1 de dez de 2012

Sociedade Esportiva Palmeiras 2012: A volta do que era para ser

Boa noite, digníssimos leitores. Como andam as coisas?

Hoje, quase uma semana após meu último post, volto a postar para vocês. Já pelo título, vocês perceberam que o tema será radicalmente diferente dos temas que costumo abordar aqui. Afinal, todos sabemos que eu nunca falei palavra que fosse sobre esporte neste blog, quanto mais sobre futebol. A circunstância, porém, demanda que eu faça isso.

Para os que não sabem, hoje, 1 de Dezembro de 2012, foi o último jogo daquele que o meu time de coração, o Corinthians, tem como rival. Para quem gosta de futebol, nem preciso falar que estou falando do Palmeiras. Há, obviamente, uma grande rivalidade também com os outros grandes de São Paulo, o São Paulo FC e o Santos, mas acho que todos os corinthianos do bando de loucos concordam comigo que não existe sensação igual àquela de quando enfrentamos a Sociedade Esportiva Palmeiras. É uma questão de rivalidade histórica  que alguém que odeia (ou que não gosta de) futebol dificilmente poderá entender, assim como não entende qual é o sentimento que nos leva aos estádios ou até mesmo a ligar a televisão só para ver "22 caras correndo atrás de uma bola".

 Isso, porém, eu abordo em outra ocasião, pois vim aqui para falar um pouco sobre o time do Palmeiras em 2012. Antes de tudo, quero avisar que, ao contrário do que outros fizeram no Facebook, não vou tripudiar sobre a queda da Sociedade Esportiva com este post. Para alguém mais fanático, minha atitude seria de um corinthiano "falso", que não é "corinthiano de verdade".

Por isso, primeiro, vou dar a explicação que acho que devo sobre o porquê de eu não tripudiar isso. Para os que não sabem, não sou corinthiano de nascimento. Curiosamente, não fosse o Palmeiras, time para o qual torcia até os 5 anos de idade, eu sequer seria corinthiano.

Vou explicar melhor: até o 5 anos de idade, por influência de meu pai, o homem e torcedor que sem dúvida mais admiro (e em quem mais me espelho), eu torcia para o Palmeiras. Porém, aconteceu que, naquele ano (1999), Corinthians e Palmeiras se enfrentaram duas vezes por uma competição que acabamos de ganhar: a Copa Libertadores. Naquela ocasião, o Corinthians foi eliminado nos pênaltis pelo arquirrival. Curiosamente, no dia seguinte, tornei-me corinthiano não para ser do contra (como alguém mais conservador pode pensar), mas porque o Globo Esporte daquele dia passou, por alguns segundos, imagens da torcida corinthiana chorando com a eliminação. Aconteceu que, não sei porque, fiquei comovido com aquilo e decidir me juntar àquela torcida.

 Desde lá, são quase 14 anos como corinthiano. Isso significa que, se o Palmeiras não tivesse nos eliminado naquela ocasião, eu talvez sequer estaria falando em nós, pois não teria razão para ser corinthiano. Por isso, e, novamente, pelo fato de o meu pai ser palmeirense e ser um torcedor exemplar em todos os sentidos, não sinto outra coisa pelo Palmeiras a não ser gratidão. Fora isso, eu diria que o meu tempo de palmeirense me deixou uma "sequela", pois, ironicamente, minha cor predileta é o verde até hoje (o que, para um corinthiano, é muito irônico).

Esse já seria um motivo para eu não tripudiar sobre a queda palmeirense. No entanto, há dois outros que são bem mais fortes, sendo um mais compreensível para os corinthianos: a empatia. Como todos sabemos, o Corinthians caiu 5 anos depois da primeira queda do Palmeiras (2002). Foi aí  que eu entendi o sentimento de um torcedor cujo time estava rebaixado, e foi aí que eu entendi o que é ser torcedor e o que se sofre com um rebaixamento. Por este motivo em especial, eu me recuso a seguir a manada que zoa os palmeirenses.

O segundo motivo é bem mais futebolístico. É lamentável dizer isso, mas o futebol paulista perde muito com a queda do Palmeiras. Perdemos, para a série A do Brasileirão do ano que vem, o maior campeão de títulos nacionais e um campeão de Libertadores para disputar contra os outros estados fortes (por exemplo, o Rio de Janeiro). Para os corinthianos, a perda é muito maior, pois o superclássico Corinthians e Palmeiras só será certo em uma ocasião, que é o jogo pelo Paulistão 2013, o que é algo sinceramente triste.

Ainda assim, a perda maior não é imediata, mas pode ocorrer durante os próximos anos. É fato que os rendimentos do Palmeiras já não são suficientes para contratar bons jogadores até mesmo se estivesse na série A. Com a queda para a Série B, o time, que já andava vivendo de apostas, terá de apostar ainda mais em jogadores desconhecidos ou menos famosos, assim como fez o Corinthians em 2008. O detalhe é que, na época que caímos, a Série B era bem menos complicada. Não tivemos de enfrentar Paraná, Atlético-GO e outros times já experientes e sedentos por Série A que o Palmeiras terá pela frente em 2013. Isso significa que, para nós, apesar de tudo, fazer apostas era bem menos arriscado. Fora isso, sabemos que grande parte desse movimento corinthiano pela volta se deu por incentivos do nosso marketing. Fica aí a pergunta: Será que o marketing do Palmeiras conseguirá algo parecido?

Com isso, já me justifiquei longamente sobre o porquê de eu não gostar desse rebaixamento do nosso arquirrival. Mas, não era sobre isso que eu tinha vindo falar aqui. Quero, na verdade, dizer algo que vai surpreender muita gente, especialmente palmeirenses. Outros, entretanto, vão concordar comigo já de cara. Quero dizer que, na realidade, o Palmeiras de 2012 não só não tinha time para cair como era um dos melhores elencos brasileiros desta temporada.

Um leitor que aprecie o futebol tende a discordar de mim e até a ficar cético quanto ao que eu disser daqui pra frente, pois é fato que os resultados que o Palmeiras obteve neste Brasileirão não são os de um dos melhores elencos da temporada. Ainda assim, quem conhece um pouco de futebol sabe que bom elenco não significa necessariamente bons resultados. Para não ocupar muito espaço aqui e sair do foco, coloco no final alguns exemplos disso de épocas anteriores.

Bom, para provar meu ponto de vista, vou fazer aqui um "quadro" com todos os jogadores que o Palmeiras teve à disposição ao longo deste ano. Não vou listar, no entanto, aqueles que jogaram apenas um jogo desimportante, como alguns dos juniores que foram elevados a profissionais nos dois últimos jogos. Enfim, o elenco que o Palmeiras teve em 2012 foi esse:

Goleiros - Bruno e Deola
Zagueiros - Henrique, Thiago Heleno, Maurício Ramos, Leandro Amaro e Adalberto Román
Laterais - Direitos - Artur e Côrrea/Márcio Araújo ("Improvisados")
Laterais - Esquerdos - Juninho, Fernandinho (foi usado como meia em dois ou três jogos) e Leandro
Volantes - Côrrea, Marcos Assunção, Wesley (foi usado como meia depois, mas vou colocar na posição original), Márcio Araújo, João Vitor  e João Denoni
Meias - Valdívia, Daniel Carvalho, Tiago Real, Patrick Vieira
Meias-atacantes - Luan e Mazinho (foram usados em ambas as posições)
Atacantes - Barcos, Obina, Maikon Leite e Betinho

Vendo esses jogadores, podemos perceber que se trata de um elenco bem melhor que o de outros times, como Portuguesa, Náutico, Ponte Preta, Flamengo, os times rebaixados, Sport, Bahia e até mesmo que os elencos de Vasco, Cruzeiro e Santos. Se tentarmos montar o melhor time possível dentro desse elenco, teríamos um time que, sem dúvida, poderia ter disputado inclusive o título, pois temos jogadores como Henrique (ex-Barcelona), Thiago Heleno (zagueiro revelação habilidoso), três laterais-esquerdos de bom nível, três  excelentes batedores de falta (Marcos Assunção, Côrrea e Daniel Carvalho), um volante muito versátil e habilidoso (Wesley), 4 meias de alto nível, sendo um uma ótima relevação (Patrick Vieira), dois centroavantes de renome (Barcos e Obina) e três jogadores raçudos e habilidosos (Luan, Maikon Leite e Mazinho). Com isso, poderíamos montar a seguinte combinação:

Bruno
Artur
Henrique
Thiago Heleno
Juninho/ Fernandinho / Leandro
Côrrea
Marcos Assunção
Daniel Carvalho
Valdívia
Maikon Leite
Barcos

Em um esquema com três volantes, poderíamos ter Wesley no lugar de um dos meias.

Vemos, então, que jogadores habilidosos não faltavam no Palmeiras. Isso tanto era verdade que, no início do ano, uma reportagem do Globo Esporte elogiou o elenco do Palmeiras, atentando, inclusive, para o fato de esse time ter um banco de reservas muito bem frequentado. Também podemos citar o fato de o Palmeiras ter tido uma série de jogos de invencibilidade, sendo, por muitas rodadas, líder absoluto do Paulistão. Inclusive, enquanto era líder, duelou contra o rival São Paulo (o épico 3 a 3 do início do Paulistão) e só não ganhou por sorte do São Paulo. Mas, se eles eram tão bons, o que atrapalhou? É o que pretendo explicar aqui.

O que mais atrapalhou o time do Palmeiras foram, sem dúvida, as inúmeras lesões e a falta de condicionamento físico de alguns jogadores ( no caso, Daniel Carvalho e Valdívia), condicionamento que ficou ainda mais comprometido com as lesões. Henrique, Thiago Heleno e todos os outros que listei tiveram de passar semanas ou até mesmo meses no departamento médico. Há também o problema de que alguns dos jogadores que eu listei como disponíveis só chegaram após o meio do ano, quando o Palmeiras já estava em uma situação de risco. Outros, como Deola, foram negociados e nada puderam fazer pelo Palmeiras. Portanto, se formos refazer a lista de elenco disponível apenas com os jogadores que estiveram disponíveis durante todo o ano ou boa parte dele, teríamos:

Goleiro: Bruno
Lateral - Direito: Artur
Zagueiros: Maurício Ramos, Leandro Amaro, Román
Lateral - Esquerdo: Juninho
Volantes: Márcio Araújo, Marcos Assunção (com ressalvas) e João Denoni
Meias: Mazinho e Patrick Vieira
Atacantes: Barcos e Betinho

Aqui, já temos um elenco bem mais limitado, tanto em números quanto em futebol. Adicionemos a isso uma carga de pressão enorme e a exaustão física a que esses jogadores foram levados por ter de disputar tantos jogos. Coloquemos também o fato de muitos jogadores que voltaram de lesões terem de voltar sob pressão e sem as mesmas habilidades de antes. Sabemos, então, uma das razões para a queda palmeirense.

Ainda assim, cabe uma pergunta: Se o elenco era tão reduzido, como conseguiram, então, ganhar a Copa do Brasil e ganhar até mesmo do hoje vice-líder do campeonato brasileiro (Grêmio)?

Para isso, respondo que, além do fator da exaustão física ao longo do ano (afinal, a Copa do Brasil terminou relativamente cedo, após apenas 10 ou 11 rodadas do Brasileirão 2012), temos dois outros motivos.

O primeiro é o fator FASE. Todos já ouvimos falar que, quando a fase não é boa, a bola não entra no gol, o passe sai errado, o jogador lesiona e tudo mais de ruim pode ocorrer. Eu já tive essa experiência, como corinthiano, no final de 2003 (o histórico 6 a 1 que levamos do Juventude-RS é um exemplo), no começo de 2004 (o quase-rebaixamento no Paulistão), em 2006 e em 2007 (o ano do rebaixamento). Por isso, digo: quando a fase é ruim, não tem jeito. No caso do Palmeiras, era ainda pior, pois o time, mesmo desfalcado, chegava a dominar o jogo (e no geral era superior ao adversário), mas perdia nos últimos 20 minutos. Prova disso foram alguns dos últimos placares do Palmeiras, placares que selaram o destino alviverde:

Rodada 33: Internacional 2 X 1 Palmeiras (de virada)
Rodada 35: Palmeiras 2 X 3 Fluminense
Rodada 36: Flamengo 1 X 1 Palmeiras (empate do Flamengo nos últimos minutos - rebaixamento)

O segundo fator é o fator PRESSÃO. No começo do ano, e durante a Copa do Brasil 2012, o Palmeiras vivia uma situação não tão tranquila, mas tinha bem menos pressão do que no fim do ano. Podemos citar como acontecimentos que pressionaram os jogadores o quebra-quebra promovido no Pacaembu durante o clássico com o Corinthians e os vários atos de vandalismo que ocorriam rodada após rodada. Outra coisa a ser citada é a ineficiência de alguns dirigentes em manter um ambiente estável para o trabalho dos jogadores, atitude pela qual os dirigentes, incluindo o presidente, são diariamente criticados em programas esportivos como o Jogo Aberto, da BAND.

Antes de terminar, quero, porém, desconstruir um mito que vem sendo construído sobre o rebaixamento do Palmeiras. Nisso, inclusive, eu fico inclinado a discordar de alguns comentaristas do mesmo Jogo Aberto, como o Ulisses Costa (que eu considero um grande comentarista) e o Dr. Osmar de Oliveira (outro gênio dos comentários). A alegação que foi feita durante as semanas pré-rebaixamento foi a de que o Palmeiras não tinha elenco para disputar as duas competições (Brasileiro e Copa do Brasil), e que, portanto, deveria ter focado-se em manter-se na série A do Brasileiro. O detalhe é que, como já mostrei aqui, o Palmeiras tinha esse elenco. O erro, pelo menos em minha concepção, foi exatamente pensar que o elenco não conseguiria manter as duas disputas. Além disso, o que mais trouxe problemas não foi tanto a suposta falta de força do elenco, mas sim o número de lesões e a pressão que ocorreram quando o fim do ano se aproximava.

Concluindo, com o que vimos aqui, fica mais fácil entender o título deste post. Afinal, é a volta à Série B daquele que era para ser um dos melhores anos que o Palmeiras teve nos últimos tempos. Agradeço aos leitores que tiveram a paciência de ler todo este post e fico por aqui.

Ah, corinthianada que está zuando os palmeirenses, só um aviso: 2017 está aí. Não precisamos dessas zuações. Seria melhor se lembrássemos com orgulho dos clássicos com o rival que podemos perder para sempre.

 Enfim, boa noite, meus dignos leitores.


PS: Ficam aqui alguns links para vocês verem:

http://www.palmeiras.com.br/futebol/elenco.asp - Para os que quiserem ver o atual elenco palmeirense (foi de onde tirei um pouco dos nomes que pus naquelas duas listas)

http://www.lancenet.com.br/tabela/brasileiro2012/ - Para quem quiser ver a tabela do Brasileirão e os placares de cada rodada (lado direito da tela)

Uma crítica do Denílson (pentacampeão brasileiro, ex-Palmeiras e ex- São Paulo, atual comentarista do Jogo Aberto) ao modo como se deu a saída de Felipão do Palmeiras no meio do ano 

Perfeito desabafo do Ulisses Costa sobre o rebaixamento do Palmeiras em 2012.

Alguns exemplos de "supertimes" que não se deram tão bem em Brasileiros:

Flamengo - 1995 (Ataque dos sonhos - Romário, Edmundo e Sávio)
Corinthians - 2003 (Pós-derrota para o River Plate -ARG, na Libertadores)
Palmeiras - 2006 (Quase rebaixado com Juninho Paulista, Valdívia e outros)
Corinthians - 2006 (Pós-derrota para o River Plate -ARG, na Libertadores)
Santos - 2011 (Pós-vitória na Libertadores)
São Paulo - 2010 e 2011 (Time foi sendo desconstruído a partir do fim de 2009, mas ainda era de alto nível)


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