Antônio Abujamra (aqui, aqui e aqui), um filósofo deveria provocar as pessoas, por que ele não poderia ir contra esse tipo de manifestação? Existe, então, só uma forma de provocar? PROVOCAÇÃO DE VERDADE é só aquilo que vai a favor das causas que o senhor defende?

Bom, espero que Ghiraldelli não se ofenda, que veja o texto e que responda seja por comentários, seja com outro texto. Aliás, o "OU" que ali coloquei é minha homenagem e minha continuação a um post do Arthur Rizzi Ribeiro, meu amigo pedagogo, sobre outro vídeo do filósofo rortyano. Não sei se este chegou a ler o texto, mas, se não o leu, é uma ótima chance de fazê-lo.

Enfim, é isso, espero que os amigos tenham gostado do meu post. Peço-lhes que continuem lendo meu blog e me dando a audiência de sempre, mesmo em tempos de manifestações, e mando o meu forte abraço para vocês.

ADENDO: Coloco aqui os meus mais novos podcasts e um pequeno áudio de 40 segundos com uma mini-bronca em Ghiraldelli.

Sobre filósofo Paulo Ghiraldelli Jr.
10º Podcast de Octavius: Provocações
11º Podcast de Octavius: Progressismo

15 de jun de 2013

Falácias: Maior Relevância X Menor Relevância

Olá, amigos leitores, e, depois de alguns dias, voltamos a bater um daqueles nossos bons papos de sempre.

Hoje, resolvi começar a falar de falácias, como havia prometido há muitos e muitos meses. No caso, a primeira falácia escolhida, a do Contraponto entre Maior Relevância e Menor Relevância (não sei o nome formal dessa falácia, ajudem-me, amigos da retórica, rsrsrs), o foi por dois motivos. O primeiro deles é que vejo quase diariamente posts do Facebook com esse tipo de contraponto, o que me faria ter uma abundância de exemplos para colocar, e o outro é o fato de um dos meus próximos textos conter referência explícita a essa falácia, o que me faz aproveitar a oportunidade e já falar sobre esta de uma vez por todas.

Poderia dizer, também, que o que me motiva a comentar sobre esta falácia, classificada pelo amigo Clarion de Laffalot como o pior argumento de todos e fonte de problemas para o também amigo Pirula em seus dois vídeos sobre os argumentos que os "ateus" não deveriam mais usar, é exatamente o fato de elas, apesar de serem um dos truques retóricos mais baratos do mundo, serem usadas com uma frequência assustadora, também porque, para refutá-las diante da plateia, não basta apenas dizer que "Isso é falácia do contraponto entre maior relevância e menor relevância", é preciso também mostrar, assim como acontece com as outras falácias (só que estas precisam de bem menos explicações, e verão isso nos outros posts), porque o argumento está errado, o que, nesse caso, demanda certo esforço mental e uma quantidade razoável de tempo.

Mas, enfim, a questão é que, antes de explicar qualquer coisa sobre uma falácia, devo clarificar o que o termo "falácia" em si significa. Sendo bem sucinto, falácia é todo tipo de argumento enganoso, o típico argumento que, para uma visão menos atenta e apenas estrutural, parece estar correto, mas que tem alguma falha lógica ou semântica em sua constituição ou em sua conclusão.

Vejamos, por exemplo, a já citada Falácia do Contraponto entre Maior Relevância e Menor Relevância. Esse pseudo-argumento consiste em contrapor duas situações, rotular uma como mais relevante e afirmar que não se deve pensar sobre (ou agir em favor da, dependendo do caso) outra.

Ficou um tanto vago, certo, amigo leitor? Então, está na hora dos exemplos. O primeiro deles, e mais tradicionalmente usado por quem vai explicar essa falácia, é o de mandar o homem a outros planetas enquanto milhares de pessoas, especialmente na África, estão passando fome.. Sua formulação é mais ou menos essa:

FALÁCIA I: "Vocês ficam aí se vangloriando de termos mandado o homem à Lua, mas tantas pessoas morrem de fome na África todos os dias!"

Entenderam agora, leitores? Nesse primeiro discurso, fica implícito que, enquanto não se resolver o problema da fome na África e no resto do mundo (a situação "mais importante"), não se deve ter orgulho das novas fronteiras tecnológicas ou espaciais que o homem desbrava (o "menos importante"). Não digo, é óbvio, que não é importante que combatamos a fome em qualquer lugar do mundo que seja. A questão é que, para refutar esse argumento, basta mostrar que:

1- Mesmo quando o homem não foi à Lua, havia fome na África.
2- O homem ir ou não à Lua não vai mudar a situação na África.

Há, porém, outras falácias desse tipo que são bem mais difíceis de detectar. Um segundo discurso, por incrível que pareça bem mais famoso no Brasil e bem mais usado do que o discurso pró-África (que está mais para pró-hipocrisia, visto que, muitas vezes, a África é mera ferramenta retórica de demagogos da pior espécie), é o seguinte:

FALÁCIA II: "Aiiii, que povo ignorante esse povo brasileiro, meu Deus! Aguentam esses governantes que, ao invés de investirem na educação/saúde/segurança, gastam dinheiro em estádios para um evento tão inútil quanto a tal da Copa do Mundo. EDUCAÇÃO JÁ!"

Além de uma conclusão muito antecipada sobre uma situação, já que existe a possibilidade de o brasileiro tolerar esse tipo de coisa por outras razões quaisquer, esse discurso contém a falácia já citada quando diz que, ao invés de gastar dinheiro com estádios (o "menos importante"), o governo deveria gastar com educação (o "mais importante").

Para refutar isso, basta esclarecer que não existe qualquer relação entre construir estádios para a Copa e não investir em educação, visto que, além de qualquer país signatário da Declaração dos Direitos Humanos ter a obrigação de oferecer educação-pública-e-de-qualidade (o que quer que isso signifique) e, portanto, ter de investir na educação de qualquer forma, a verba reservada para eventos esportivos não é retirada da verba para a educação nem para saúde ou segurança, pois estas já são delimitadas quando um governo faz seu orçamento anual e determina, com isso, quanto vai gastar em cada coisa.

Alguns poderiam tentar refutar isso com o prefeito ou governador, não me lembro, que quis tirar verba da educação da cidade para investir nas obras da Copa. O detalhe, aqui, é que, no caso, a Copa continua não sendo culpada, pois a culpa é da falta de vergonha na cara do governante, a não ser que, de fato, a situação educacional da cidade seja tão boa que se possa tirar do investimento anual em educação para pôr em obras da Copa (coisa a que sou profundamente cético em se tratando de Brasil).

Mesmo assim, os investimentos na Copa continuam não sendo os responsáveis pelos problemas da educação. Nada garante, também, que apenas fazer jorrar mais e mais dinheiro no atual sistema solucione alguma coisa, que é outro erro desse discurso (mas disso eu falo em um texto próximo).

Por fim, aqui vão mais alguns exemplos desse tipo de falácia para que o leitor as possa detectar com ainda maior facilidade:

FALÁCIA III: "Ora, mas é um absurdo se pensar em lei contra a Cristofobia ou contra a Heterofobia quando estão acontecendo tantos casos de Homofobia no Brasil!" (Como se o "mais importante", combate à Homofobia, fosse cair por terra caso se fizesse o "menos importante", no caso, uma lei preventiva contra a possível Heterofobia ou a Cristofobia, esta cada vez mais próxima de ocorrer, de certo modo)

FALÁCIA IV: "Crentelho, não adianta rezar enquanto o país continuar indo de mau a pior" (Como se rezar, o "menos importante", inviabilizasse "a luta por um país melhor" (o que quer que isso signifique), que é o "mais importante")

FALÁCIA V: "É um absurdo pensar em cirurgia de mudança de sexo quando outras cirurgias mais importantes são proibidas pelo Ministério da Saúde" (Obviamente, não há necessidade de não se ter a tal cirurgia enquanto outras não forem permitidas. Uma coisa em nada inviabiliza a outra. Novamente, caímos na questão da incompetência e da negligência do governo ante seus cidadãos.)*

*PS: Antes que me falem, não estou dizendo que não se deve discutir essa questão da cirurgia de mudança de sexo (ou gênero, como preferirem). O que estou dizendo é que usar esse argumento em questão é desonestidade intelectual. Fim.

FALÁCIA VI (Citada no post "Antis" e Depois): "Enquanto os políticos estão nos roubando, vocês ficam aí discutindo sobre futebol!" (Preciso falar algo?)


Bom, era isso que eu tinha para falar hoje. Espero que tenham gostado, agradeço pela audiência e pelo prestígio que sempre dão a este blog, e mando-lhes meu forte abraço de sempre! E atenção às falácias, amigos leitores!

4 de jun de 2013

Mudanças de Centésimo Grau

Olá, amigos leitores, e, como o título pode denunciar, este é o 100º post deste blog, que está na internet há quase 2,5 anos. Antes de tudo, eu gostaria de agradecer-lhes por todas as visualizações e críticas que me mandaram, especialmente às de um amigo, Rafael, que me fizeram repensar um pouco sobre a minha maneira de pôr as ideias neste blog. Confesso que não sei se esse aspecto melhorou muito, mas é exatamente por isso que continuou a contar com as críticas de todos vocês.

Também confesso que não esperava que o meu blog fosse durar tanto tempo. Quando comecei, o fiz com aquele sistema de posts apenas em dias terminados em 1, e pensei em fechar o blog quando não tivesse mais inspiração ou textos prontos. Felizmente (ou infelizmente), reconsiderei essa posição e consegui chegar a 100 posts de blog, com alguns sucessos inesperados (como o do meu primeiro post, Tese sobre o Bullying), outros planejados (como em Halloween, Saci e Anti-Americanismo) e alguns fracassos inesperados, como em Hipocrisias Ambientais parte 1, "série" esta que nunca continuei.

Entretanto, não venho aqui para fazer o balanço de 100 posts, pois isto nos tomaria muito tempo. O que venho fazer aqui (e mais uma vez meu título me denuncia) é avisá-los sobre algumas mudanças que pretendo implementar no blog a partir de 4 de Fevereiro de 2014, que é o dia em que este blog fará 3 anos.

A primeira, mas talvez menos importante, é que alguns dos meus posts ganharão também uma versão em áudio. Explico: Aproveitando-me do fato de ter adquirido um microfone para PC e sabendo que um grande problema dos meus posts é estes serem, por vezes, longos demais, decidi gravar alguns em podcast, para que o leitor que for menos leitor possa ter acesso a eles como ouvinte.

Com isso, e para evitar que eu não saiba quantas vezes cada post meu foi lido, esses textos também gravados terão o famoso "Leia Mais". Ou seja, para ler um post na íntegra e ter acesso ao áudio, será preciso clicar no próprio post, não sendo mais possível, portanto, lê-los direto no blog.

Peço, porém, alguma paciência dos meus leitores para com meus áudios, pois ainda sou novato nisso, tendo gravado apenas 3 podcast amadores (deixo o link no fim do post), o que significa que ainda preciso de prática nisto.

Mas isso não é tudo. Além do podcast, anuncio outras duas mudanças.

A primeira delas é que, no dia do 3º Aniversário do blog, morrerá "O Homem e a Crítica" e, por consequência, o famoso adtantumargumentandum.blogspot.com.br. Isso se dará porque mudarei de servidor, passando do velho e pouco funcional Blogger (e percebi isto quando quis implementar algo inovador após o segundo aniversário do blog) ao também velho, mas mais funcional, WordPress.

O leitor, então, pode me perguntar: "Ora, mas por que acabar com 'O Homem e a Crítica'? Meu velho, é só você colocar o mesmo endereço e o mesmo nome no WordPress. Não precisa acabar com a magia do blog."

O detalhe, amigo leitor, é que, mesmo depois de dois anos, ainda recebo vossas reclamações sobre a vagueza do nome do blog e sobre o quão difícil é o endereço supracitado. Decidi, então, aproveitar o ensejo e já mudar nome e endereço ao mudar de plataforma.

Acontece que, desta vez, decidi fazer algo diferente. Ao invés de eu mesmo criar, aleatoriamente, outro nome vago e outro endereço difícil, quero deixar essa tarefa aos meus amigos leitores. Sim, leitor, é a sua vez. Que nome você deseja para o novo blog? E que endereço da web vamos pôr? Acha que os dois devem ser iguais? Mandem suas sugestões, e eu as ouvirei. As únicas que não serão contadas serão derivações do atual nome do blog, pois isso seria troca de 6 por meia dúzia, e as que tiverem algum tipo de obscenidade, por razões óbvias.

Enfim, voltando às novidades, a segunda será que, quando o novo blog começar, teremos, desde o começo, o sistema de tags, ou seja, todos os posts serão divididos em assuntos, o que significa que é muito provável que eu reposte algum post de "O Homem e a Crítica" lá para criar a tag correspondente  a algum assunto que for abordar futuramente. Haverá, também, um espaço só para os podcasts, visto que não os farei apenas em função do blog, mas também quando tiver inspiração ou vontade.

Bom, é isso. Espero suas sugestões para o novo blog, ainda sem nome nem endereço, só com plataforma definida, agradeço-lhes mais uma vez pelo apoio que me foi dado, peço desculpas caso o texto tenha ficado um tanto desconexo em certas partes e mando-lhes meu forte abraço.

Sugestões (que vão ser postas em uma enquete depois para os leitores escolherem):

1- Nome do blog: Tartaruga Democrática
    Endereço: tartaruganinja.wordpress.com

2- Nome do blog: Filodoxia e Filologia
    Endereço: filodoxiaefilologia.wordpress.com

3- Nome do blog: Memórias de um Troll
    Endereço: memoriasdeumtroll.wordpress.com

4- Nome do blog: Apoliticamente Incorreto
    Endereço: apoliticamenteincorreto.wordpress.com

5- Nome do blog: A Filodoxia da Vida
    Endereço: www.afilodoxiadavida.wordpress.com

6- Nome do blog: Memórias Zoeiras
    Endereço: www.memoriaszoeiras.wordpress.com

7- Nome do blog: Octagon (Octa + Agon)
    Endereço: www.octagon.wordpress.com

Links: