31 de dez de 2012

The End - 2012

Amigos leitores, e assim se acaba o ano de 2012, um ano de muitos posts, alguns debates e muitos comentários vossos da mais alta qualidade. Assim como no primeiro The End, só postei hoje para agradecê-los por toda a atenção que vêm me dando (prova disso são os mais de 15000 views que o blog já tem) e para desejar-lhes um feliz ano novo. Espero que 2013, tanto para mim quanto para vocês, seja tão bom quanto foi 2012 para mim.

Enfim, despeço-me no último post desse ano, e mando-lhes um feliz ano novo e um forte abraço. E que venham ainda mais debates em 2013!

27 de dez de 2012

Guia Politicamente Incorreto da Filosofia (Luiz Felipe Pondé) - Um Resumo

Olá, amigos leitores, como vão vocês? Vamos começar outro daqueles nossos papos?

Hoje, vou falar brevemente com vocês sobre o Guia Politicamente Incorreto da Filosofia - Ensaio de Ironia, do filósofo e professor da FAAP e da PUC-SP Luiz Felipe Pondé.

Como já adiantei no último post, eu achei esse livro de uma clareza e de uma maestria tão grandes que resolvi não só fazer esse resumo com os pontos principais como também usar esse e outros escritos do Pondé nos meus futuros posts, incluindo aquele que será o segundo post da minha série sobre religião, sobre Agnosticismo.

Neste post, porém, vou, basicamente, contar, com mais detalhes do que fiz no último post (Espírito Natalino), sobre o que se trata o livro. Como eu já disse lá, esse livro, ao contrário do que o nome pode acabar sugerindo, não é um livro sobre história da filosofia, ou sobre sociologia da filosofia (se isso existe, rs), ou enfim. Como o próprio Pondé diz, o objetivo desse livro (genial) é o de fazer uma crítica voraz aos valores que estão sendo incluídos na nossa sociedade pelo Politicamente Correto, que o Pondé chama "carinhosamente" de Praga PC (ou Praga Politicamente Correta).

Como o livro tem, basicamente, 25 crônicas do filósofo (contando com o Apêndice), contarei apenas as histórias das que mais me chamaram a atenção e listarei as outras ao final deste texto. Ainda assim, insisto, como quase sempre faço nos meus posts, que o leitor não só pode como tem uma visão diferente da minha, o que significa que ele talvez ache outros pontos interessantes do livro que eu não percebi. Portanto, se lerem o livro e gostarem de outra coisa, não hesitem em conversar comigo pelo blog ou por outro meio, pois é possível que eu faça um post com as impressões dos leitores sobre o livro. Também há algumas crônicas sobre as quais falarei apenas no segundo "Dialeticando com Luiz Felipe Pondé", por uma questão de propósito, mas isso vocês entenderão logo que verem o estilo que terá esse post.

Enfim, hora de começar. Antes disso, porém, quero fazer uma ressalva IMPORTANTÍSSIMA. Se você é o tipo de cara que tem a mente tão infectada pelas ideias de "esquerda" (frise-se as aspas) a ponto de achar que simplesmente discordar do modus operandi do movimento LGBT é ser homofóbico, por exemplo, por favor, não perca seu tempo lendo esse livro nem perca o meu tempo comentando comigo que o Pondé é racista, antissemita, anti-islâmico, homofóbico, ateofóbico ou todo esse mimimi, porque ele não é. Inclusive, ele reafirma seu completo asco a piadinhas de cunho racista ao longo do livro, sempre dizendo que elas são a maior prova de "falta de educação doméstica".

O primeiro escrito sobre o qual quero falar é o segundo na ordem do livro e se chama Aristocracia - Os poucos melhores carregam o mundo nas costas (lembrando que cada um desses títulos que vou listar são os dos capítulos, não dos textos especificamente). Aqui, o filósofo nos presenteia com a concepção original do termo "aristocracia", que seria o governo não dos mais ricos, mas sim dos melhores, dos mais virtuosos, e que, na verdade, a culpa de esse tipo de governo não dar certo foi exatamente a persistência dos mais ricos em corromper esse ciclo da virtuosidade.

Apesar de eu achar essa ideia um pouco utópica, ela é importante para entender o fatality que o Pondé dá nos "democratas" no terceiro escrito, chamado A democracia, sua sensibilidade e seus idiotas. Nesse texto, Pondé, ao mesmo tempo em que admite ser a democracia a forma "menos pior" de se governar, pois é a que traz um certo equilíbrio que deixa a busca pela virtude mais acirrada, critica duramente não só o "espírito democrático" e esquerdista criado por marxistas e roussenianos para colocar o povo como santo e digno de toda a glória, mas também a ideia de que todos são absolutamente iguais e que, portanto, têm as mesmas capacidades de opinar sobre as coisas com autonomia, o que, ao falar que a democracia, ao invés de criar conhecimento, criou a opinião pública, Pondé mostra ser uma mentira deslavada.

Porém, é uma outra coisa que Pondé fala que faz esse capítulo digno de nota. A citação que vou colocar a seguir é, sem dúvida, a que marca o espírito não só desse capítulo como do livro todo. Segundo Pondé:

"Uma coisa que salta aos olhos é a tentativa de chamar qualquer um que critique a democracia de   antidemocrático. A sensibilidade democrática é 'dolorida', qualquer coisa ela grita. Mas não me engano com ela: esse 'grito' nada mais é do que a tentativa de impedir críticas que reduzam a vocação também tirânica que a democracia tem como regime 'do povo'. O 'povo' é sempre opressor, Rousseau e Marx são dois mentirosos. [...] Quando aparece politicamente, é para quebrar coisas. O povo adere fácil e descaradamente (como aderiu nos séculos 19 e 20) a toda forma de totalitarismo. Se der comida, casa e hospital, o povo faz qualquer coisa que você pedir. Confiar no povo como regulador da democracia é confiar nos bons modos de um leão à mesa. Só mentirosos e ignorantes têm orgasmos políticos com o 'povo'."

Vê-se, por aí, que os próximos capítulos do livro não serão nada "lights" nas críticas. Mas, é no oitavo capítulo, chamado Os funcionários da educação, do intelecto e da arte, que Pondé destila o máximo de sua crítica aos politicamente corretos. Além de chamar boa parte de seus pares (professores universitários) de pessoas com inteligência mediana (o que eu, como mero estudante, jamais consideraria fazer, a não ser em um caso MUITO extremo), Pondé diz que é por causa da covardia dos medíocres da democracia que o Politicamente Correto sobrevive, pois, por ser uma forma de totalitarismo, dependeria da covardia e da mediocridade, que se referem mais à censura à liberdade de pensamento do que à apatia política propriamente. O filósofo também escracha com quem fala com "propriedade" sobre a "ética", que ele considera um dos assuntos in voga tanto no meio acadêmico quanto nos "jantares inteligentes" (sobre os quais falarei no próximo post Dialeticando que fizer).

Já no 11º capítulo, chamado Religiões, fundamentalismos e budismo light, o professor da PUC simplesmente "owna" o discurso politicamente correto contra as "religiões opressoras" (Judaísmo e Cristianismo) e anti-"anti-Islamismo", mostrando que, na verdade, o Islamismo não é metade da beleza que os revolucionários da nova esquerda acham que é. Pondé também detona com os novos budistas de 1 semana, mostrando que o que eles querem, na verdade, não é uma religião, mas sim livrar-se da culpa cristã sem terem que se dizer ateus ou agnósticos, o que seria um "materialismo" extremamente grosseiro.

Alguns outros capítulos de destaque são o 12º (Natureza humana e felicidade), em que Pondé admite o pecado como a melhor forma de examinar o ser humano e critica os que são contrários a se fazer qualquer afirmação sobre a natureza humana, o 13º (A nova hipocrisia social), em que o filósofo critica duramente a infantilização do ser humano promovida pelo politicamente correto com seu discurso ético-moralista, o 16º (Injustiça social, mediocridade e banalidade), no qual Pondé renova suas críticas à ideia democrática de "todos são igualmente capazes de ser inteligentes", e o 24º escrito (O comércio de ideias), em que o filósofo mostra o quão mau-caráter é o politicamente correto não pelos motivos que eles argumentam, mas sim por proibirem algo que o filósofo considera muito caro para si mesmo e para a humanidade, que é o comércio de ideias, o apresentar ideias que discordem do PC, pois não são "boas ideias".

Para finalizar, reitero que não é o leitor intransigente que deve ler o livro de Pondé, pois dele nada entenderá a não ser um racismo e uma homofobia que, nos escritos do filósofo, INEXISTEM. Esse é livro para os leitores que pensam, assim como o genial escritor, professor e filósofo, que "ideias não são sempre coisas 'boas'. Às vezes doem".

Vou deixar aqui algumas citações interessantes do livro (e o index de capítulos) para aguçar-lhes mais ainda a curiosidade, e encerro por aqui este post. Ficam os meus agradecimentos e o meu forte abraço ao leitor que aguentar ler tudo isso e também ao que procurar tirar suas próprias conclusões sobre o livro, exercendo uma atividade da qual muitas vezes somos privados, seja pela "praga PC" ou por qualquer outra coisa, que é PENSAR.

Bom, essas são minhas considerações. Um abraço para você, amigo leitor, e até breve.

Capítulos:

Introdução

O politicamente correto e o general Patton
Aristocracia - os poucos melhores carregam o mundo nas costas
A democracia, sua sensibilidade e seus idiotas
O outro
Romantismo e a natureza
Sexualidade, mulheres e homens
A beleza e a inveja
Os funcionários da educação, do intelecto e da arte
Viajar jamais
A tragédia do keeper (o "bom partido")
Religiões, fundamentalismos e budismo light
Natureza humana e felicidade
A nova hipocrisia social
Teologia de esquerda ou da libertação
A culpa
Injustiça social, mediocridade e banalidade
Hipocrisia em tempos de guera
Ditadura 
Leitor
Bovarismo
Canalhas cheios de amor
Baianidade
Os "sem iPads" do Reino Unido
O comércio de ideias

Apêndice
  
Citações:

"Com a Revolução Francesa e a democracia (que a primeira não criou exatamente porque foi muito mais um regime de terror autoritário), os idiotas perceberam que são em maior número, e de lá para cá todo mundo passou a ter de agradá-los, a fim de ter a possibilidade de existir (principalmente intelectualmente). O nome disso é marketing. Todo mundo que pensa um pouco vive com medo da força democrática (numérica) dos idiotas. O politicamente correto é uma das faces iradas desses idiotas" (A democracia, sua sensibilidade e seus idiotas)

"Nada é mais temido por um covarde do que a liberdade de pensamento. Toda forma de totalitarismo (o politicamente correto é uma forma de totalitarismo, e essa forma está presente na palavra 'correto') sobrevive graças às hordas de inseguros, medíocres e covardes que povoam a educação e o mundo da cultura e da arte" (Os funcionários da educação, do intelecto e da arte)

"A mídia muitas vezes parece uma reunião de centro acadêmico de ciências sociais na forma de simplificar o mundo ao nível de uma menina de 12 anos" (Os funcionários da educação, do intelecto e da arte)

"Até golfinhos conseguem ser ateus, porque o ateísmo é a visão de mundo mais fácil de ter: a vida é fruto do acaso e não tem sentido além dos pequenos sentidos que 'inventamos'." (Religiões, fundamentalismos e budismo light)

"Se você quiser acertar numa análise que envolva seres humanos, continue a usar o pecado como ferramente para compreender o comportamento humano: orgulho, ganância, inveja e sexo continuam a mover o mundo (a luta de classes nada mais é do que um caso de ganância e inveja). O culto da ciência como conhecimento seguro do futuro humano sob controle das experiências 'em laboratório' degenerou no culto do ser humano como tendo controle do que ele é e do que pode vir a ser. O próprio nascimento do Estado moderno e sua burocracia de controle do cotidiano também marcaram esse processo, na medida em que a experiência da organização da vida carrega em si um sentimento de potência positiva" (Natureza humana e felicidade)

"Dizer coisas coisas como todo índio é legal, pobre é sempre gente boa, gay é sempre honesto, 'eu não gosto de dinheiro', quando na realidade todo mundo tem sua dose de miséria, além de vaidade barata, simplifica (como sempre, o pior efeito da praga PC é a burrice que ela cultiva) a natureza humana, nos impedindo de pensar em nós mesmo de modo adulto. [...] Fingindo ser contra o mundo do mercado e do dinheiro, o politicamente correto é um dos seus produtos mais vagabundos em termos de qualidade. Entre a felicidade e a autoestima, prefiro o pecado" (Natureza humana e felicidade)

"Todo mundo sabe que a substância última da moral pública é a hipocrisia, por isso quem nega esse fato é em si o primeiro hipócrita" (A nova hipocrisia social)

"Não existe a possibilidade de associarmos ética ou moral aos princípios de marketing, como se faz hoje em dia. E o politicamente correto é uma forma de marketing político e ético". (A nova hipocrisia social)

"Ninguém precisa de Nietzsche para matar Deus, basta chamar um teólogo da libertação (Teologia de esquerda ou da libertação)

"A canalhice sempre pagou bem nesse mundo, e o politicamente correto é uma das novas formas de canalhice que assolam o mundo da cultura, da academia e da mídia". (Canalhas cheios de amor)

25 de dez de 2012

Espírito Natalino

Olá, amigos leitores. Como foi a ceia ontem?

Hoje, vou dar-lhes o meu presente de Natal, que será, na verdade, uma série de recomendações minhas para vocês, incluindo livros, entrevistas, músicas e outras coisas que me derem na telha.

Sem muita enrolação, vamos às minhas dicas para que o fim de ano de vocês seja legal e cheio de possibilidades de expandir seus horizontes. Primeiro, vou lhes recomendar os três livros que li (no caso, ainda estou lendo um, mas estou quase no fim) neste mês, que são o Ética, de Spinoza/ Espinosa, o Para Além do Bem e do Mal ou Prelúdio de uma filosofia do Futuro, de Nietzsche, e o Guia Politicamente Incorreto da Filosofia - Ensaio de Ironia, de Luiz Felipe Pondé.

Para não deixá-los totalmente ignorantes sobre o conteúdo dos livros, vou explicar um pouquinho da "história" deles. O primeiro, de Baruch Spinoza, que ainda estou terminando de ler, fala basicamente sobre algumas questões da nossa ética, como a existência de Deus, em que Spinoza acredita e sobre a qual argumenta, por meio de proposições e demonstrações (Spinoza era matemático, e na linguagem matemática é assim que funciona), com uma magistralidade que, mesmo sendo ateu, confesso, me deixou maravilhado.

Porém, essa não é a parte mais legal do livro. O livro, dividido em 5 partes cujos títulos não lembro agora, fica extremamente interessante na parte III, que é quando Spinoza fala sobre os sentimentos humanos, aos quais ele chama de afetos. Partindo apenas de "alegria" e "tristeza" (e de alguns outros pressupostos), Spinoza vai explicando um por um os vários sentimentos que temos em relação às outras pessoas ou ao mundo que nos cerca, indo desde a inveja até a comiseração (que seria o que nós chamamos de "dó", grosso modo).

Ainda assim, faço a ressalva, a quem for ler, de que o livro tem uma linguagem, ou melhor, uma forma de organizar as palavras, extremamente complicada, o que dificulta a leitura. Além disso, é preciso conhecer muito bem os conceitos científicos-matemáticos de "axioma", "postulado", "escólio", "corolário", "proposição" e "demonstração" para se situar e começar a compreender o que Spinoza fala. Ou seja, se o caro leitor quer um livro rápido, não é o de Spinoza que deve procurar. Agora, que a experiência é muito boa, é inegável.

O segundo livro que eu indiquei, o de Nietzsche, não é tão difícil de ler, mas também não é rápido. Quem conhece Nietzsche pela escola vai pensar que ele é um só velho antiteísta recalcado e virgem que fica falando besteiras em um livreco. Porém, o que Nietzsche faz ao longo do livro é uma crítica afiada aos valores da sociedade alemã e europeia de sua época, além de nos introduzir brevemente ao que ele chama de "moral dos senhores" e a outros de seus conceitos de filósofo. Alguns dizem, inclusive, que esse livro é uma peça-chave para entender outros dois importantes livros seus, A Genealogia da Moral (próximo em minha lista) e O Anticristo.

Falando em filósofos, aliás, eu diria que é exatamente esse o empecilho para quem quer ler o livro do Nietzsche, pois, ao contrário de Spinoza, que cita "apenas" Descartes ao longo das 200 páginas de seu livro, Nietzsche, em suas 200 páginas, cita, além de Espinosa e Descartes, nomes como Platão, Sócrates, Pascal, Santo Agostinho e um par de outros famosos filósofos. O problema é que, além desses nomes, o bigodudo de Rocken também fala sobre conceitos sobre os quais normalmente nada ouvimos falar na escola, o que torna pelo menos as três primeiras partes do seu livro (das nove no total) um pouco vagas para o leitor. Ou seja, o mesmo caso de Espinosa se aplica aqui: é uma leitura prazerosa, mas não rápida. O leitor pode até conseguir ler ambos os livros em um dia cada, mas o problema reside em entender os conceitos embutidos em ambos.

Esse problema, no entanto, não acontece no livro de Pondé. O livro do Pondé é fácil de ler, pois seu foco não é falar sobre a (genial) filosofia desse Pós-Doutor em Filosofia Moderna pela Universidade de Tel Aviv, mas sim provocar um grupo específico de leitores, aqueles a quem chamamos de "Politicamente Corretos". Com textos que vão desde Feminismo até Religião e de Aristocracia à Democracia,  a praga PC, como chama Pondé, é provocada a repensar seus conceitos desde a capa do livro, em que vemos juntos filósofos e intelectuais do calibre de Maquiavel, Darwin, Platão, Aristóteles e Hobbes, até a sua última página, com um Apêndice magistral sobre a nova vida da família brasileira.

Sobre esse livro, entretanto, vou contar mais detalhes (ou melhor, contar com mais detalhes) no próximo post, pois uma das discussões que Pondé empreende lá e que vou apresentar será essencial para que entendam o segundo post daquela minha série "animadíssima" sobre Religião, e depois farei um post chamado "Dialeticando com Luiz Felipe Pondé: O Retorno", em que discutirei algumas ideias não só que ele abrange nesse livro como também em sua coluna na FSP (Folha de São Paulo).

Assim sendo, quanto a livros, essas são minhas recomendações. Passemos agora à segunda coisa que vou recomendar, que são as entrevistas (cujos links colocarei no final) com dois filósofos brasileiros contemporâneos. Uma delas é com o filósofo Paulo Ghiraldelli Jr., no programa Provocações, apresentado pelo genial Abujamra, em que os dois discutem um pouco sobre o papel da Filosofia nas mudanças a serem feitas na educação brasileira. A outra, e essa é bem mais direcionada a meu público cristão, foi feita no programa Canal Livre com outro filósofo da educação, Mário Sérgio Cortella, mas sobre um tema que envolve religião e história. No caso, Cortella discorreu sobre a existência do Jesus Cristo Histórico de uma forma bem clara e didática. Para quem quer conhecer mais sobre essa face histórica do profeta do Cristianismo, essa entrevista é um pré-requisito fundamental.

Quanto a entrevistas, era isso. Porém, os vídeos não acabam por aí. Ainda no campo filosófico, mas partindo mais para o lado político, recomendo também dois vídeos do Paulo Ghiraldelli Jr., sendo um sobre Ideologia e o outro sobre Cotas Étnicas. Aliás, desculpem se eu parecer grosseiro, caros leitores, mas recomendo fortemente que assistam ao vídeo de Cotas, pois, pelo visto, pouca gente entende que as Cotas não vieram de forma nenhuma para resolver o problema da educação no Brasil. Mas, falarei melhor sobre as Cotas em um outro post. Por enquanto, recomendo apenas o vídeo do filósofo, pois o acho suficiente.

Para concluir o lado "filosófico" deste post, recomendo também, para quem quiser ser provocado a refletir constantemente, a coluna do Luiz Felipe Pondé na Folha de São Paulo, o blog do Paulo Ghiraldelli, a coluna do meu amigo Francisco Razzo no site/blog Fides et Ratio e um blog de alguns colegas meus do tempo da Duelos Retóricos chamado Vida Sofista, em que há posts sobre todo tipo de tema com os mais diversos autores.

E, para concluir o post, recomendo, para aqueles que odeiam o Natal (rsrsrsrsrs), uma música que descobri recentemente, que é a I Hate Christmas, do canal 5inco Minutos do Youtube.

Enfim, isso era tudo. Espero que aproveitem minhas dicas, meus amigos, e desejo para vocês um feliz natal!

Links com as Recomendações:
Entrevista com o Filósofo Paulo Ghiraldelli Jr. com Abujamra:
Parte 1 
Parte 2
Parte 3

Entrevista com Mário Sérgio Cortella (Existência do Jesus Histórico):
http://www.youtube.com/watch?v=3cH08lQDK68

Paulo Ghiraldelli Jr. sobre as Cotas Étnicas: http://www.youtube.com/watch?v=eWEr5WNu-I0
Paulo Ghiraldelli Jr. sobre Ideologia: http://www.youtube.com/watch?v=DvU5nN-wP0Q
(PS: Não se impressionem com as "capas" dos vídeos. Ghiraldelli é um provocador do início ao fim, rsrsrsrs)

Coluna do Luiz Felipe Pondé na Folha de São Paulo:
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/luizfelipeponde/

Blog do Paulo Ghiraldelli Jr.: http://ghiraldelli.pro.br/
Coluna do Francisco Razzo no Fides et Ratio: http://www.franciscorazzo.com/author/franciscorazzo/
Blog Vida Sofista: http://www.vidasofista.blogspot.com/

21 de dez de 2012

De frente com o Ateu - Ateísmo (x Teísmo x Antiteísmo)

Boa tarde, meus queridos leitores. Aproveitando bem o fim do mundo?

Como o mundo vai acabar mesmo, decidi finalizar a minha participação neste mundo com pelo menos o começo daquela série sobre a qual falei em Contestação e Merchandising. Se, como disse uma vez o picareta do Cauê Moura (sim, aquele vlogger lá que fez uma "homenagem" ao Latino), existir wireless no inferno, ou se o mundo não acabar, eu continuo postando aí para vocês.

Enfim, como dito no post que eu citei acima, vou começar com o primeiro tema, que é ATEÍSMO. Antes de tudo, é bom dizer que eu vou dividir esse post basicamente em dois segmentos, mostrando, no primeiro, o que eu defino como ateísmo, e, no segundo, o que eu não considero que o ateísmo seja ou deva ser. Esse segundo ponto será mais esclarecido só no segundo segmento mesmo.

Antes de tudo, como já avisei no outro post, não vou contar como virei ateu, pois isso não convém para esta ocasião. Também não vou abordar o neo-ateísmo, pois, além de haver muitos outros que podem abordá-lo melhor do que eu, digamos que eu fui neo-ateu por um tempo e que o que me tornou neo-ateu foi um fato sobre o qual não gosto muito de falar e que, se eu falasse sobre, provavelmente me abalaria a ponto de não conseguir continuar escrevendo esse texto. Posto isso, podemos começar a nossa conversa sobre o tema.

Bom, "aos trabalhos" (BIAL, Pedro; s.d.). Primeiro de tudo, o que eu considero como ateísmo?

É sempre bom deixar claro que, se os leitores decidirem fazer uma pesquisa mais extensa (como sempre, vou deixar uns links aqui para ajudá-los na pesquisa),  é possível que vejam que houve e que há várias definições para ateísmo ao longo dos tempos. A causa disso não é, porém, o próprio ateísmo, mas sim as definições que são aplicadas para teísmo (sobre as quais, infelizmente, nada achei), pois é a partir delas que se rotulava alguém como teísta ou como não-teísta, ou melhor, como ateu. Portanto, a primeira definição que eu faço aqui é a de teísmo. Teísmo, neste post, será usado apenas como a crença em algum tipo de divindade, seja ela um criador pessoal , um criador impessoal ou o que for.

Partindo disso, é comum que haja duas definições para ateísmo. Uma delas, a de ateísmo forte ou positivo, diz que ser ateu é crer na inexistência de deuses. Já a outra, a de ateísmo fraco ou negativo, diz que ser ateu é descrer na existência de deuses. A diferença básica entre as duas posições é simples: uma é uma crença, outra é uma descrença. No meu caso, eu adoto o ateísmo negativo principalmente por dois motivos: 1- Porque eu acho uma certa hipocrisia  deixar de crer que uma coisa existe para passar a crer que ela não existe; 2- Porque eu não considero o ateu positivo como ateu.

Ora essa, mas se eu não o considero como ateu, poderia perguntar o leitor, então como o que o considero? Respondendo a isso, eu tendo a considerar o ateu positivo ou como um crente enrustido (ou revoltado com "Deus"), ou como um partidário do terceiro conceito que eu vim discutir aqui, ou seja, como um antiteísta. Falando a grosso modo, antiteísmo é a oposição à crença em deuses ou em determinados deuses (ou seja, não é preciso ser ateu para ser antiteísta), o que, sejamos francos, é o que a maioria dos ateus positivos faz: baseados nas falhas de algumas pessoas dentro de certas religiões, eles passam mais a se preocupar com a crença alheia, ou melhor, com destruir a crença alheia, do que com o próprio umbigo. Porém, como eu disse, isso é mais uma opinião pessoal minha, ou seja, isso não significa que eu seja o dono da verdade absoluta sobre o ateísmo e que o que estou dizendo está corretíssimo. É mais uma questão do sentido e da interpretação que se dá a certos termos mesmo.

Há também quem faça a distinção entre "ateu" e "ateísta", mas em alguns casos o sentido atribuído a "ateísta" é tão parecido com (ou até igual a) o sentido de "antiteísta" que eu prefiro fazer a distinção entre "ateu" e "antiteísta". Ou seja, se em alguma parte desse post eu falar em "ateístas", vocês podem entender como sinônimo de "ateu" para facilitar as nossas vidas. Ainda assim, vou deixar um link com essa distinção, uma cortesia do meu amigo Emerson Oliveira, da Logos Apologética, para quem quiser usá-la. Existe também a diferença entre "ateu gnóstico" e "ateu agnóstico", mas só vou abordar isso no próximo post desta série.

Enfim, por que eu disse tudo isso? Porque é a partir das definições que eu uso que eu vou dizer o que eu acho que o ateísmo não é ou o que o ateísmo não deve ser.

Primeiro, mas isso eu acho que independe da definição de ateísmo que se usa, ateísmo não é ciência. Não vou aqui discutir sobre o atual conceito de ciência (vou deixar um link também com isso), pois seria um tema totalmente diferente do que o que eu pretendo abordar, mas, posso dizer, com segurança, que ateísmo não é ciência, por pelo menos três motivos:

1- Uma ciência necessariamente precisa ter um método de pesquisa, coisa que não é necessária na descrença em um deus, exatamente porque eu posso descrer em deuses por falta de fé ou por qualquer outro motivo que me dê na telha.
2- O objeto de estudo de uma ciência deve ser falseável e, para isso, deve necessariamente pertencer à nossa realidade, ou seja, à realidade material. O detalhe é que a maioria das divindades não pertence ao plano material, mas sim a um outro plano que nos é intangível. É lógico que podem existir provas da existência de deuses baseadas puramente na lógica, só que, pelo menos nas nossas definições, lógica não consta como ciência.
3- O objetivo de uma ciência é gerar novos conhecimentos sobre um determinado assunto. Além de dificilmente se poder gerar novos conhecimentos, por meio da ciência, sobre um objeto não-falseável cientificamente falando, um ateu pode simplesmente escolher não devotar sua vida à busca por conhecimento, além de o ateísmo ser simplesmente uma descrença, ou seja, de não haver dogmas para ser ateu.

Segundo, e isso o 3º motivo para não ser ciência explica um pouco, ateísmo não é religião, e isso se dá especialmente por duas razões:

1- Não existe dogma para ser ateu, pelo mesmo motivo que não existe método para ser ateu. Não há como falar para uma pessoa que, para ela ser ateísta/ ateia, ela tenha que fazê-lo porque não existem provas para a existência de deuses (o que é um pouco mentiroso, mas não vou discutir isso) ou porque ela não tem fé. Não há como regrar a descrença, exatamente por ela não ser uma crença (rsrsrsrsrs). Além disso, como eu já disse, o ateu pode tomar as atitudes que ele achar mais conveniente. Falarei mais sobre esse ponto no post sobre religião e caráter, mas, o que podemos entender disso é exatamente que ateísmo pode ser considerado como uma forma de liberdade. Agora, se essa liberdade é ou não benéfica, é uma outra discussão.

2- Tomando religião como religação ao divino, não há sentido em declarar ateísmo como religião, pois o ateu, antes de tudo, não crê na existência de um ser divino. Se tomarmos religião como releitura de dogmas religiosos (sim, existe uma vertente de etimólogos que interpreta que a origem de religião não veio de "religare", mas sim de "relegere", que significaria "releitura". Coloco o link para isso no fim do post.), também não faz sentido definir ateísmo como religião, pois cada ateu tem uma postura ante às religiões. Ou seja, isso mostra também que é muito difícil fazer generalizações sobre ateus baseados naqueles (poucos) ateus que conhecemos.

Terceiro, ateísmo não é satanismo, e isso se dá porque satanismo é a RELIGIÃO dos que seguem Lúcifer, que é, mesmo que de uma forma pouco convencional, uma DIVINDADE. Como um ateu não crê em divindades, segue-se disso, por lógica, que, se um tonto vier se declarar "ateu satanista", além de você, crente, poder dar uns bons tapas na cara dele (apesar de isso ser considerado intolerância religiosa), você também pode chamá-lo de burro ou de incoerente, pois ele estará crendo e não crendo em uma divindade ao mesmo tempo, o que foge da nossa compreensão lógica.

Quarto, e o mais importante, ateísmo não é nem deve ser ideologia. Antes de tudo, é bom saber que existe uma definição neutra para ideologia e outra crítica, e a primeira definição diz que ideologia é, trocando em miúdos, o conjunto de ideias que uma pessoa ou um grupo segue. Porém, não existe esse conjunto de ideias em ateísmo pelos motivos que eu já citei, o que o torna incompatível com essa. Se pegarmos a outra definição, a crítica, que diz que a ideologia é algo que serve para alienar as pessoas e todo aquele blá-blá-blá marxista xarope de que todos já ouvimos falar uma vez na vida, e tomarmos o ateísmo como uma ideologia por esta definição, seria o mesmo que chamar todo ateu de burro, pois, considerando que quase todos os ateus acabaram virando ateus, ou seja, não são "de berço ateu", eles teriam trocado uma crença fundamentada em algo maior e transcendente por uma crença que não tem uma justificativa tão forte, ou seja, pela qual se lutaria apenas por "objetivos menores", se é que me entendem. Então, como eu não creio que ser ateu seja uma burrice, não acredito que ateísmo possa ser considerado uma ideologia.

Isso era tudo que eu queria dizer quanto ao que eu não considero ser ateísmo. Vou agora deixar o que eu considero que o ateísmo é, mas os leitores talvez só entendam minha posição no meu post sobre Religião e Caráter, que é quando vou explicar isso. Porém, acho que a frase em si já é uma pista para entender o meu posicionamento no futuro post (que ainda vai demorar um pouquinho, rsrsrsrsrsrs). Enfim, para mim, se me fosse possível atribuir uma característica ao ateísmo, eu diria que ateísmo, meus amigos, é uma incógnita.



Bom, encerro por aqui este post, vou deixar os links aqui em baixo, e espero os seus comentários, criticando ou elogiando este primeiro post. Lembrem-se, porém, que nunca foi minha intenção fazer propaganda ateísta por aqui, especialmente porque essa minha fase já passou. Enfim, ficam os meus agradecimentos pela paciência que tiveram em ler todo esse post e o meu forte abraço a todos os leitores.



Links:


Texto do Francisco Razzo sobre algumas formas de ateísmo:
http://www.franciscorazzo.com/2012/08/17/os-ismos-do-ateismo/

Vídeo do Pirulla sobre Neo-ateísmo, Ateísmo e Antiteísmo: http://www.youtube.com/watch?v=xcmNSgHuPRc 

Outro vídeo do Pirulla, dessa vez sobre Ateísmo e Agnosticismo: http://www.youtube.com/watch?v=LVkklTe77Ww

Vídeo do Yuri Grecco (Eu,Ateu) ironizando a acusação "ateu adora o demônio": http://www.youtube.com/watch?v=47vOpSkC21A  (lembrando sempre que o vídeo é IRÔNICO, e que talvez seja um dos únicos vídeos que preste do canal do Grecco, rs)

Origens possíveis do termo "religião", por Lauro Jardim: http://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/consultorio/religiao-vem-de-reler-ou-religar/

Texto EXCELENTE da página Logos Apologética sobre antiteísmo: http://logosapologetica.com/o-perfil-de-um-antiteista/
  
Sílvio Seno Chibeni, pesquisador da UNICAMP, sobre definições de ciência ao longo da história: http://www.unicamp.br/~chibeni/textosdidaticos/ciencia.pdf

Outro texto EXCELENTE, dessa vez do meu amigo, o inenarrável Chico Sofista, sobre Ideologia(s): http://vidasofista.blogspot.com.br/2012/08/ideologia.html


PS: Pfvr, gente, sério, se tiverem um novo nome para a série, falem, rsrsrsrsrsrs.

17 de dez de 2012

"Antis" e Depois

E aí, pessoal, tudo beleza? Andaram se divertindo com os últimos posts deste blog?

Bom, hoje, de novo, vou falar sobre o tema Futebol. Porém, desta vez, defenderei não a Sociedade Esportiva Palmeiras, como fiz no post Sociedade Esportiva Palmeiras 2012: A volta do que era para ser, mas sim o meu próprio time do coração, o Corinthians, cujo nome completo, para os que não sabem, é Sport Club Corinthians Paulista.

Eu poderia também contar que o Corinthians foi fundado em 01/09/1910, que seu primeiro presidente foi Miguel Battaglia, que é o clube com maior torcida entre os quatro grandes de São Paulo (e a segunda no Brasil, só perdendo para o Flamengo -RJ) e todas as coisas que muitos já sabem, mas, para que todos possam conhecer mais sobre o clube, prefiro deixar, no final do post, um link de um site muito bom que achei sobre a história de clubes em geral, o que significa que, se o caro leitor for são-paulino, palmeirense ou santista (ou torcedor de outro time), também poderá consultar a página para saber algo mais da história do próprio time.

Poderia até fazer isso, mas não vim aqui dar uma aula de História do Corinthians ou do Futebol, mas sim, como disse anteriormente, defender tanto a honra do Corinthians quanto a de seus torcedores. Por que estou fazendo isso? Simplesmente porque andei vendo as famosas páginas anti-Corinthians do Facebook e senti certa hipocrisia nos comentários de muitos que atacavam o Corinthians e seus torcedores.

Antes de tudo, é bom deixar claro que eu não vou aqui condenar toda e qualquer forma de zoação. Acho perfeitamente legítimo, quando o Corinthians perde, que os são-paulinos, por exemplo, postem uma de suas zoações, assim como não vejo problema em quando o corinthiano zomba do rival. Também não vejo problema em dizer "Chupa Bambi/ Gambá/Porco/Peixe Frito!" ou outras coisas, pois não creio que alguém tenha uma mente tão frágil a ponto de se sentir ofendido com algo tão pequeno.

Porém, a coisa muda de figura quando as brincadeiras saem do domínio do futebol e se transformam em acusações sérias e que ferem a honra de um torcedor, e isso vale tanto para o lado "anti" quanto para o lado "pró" Corinthians,  pois também vi posts desse tipo em páginas corinthianas, aos quais só não responderei porque este post ficaria ainda maior do que já vai ficar. No entanto, se os leitores quiserem que eu responda, mandem-me os posts com as acusações que são feitas e eu as responderei em outro post daqui. Afinal, não posso ser conivente com os erros da minha torcida, pois não seria justo com ninguém no fim das contas. Ah, também desmantelarei alguns argumentos de questões futebolísticas, como esquema tático, placar e etc (vocês vão entender o que eu quero dizer depois).

Mas, enfim,  vamos às respostas. Vou me basear nas acusações (ou nos argumentos) que vi em páginas "anti" após a conquista do Campeonato Mundial Interclubes FIFA 2012. Vamos a elas agora:

Primeiro argumento:"Corinthiano não pode ganhar título que já comemora com facada, tiro, pancada, assassinato, depredação. Aliás, se perder jogo então, sai um bando de maloqueiros nas ruas destruindo tudo o que vê pela frente."

O ruim deste tipo de comentário, e dos outros que vou postar também, é a generalização (farei um post no futuro só sobre generalizações, não se preocupem). Uma coisa é você falar "alguns corinthianos não podem..." ou "tem corinthiano que não pode ganhar...". Outra é você generalizar, dizendo que "corinthiano isso ou aquilo". No primeiro caso, falar isso é possível pois é uma verdade. Existem corinthianos que não sabem ganhar nem perder, nem sequer apoiar o time, pois acabam depredando tudo, inclusive um Aeroporto, que é patrimônio público. Porém, isso não é uma exclusividade do Corinthians.

Um exemplo disso, e que pode ser bem lembrado por qualquer um que conheça alguns fatos de futebol, ocorreu com torcedores do São Paulo em 2005. Após ganharem o título da Libertadores em cima do Atlético-PR em um dos melhores jogos de um dos melhores times que vi jogar, alguns torcedores resolveram comemorar depredando simplesmente a avenida mais importante do Brasil, a Avenida Paulista de São Paulo - SP.

Porém, não é por isso que eu vou jogar toda a culpa sobre tudo o que ocorrer na Avenida Paulista a partir dessa data em cima dos são-paulinos, pois eu, ao contrário de alguns, sei que violência desnecessária, além de ter de ser rigorosamente punida (por ser contra pessoas ou contra o patrimônio PÚBLICO), não é exclusividade da torcida C, SP, P ou S. Temos casos barbarescos de brigas entre torcedores também entre palmeirenses e santistas (aliás, algumas das piores brigas de todos os tempos rolam exatamente em jogos do Palmeiras contra o Santos, ou vice-versa), flamenguistas e vascaínos, vascaínos e tricolores (torcedores do Fluminense), gremistas e colorados e muitos outros. Falando em gremistas, houve, até bem recentemente, um episódio lamentável quando do último jogo que o estádio Olímpico sediou. Ainda assim, não ouvi ninguém acusando gremistas de vândalos, bandidos ou nada assim? Curioso, não é?

Fora tudo isso, quando se fala em "corinthiano", generaliza-se toda uma torcida por causa da atitude de uns e outros VÂNDALOS. O detalhe é que há corinthianos de todos os perfis: ateus, católicos, espíritas, evangélicos, muçulmanos, casados, solteiros, divorciados, pais de família, mães de família, capitalistas, comunistas, anarquistas, sindicalistas, enfim. O que quero dizer é que, em um grupo tão grande, qualquer generalização, especialmente uma generalização criminosa, é um risco. Vejam o meu caso, por exemplo: para comemorar o título Mundial, apenas fui para a frente de casa, dei um grito razoavelmente baixo e fiquei vibrando sozinho por um tempo. E conheço muita gente que fez isso, assim como vi gente indo ao shopping, na maior tranquilidade, com uma camiseta do time, como as pessoas fazem normalmente. Onde está o vandalismo aí?

A propósito, sobre vandalismo, também vou deixar alguns links com a opinião de comentaristas do nosso futebol sobre esses ditos torcedores.

Segundo argumento: "Ai, vocês pagaram o presidente da FIFA para ganhar esse título! Vocês compraram o juíz para ganhar a Copa do Brasil de 2009! Vocês pagaram também para ganhar em 2005! Vocês não tem um título só que seja legítimo só por isso!!!!"

Neste caso, a coisa fica um pouco mais grave. Além de desmerecer os diversos Paulistas, as outras Copas do Brasil, a Libertadores, os dois Mundiais e os outros 4 Brasileiros por causa do esquema de corrupção da arbitragem em 2005 e por causa dos ERROS DE ARBITRAGEM no jogo contra o Brasiliense-DF em 2009, cai-se aqui em algo que o nosso Código Penal vê como crime: calúnia e difamação. Afinal, estão acusando, sem provas cabais, uma entidade de participar de um mega-esquema de corrupção, o que é uma acusação muito grave e que põe em risco a honra dessa entidade. Isso, além de ser um argumento desonesto, é também CRIME, senhores. Portanto, é bom tomarmos cuidado com as acusações que fazemos por aí. Além disso, se formos ver bem, um monte de times também tem contas a prestar à sociedade, mas, ainda assim, ninguém os cobra por isso. Estranho, não?

Terceiro argumento: "Mundial de 2000 o cacete! Vocês foram convidados eu não sei porque! Ganhar de time brasileiro na final não é título mundial! Vasco não é time!  E o gol roubado contra o Raja Casablanca, do Marrocos?"

Primeira coisa: O erro, antes de tudo, foi da FIFA em convidar dois times do mesmo país para o primeiro Mundial. Como a FIFA, pelo visto, não conhecia os times do futebol brasileiro, eles acharam que o Corinthians ou o Vasco não teriam a capacidade de passar da primeira fase do torneio, especialmente contra adversários como Real Madrid - ESP e Manchester United - ING. Porém, o que aconteceu é que, graças a Edmundo do lado do Vasco e Edílson do lado corinthiano, os dois times avançaram até a final, sendo que o Vasco impôs um humilhante 3 a 0 sobre o Manchester, com show de Edmundo. Ou seja, a FIFA deveria, sim, ter procurado saber sobre os dois times.

Segunda coisa: O gol "roubado" contra o Raja Casablanca NÃO LEVOU O CORINTHIANS À FINAL, porque não foi o primeiro, mas sim o segundo gol do Corinthians na partida. O Corinthians já ganhava de 1 a 0 antes disso, e teria continuado vencedor mesmo com a anulação do segundo gol.

Terceira coisa: Fomos convidados porque havíamos ganhado os Brasileirões de 1998 e 1999, ou seja, ainda éramos os atuais campeões brasileiros, o que faz o convite ser legítimo, pois esse é o modus operandi da competição até hoje. Eu sinceramente não sei é porque convidaram o Vasco, mas o convite do Corinthians era legítimo sim. A propósito, se formos usar esse argumento, um monte de time vai perder título, pois a maioria das competições começa com times CONVIDADOS. Mas, não sei né, vai que quem usa esse argumento quer isso mesmo, rsrsrsrsrs

Quarta coisa: Vasco não é time? Aham, que tal ver os Títulos do Clube de Regatas Vasco da Gama ? Se isso não for time, não sei mais o que é.

Quarto argumento: " Ah, mas o Mundial mudou de formato, mimimi, mimimi, mimimi..."

Pois é, o Mundial mudou de formato assim como o fez o Brasileirão diversas vezes (sdds, mata-mata), como fez o Paulistão, e assim como vai mudar a Copa do Brasil. Se formos seguir esse critério, vamos tirar todos os títulos brasileiros do Palmeiras e quase todos do Flamengo, por exemplo. Não creio que queiramos isso, não é?

Quinto argumento: "Ai, vitória por 1 a 0 não vale, mimimi, mimimi, mimimi"

Bom, tudo bem então, vitória por 1 a 0 não vale. Com isso, você acabou de tirar a legitimidade do Mundial Interclubes 2005 do São Paulo, que ganhou de 1 a 0 do Liverpool - ING na final (com uma atuação magistral do Rogério Ceni), do Mundial Interclubes 2006 do Internacional, que ganhou do poderosíssimo Barcelona - ESP também por 1 a 0, além de títulos de outros clubes pelo mundo, como o Mundial de 1999 do Manchester United, ganho contra o Palmeiras-SP por 1 a 0. Meus sinceros parabéns.

Sexto argumento: "Retranca não vale! É por isso que o Brasil perdeu respeito no futebol!"

Jogar retrancado, em um futebol em que vale cada vez mais o resultado e cada vez menos o espetáculo, por estar totalmente mercantilizado, é uma tática válida. O que nos fez perder respeito não foi isso, mas sim o fato de revelarmos e mantermos pouquíssimos craques ou gênios da bola.

Sétimo argumento: "Analfabeto! Analfabeto! Não sabe escrever! Não passou do Ensino Médio! Noob."

Antes de tudo, é provável que quem usa esse tipo de argumento IMBECILOIDE esteja escrevendo tão mal ou até pior do que aquele a quem dirige as críticas, ou então que tenha a maturidade de uma criança de 4 anos.
Segundo, a não ser que o que está escrito seja absolutamente ininteligível*, isso não é motivo para você rir da cara de uma pessoa e desmerecer os seus argumentos, especialmente porque isso seria o equivalente a dizer que quem não domina a norma padrão não sabe pensar, o que até mesmo os mais puristas gramáticos atuais rejeitam com todas as forças.
Terceiro, é sempre bom a gente lembrar que as nossas famílias, com quase toda certeza, começaram com um casal de analfabetos, podendo estes ser nossos bisavós, nossos avós ou até mesmo nossos pais. Porém, estes mesmos "analfabetos" são geralmente as pessoas que nos passam os melhores valores sobre a vida, e são os que criaram aqueles que puderam fazer com que hoje estivéssemos concluindo ou cursando a universidade ou o ensino médio. Portanto, antes de usar esse argumentinho mixuruca, pense bem, pica das galáxias, pois você pode estar sendo ingrato sem saber, ou sem lembrar, e ingratidão nunca é algo bom.



Contra os "antis", esses eram meus argumentos. Como dito antes, vou deixar os links que achei para vocês darem uma olhada e comprovarem o que digo. Porém, antes de terminar, eu quero contra-atacar um último argumento, pior do que qualquer argumento "anti", porque este não é anti-Corinthians, anti-Palmeiras ou anti-outro time, mas sim anti-futebol, anti-diversão, anti-torcida:

Argumento extra: "Olha que bobeira, vocês aqui discutindo futebol enquanto, em Brasília, os corruptos nos roubam".

Bom, primeiro, meus parabéns, você interrompe uma discussão importante para o torcedor para dar sua lição de moral nas pessoas. Excelente o seu comportamento.

Em segundo lugar, já passou pela sua cabeça, ó ser totalmente politizado que curiosamente está perdendo tempo no Facebook, que:
a- As pessoas não querem discutir corrupção em Brasília em pleno domingo de manhã?
b- O brasileiro, seja velho ou jovem, está pouco se lixando para a política?

Pois é, pela minha cabeça passa, e é por isso que, quando eu vou para discutir futebol, vou para discutir FUTEBOL, não para passar lição de moral sobre política nos outros, pois para isso há a escola e a família. Dizendo em português bem claro, ninguém é obrigado a te aguentar dando uma de pai dos outros e querendo falar sobre política com quem obviamente não está interessado. Discuta política onde isso for mais pertinente e com as pessoas CERTAS. Senão, ninguém vai te dar ouvidos mesmo, e você vai ficar com fama de demagogo, que é o que você merece, sinceramente.

Bom, era tudo isso. Se algum corinthiano viu que eu deixei passar algo, passem-me que eu adiciono depois a este post. Vejam os links aqui embaixo, pois há muita coisa interessante a se pesquisar por aí. Enfim, agradeço pela paciência, e um abraço para todos vocês, meus queridos leitores e minhas queridas leitoras.


Links:

História do S.C.Corinthians Paulista: http://www.campeoesdofutebol.com.br/hist_corinthians.html
História de Outros Clubes: http://www.campeoesdofutebol.com.br/index.htm

Sobre a Depredação da Avenida Paulista pelos torcedores do São Paulo: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u111069.shtml

Briga em Gre-Nal: http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI5745681-EI5030,00-Torcidas+brigam+entre+si+e+com+a+policia+antes+do+GreNal.html

Brigas entre Flamenguistas e Vascaínos:
http://www.estadao.com.br/noticias/esportes,briga-entre-vascainos-e-flamenguistas-provoca-uma-morte,919061,0.htm
http://esporte.band.uol.com.br/futebol/estaduais/noticia/?id=275777

Sobre o Mundial Interclubes de 2000: http://www.campeoesdofutebol.com.br/corinthians_mundial2000.html
http://www.campeoesdofutebol.com.br/mundial_clubes.html

Jogo São Paulo 1 x 0 Liverpool no Mundial de 2005 (Melhores Momentos - 2º Tempo):
http://www.youtube.com/watch?v=eEj2NptbRT4

Internacional 1 X 0 Barcelona no Mundial de 2006 (Melhores Momentos): 
http://www.youtube.com/watch?v=KUq0_64-SWg

Palmeiras 0 x 1 Manchester United no Mundial de 1999 ( Melhores Momentos):
http://www.youtube.com/watch?v=ryMqC824HUU

Vandalismo no Futebol - Jogo Aberto:
http://www.youtube.com/watch?v=qMvjU5cf3J0

Sobre Campeonatos que mudaram de regulamento ao longo dos tempos:
http://fisiculturismo.com.br/forum/topic/53086-cbf-confirma-mudanca-no-regulamento-do-brasileirao/
http://www.artigonal.com/futebol-artigos/campeonato-brasileiro-2003-a-estreia-do-sistema-de-pontos-corridos-6301980.html
http://www.mp.pe.gov.br/index.pl/clipagem20101001_mais

Sobre Calúnia, Difamação e Injúria:
http://www.advogado.adv.br/artigos/2000/barroso/caldifaminjuria.htm

*ininteligível: aquilo que não se pode entender (sabia dessa, piroca de concreto?)

13 de dez de 2012

Contestação e Merchandising.

Bom, pessoal, este aqui é outro post no blog, e este, ao contrário dos mais recentes,  será menos longo, porque não precisarei de muitas palavras para falar sobre o que quero falar hoje.

Primeiro, a contestação. Ontem, vi esta imagem do Danilo Gentili sobre algo que ele próprio tinha falado no Agora é Tarde, da BAND: http://www.facebook.com/photo.php?fbid=397203447022882&set=a.254705481272680.59148.137547819655114&type=1&theater

Ao ver esta imagem, e ao ver a natureza dos comentários de muitos "docentes" doutores em Economia e Contabilidade por EAF (Educação à Facebook), decidi esclarecer alguns pontos que falaram ali.

Primeiro, o povo, quando paga impostos, ao contrário do que o grande humorista Danilo disse, não está sendo feito de idiota, pois pagar impostos é comum em qualquer lugar do mundo. Não existe comunidade anárquica ou independente totalmente isenta de impostos no nosso modelo civilizacional. Para colocar no mesmo plano de ideias, nós falarmos que somos idiotas por pagar impostos seria o mesmo que um indígena falar que a sua tribo é formada por um bando de tolos que só ficam dividindo tudo com todos. Entendem o que quero dizer? Isso acaba sendo uma espécie de autofobia, o que vai sendo prejudicial para a sociedade ao longo dos anos.

Por esse mesmo motivo, imposto não é roubo, pois, além de ser uma prática estatal lícita, é dele que dependem os serviços de saúde, educação, segurança e outros tantos serviços ESTATAIS. Não creio, porém, que alguém vai querer, em sã consciência, tirar esse serviço de todos.

Também há a questão da boa gestão de recursos. Quanto a esse ponto, vou reproduzir aqui um trecho meu, presente no post Dois Debates e Uma Conversa, sobre o mesmo assunto: "[...]o nosso povo, em sua imensa maioria, paga, mas não fiscaliza seus parlamentares nem cobra deles a boa gestão dos recursos nacionais. Ou seja, culpar os impostos pela situação brasileira é fechar os olhos à nossa própria falta de cidadania."

Quanto à contestação, acho que já disse o suficiente. Caso alguém queira ver um pouquinho mais, aconselho o post que linkei acima. Está na hora, então, do Merchandising. Como vocês sabem, não sou um blogueiro que faz (ou completa) muitas séries. Tentei fazer uma série sobre a hipocrisia ambientalista, mas acabei perdendo o foco e só produzi o post Hipocrisias Ambientais Parte 1. Ainda produzi alguns posts com a mesma crítica, mas acabei esquecendo da ideia que tive, então ficamos por isso mesmo (rs).

Também ia fazer uma com sátira religiosa, mas, quando pensei que me dedicaria mais a ela, acabei mudando de opinião, o que me fez esquecer esse projeto. No fim, ficou apenas o semi-machadiano post Inutilia Truncat, do qual, mesmo tendo mudado de opinião, não me arrependo, por ser mais um post de humor do que um post sério.

Antes disso, porém, consegui engatar uma série de 3 posts de Retrospectiva do ano passado*, e essa série fez relativo sucesso com os leitores, que deram, em sua maioria, respostas muitíssimo positivas e que até pediram outra série.

Com tudo isso em mente, e também tendo em mente o fato de eu não ter abordado esse assunto mais demorada e detalhadamente (e por alguns leitores terem pedido também, rs), decidi fazer uma série sobre o assunto Religião. Todos vocês sabem meu posicionamento religioso, no caso, ateu agnóstico. Não vou, no entanto, fazer propaganda ateia, não vou explicar porque me tornei ateu (posso até cair nisso em um ou dois posts, mas não é o foco), não vou tentar fazer caveira de religiosos, nada disso. Esses posts são apenas o meu ponto de vista sobre esses assuntos, a não ser por um ou dois em que eu talvez fale com base em um aparato teórico-crítico, mas isso vocês vão perceber de cara (ou não, rs). Portanto, por favor, se tiverem qualquer discordância, tomem a liberdade de me contestar, afinal, este espaço é de vocês. São apenas minhas reflexões, o que significa que é possível que hajam erros/incoerências teológicas, filosóficas, sociológicas, ou outras.

Sem mais delongas, o nome da série, por enquanto, é "De frente com o Ateu"** (inspirado no programa "De frente com Gabi", do SBT), e eu falarei sobre os seguintes temas:

1- Ateísmo (X Teísmo X Antiteísmo)
2- Agnosticismo
3- Laicização e Secularização
 3.1- ADENDO "Surpresa"
4- Laicismo e Laicidade
5- Religião e Caráter
6- Post Final: Resumo da Série e links para os posts.

Logicamente, esta série está sujeita a alterações, mas quem deve fazê-las são vocês, dignos leitores. O único tema sobre o qual ainda não vou falar é o Neo-Ateísmo, tanto por ainda ter um pouco de raízes neo-ateias quanto por querer esperar até que haja um número razoável de estudos em língua nacional (ou pelo menos bem traduzidos) sobre isso. Repito, porém, que não é minha intenção fazer propaganda ou militância ateia com isso, e creio que vocês vão entender também logo de cara o porquê de eu dizer isso. Também aviso que não há uma data certa para o fim dessa série, pois não tenho sequer datas certas para postar, rs. Além disso, como não vou deixar de falar sobre outros assuntos, vou sempre colocar entre parenteses, nos títulos, o nome da série, para que lembrem deste post

Enfim, o post acabou ficando um pouco mais longo do que eu esperava, mas disse o suficiente nele. Obrigado pela paciência, esperem pela série (e por outros posts de outros temas também), e até a próxima oportunidade.

* Links para as postagens do fim do ano passado:

Parte 1
Parte 2
Parte 3

** Por favor, gente, se tiverem algum nome melhor para a série, também tomem a liberdade de dizê-lo, rsrsrsrsrsrs

ADENDO (ao post): Temas sugeridos

Religião e Sociedade

1 de dez de 2012

Sociedade Esportiva Palmeiras 2012: A volta do que era para ser

Boa noite, digníssimos leitores. Como andam as coisas?

Hoje, quase uma semana após meu último post, volto a postar para vocês. Já pelo título, vocês perceberam que o tema será radicalmente diferente dos temas que costumo abordar aqui. Afinal, todos sabemos que eu nunca falei palavra que fosse sobre esporte neste blog, quanto mais sobre futebol. A circunstância, porém, demanda que eu faça isso.

Para os que não sabem, hoje, 1 de Dezembro de 2012, foi o último jogo daquele que o meu time de coração, o Corinthians, tem como rival. Para quem gosta de futebol, nem preciso falar que estou falando do Palmeiras. Há, obviamente, uma grande rivalidade também com os outros grandes de São Paulo, o São Paulo FC e o Santos, mas acho que todos os corinthianos do bando de loucos concordam comigo que não existe sensação igual àquela de quando enfrentamos a Sociedade Esportiva Palmeiras. É uma questão de rivalidade histórica  que alguém que odeia (ou que não gosta de) futebol dificilmente poderá entender, assim como não entende qual é o sentimento que nos leva aos estádios ou até mesmo a ligar a televisão só para ver "22 caras correndo atrás de uma bola".

 Isso, porém, eu abordo em outra ocasião, pois vim aqui para falar um pouco sobre o time do Palmeiras em 2012. Antes de tudo, quero avisar que, ao contrário do que outros fizeram no Facebook, não vou tripudiar sobre a queda da Sociedade Esportiva com este post. Para alguém mais fanático, minha atitude seria de um corinthiano "falso", que não é "corinthiano de verdade".

Por isso, primeiro, vou dar a explicação que acho que devo sobre o porquê de eu não tripudiar isso. Para os que não sabem, não sou corinthiano de nascimento. Curiosamente, não fosse o Palmeiras, time para o qual torcia até os 5 anos de idade, eu sequer seria corinthiano.

Vou explicar melhor: até o 5 anos de idade, por influência de meu pai, o homem e torcedor que sem dúvida mais admiro (e em quem mais me espelho), eu torcia para o Palmeiras. Porém, aconteceu que, naquele ano (1999), Corinthians e Palmeiras se enfrentaram duas vezes por uma competição que acabamos de ganhar: a Copa Libertadores. Naquela ocasião, o Corinthians foi eliminado nos pênaltis pelo arquirrival. Curiosamente, no dia seguinte, tornei-me corinthiano não para ser do contra (como alguém mais conservador pode pensar), mas porque o Globo Esporte daquele dia passou, por alguns segundos, imagens da torcida corinthiana chorando com a eliminação. Aconteceu que, não sei porque, fiquei comovido com aquilo e decidir me juntar àquela torcida.

 Desde lá, são quase 14 anos como corinthiano. Isso significa que, se o Palmeiras não tivesse nos eliminado naquela ocasião, eu talvez sequer estaria falando em nós, pois não teria razão para ser corinthiano. Por isso, e, novamente, pelo fato de o meu pai ser palmeirense e ser um torcedor exemplar em todos os sentidos, não sinto outra coisa pelo Palmeiras a não ser gratidão. Fora isso, eu diria que o meu tempo de palmeirense me deixou uma "sequela", pois, ironicamente, minha cor predileta é o verde até hoje (o que, para um corinthiano, é muito irônico).

Esse já seria um motivo para eu não tripudiar sobre a queda palmeirense. No entanto, há dois outros que são bem mais fortes, sendo um mais compreensível para os corinthianos: a empatia. Como todos sabemos, o Corinthians caiu 5 anos depois da primeira queda do Palmeiras (2002). Foi aí  que eu entendi o sentimento de um torcedor cujo time estava rebaixado, e foi aí que eu entendi o que é ser torcedor e o que se sofre com um rebaixamento. Por este motivo em especial, eu me recuso a seguir a manada que zoa os palmeirenses.

O segundo motivo é bem mais futebolístico. É lamentável dizer isso, mas o futebol paulista perde muito com a queda do Palmeiras. Perdemos, para a série A do Brasileirão do ano que vem, o maior campeão de títulos nacionais e um campeão de Libertadores para disputar contra os outros estados fortes (por exemplo, o Rio de Janeiro). Para os corinthianos, a perda é muito maior, pois o superclássico Corinthians e Palmeiras só será certo em uma ocasião, que é o jogo pelo Paulistão 2013, o que é algo sinceramente triste.

Ainda assim, a perda maior não é imediata, mas pode ocorrer durante os próximos anos. É fato que os rendimentos do Palmeiras já não são suficientes para contratar bons jogadores até mesmo se estivesse na série A. Com a queda para a Série B, o time, que já andava vivendo de apostas, terá de apostar ainda mais em jogadores desconhecidos ou menos famosos, assim como fez o Corinthians em 2008. O detalhe é que, na época que caímos, a Série B era bem menos complicada. Não tivemos de enfrentar Paraná, Atlético-GO e outros times já experientes e sedentos por Série A que o Palmeiras terá pela frente em 2013. Isso significa que, para nós, apesar de tudo, fazer apostas era bem menos arriscado. Fora isso, sabemos que grande parte desse movimento corinthiano pela volta se deu por incentivos do nosso marketing. Fica aí a pergunta: Será que o marketing do Palmeiras conseguirá algo parecido?

Com isso, já me justifiquei longamente sobre o porquê de eu não gostar desse rebaixamento do nosso arquirrival. Mas, não era sobre isso que eu tinha vindo falar aqui. Quero, na verdade, dizer algo que vai surpreender muita gente, especialmente palmeirenses. Outros, entretanto, vão concordar comigo já de cara. Quero dizer que, na realidade, o Palmeiras de 2012 não só não tinha time para cair como era um dos melhores elencos brasileiros desta temporada.

Um leitor que aprecie o futebol tende a discordar de mim e até a ficar cético quanto ao que eu disser daqui pra frente, pois é fato que os resultados que o Palmeiras obteve neste Brasileirão não são os de um dos melhores elencos da temporada. Ainda assim, quem conhece um pouco de futebol sabe que bom elenco não significa necessariamente bons resultados. Para não ocupar muito espaço aqui e sair do foco, coloco no final alguns exemplos disso de épocas anteriores.

Bom, para provar meu ponto de vista, vou fazer aqui um "quadro" com todos os jogadores que o Palmeiras teve à disposição ao longo deste ano. Não vou listar, no entanto, aqueles que jogaram apenas um jogo desimportante, como alguns dos juniores que foram elevados a profissionais nos dois últimos jogos. Enfim, o elenco que o Palmeiras teve em 2012 foi esse:

Goleiros - Bruno e Deola
Zagueiros - Henrique, Thiago Heleno, Maurício Ramos, Leandro Amaro e Adalberto Román
Laterais - Direitos - Artur e Côrrea/Márcio Araújo ("Improvisados")
Laterais - Esquerdos - Juninho, Fernandinho (foi usado como meia em dois ou três jogos) e Leandro
Volantes - Côrrea, Marcos Assunção, Wesley (foi usado como meia depois, mas vou colocar na posição original), Márcio Araújo, João Vitor  e João Denoni
Meias - Valdívia, Daniel Carvalho, Tiago Real, Patrick Vieira
Meias-atacantes - Luan e Mazinho (foram usados em ambas as posições)
Atacantes - Barcos, Obina, Maikon Leite e Betinho

Vendo esses jogadores, podemos perceber que se trata de um elenco bem melhor que o de outros times, como Portuguesa, Náutico, Ponte Preta, Flamengo, os times rebaixados, Sport, Bahia e até mesmo que os elencos de Vasco, Cruzeiro e Santos. Se tentarmos montar o melhor time possível dentro desse elenco, teríamos um time que, sem dúvida, poderia ter disputado inclusive o título, pois temos jogadores como Henrique (ex-Barcelona), Thiago Heleno (zagueiro revelação habilidoso), três laterais-esquerdos de bom nível, três  excelentes batedores de falta (Marcos Assunção, Côrrea e Daniel Carvalho), um volante muito versátil e habilidoso (Wesley), 4 meias de alto nível, sendo um uma ótima relevação (Patrick Vieira), dois centroavantes de renome (Barcos e Obina) e três jogadores raçudos e habilidosos (Luan, Maikon Leite e Mazinho). Com isso, poderíamos montar a seguinte combinação:

Bruno
Artur
Henrique
Thiago Heleno
Juninho/ Fernandinho / Leandro
Côrrea
Marcos Assunção
Daniel Carvalho
Valdívia
Maikon Leite
Barcos

Em um esquema com três volantes, poderíamos ter Wesley no lugar de um dos meias.

Vemos, então, que jogadores habilidosos não faltavam no Palmeiras. Isso tanto era verdade que, no início do ano, uma reportagem do Globo Esporte elogiou o elenco do Palmeiras, atentando, inclusive, para o fato de esse time ter um banco de reservas muito bem frequentado. Também podemos citar o fato de o Palmeiras ter tido uma série de jogos de invencibilidade, sendo, por muitas rodadas, líder absoluto do Paulistão. Inclusive, enquanto era líder, duelou contra o rival São Paulo (o épico 3 a 3 do início do Paulistão) e só não ganhou por sorte do São Paulo. Mas, se eles eram tão bons, o que atrapalhou? É o que pretendo explicar aqui.

O que mais atrapalhou o time do Palmeiras foram, sem dúvida, as inúmeras lesões e a falta de condicionamento físico de alguns jogadores ( no caso, Daniel Carvalho e Valdívia), condicionamento que ficou ainda mais comprometido com as lesões. Henrique, Thiago Heleno e todos os outros que listei tiveram de passar semanas ou até mesmo meses no departamento médico. Há também o problema de que alguns dos jogadores que eu listei como disponíveis só chegaram após o meio do ano, quando o Palmeiras já estava em uma situação de risco. Outros, como Deola, foram negociados e nada puderam fazer pelo Palmeiras. Portanto, se formos refazer a lista de elenco disponível apenas com os jogadores que estiveram disponíveis durante todo o ano ou boa parte dele, teríamos:

Goleiro: Bruno
Lateral - Direito: Artur
Zagueiros: Maurício Ramos, Leandro Amaro, Román
Lateral - Esquerdo: Juninho
Volantes: Márcio Araújo, Marcos Assunção (com ressalvas) e João Denoni
Meias: Mazinho e Patrick Vieira
Atacantes: Barcos e Betinho

Aqui, já temos um elenco bem mais limitado, tanto em números quanto em futebol. Adicionemos a isso uma carga de pressão enorme e a exaustão física a que esses jogadores foram levados por ter de disputar tantos jogos. Coloquemos também o fato de muitos jogadores que voltaram de lesões terem de voltar sob pressão e sem as mesmas habilidades de antes. Sabemos, então, uma das razões para a queda palmeirense.

Ainda assim, cabe uma pergunta: Se o elenco era tão reduzido, como conseguiram, então, ganhar a Copa do Brasil e ganhar até mesmo do hoje vice-líder do campeonato brasileiro (Grêmio)?

Para isso, respondo que, além do fator da exaustão física ao longo do ano (afinal, a Copa do Brasil terminou relativamente cedo, após apenas 10 ou 11 rodadas do Brasileirão 2012), temos dois outros motivos.

O primeiro é o fator FASE. Todos já ouvimos falar que, quando a fase não é boa, a bola não entra no gol, o passe sai errado, o jogador lesiona e tudo mais de ruim pode ocorrer. Eu já tive essa experiência, como corinthiano, no final de 2003 (o histórico 6 a 1 que levamos do Juventude-RS é um exemplo), no começo de 2004 (o quase-rebaixamento no Paulistão), em 2006 e em 2007 (o ano do rebaixamento). Por isso, digo: quando a fase é ruim, não tem jeito. No caso do Palmeiras, era ainda pior, pois o time, mesmo desfalcado, chegava a dominar o jogo (e no geral era superior ao adversário), mas perdia nos últimos 20 minutos. Prova disso foram alguns dos últimos placares do Palmeiras, placares que selaram o destino alviverde:

Rodada 33: Internacional 2 X 1 Palmeiras (de virada)
Rodada 35: Palmeiras 2 X 3 Fluminense
Rodada 36: Flamengo 1 X 1 Palmeiras (empate do Flamengo nos últimos minutos - rebaixamento)

O segundo fator é o fator PRESSÃO. No começo do ano, e durante a Copa do Brasil 2012, o Palmeiras vivia uma situação não tão tranquila, mas tinha bem menos pressão do que no fim do ano. Podemos citar como acontecimentos que pressionaram os jogadores o quebra-quebra promovido no Pacaembu durante o clássico com o Corinthians e os vários atos de vandalismo que ocorriam rodada após rodada. Outra coisa a ser citada é a ineficiência de alguns dirigentes em manter um ambiente estável para o trabalho dos jogadores, atitude pela qual os dirigentes, incluindo o presidente, são diariamente criticados em programas esportivos como o Jogo Aberto, da BAND.

Antes de terminar, quero, porém, desconstruir um mito que vem sendo construído sobre o rebaixamento do Palmeiras. Nisso, inclusive, eu fico inclinado a discordar de alguns comentaristas do mesmo Jogo Aberto, como o Ulisses Costa (que eu considero um grande comentarista) e o Dr. Osmar de Oliveira (outro gênio dos comentários). A alegação que foi feita durante as semanas pré-rebaixamento foi a de que o Palmeiras não tinha elenco para disputar as duas competições (Brasileiro e Copa do Brasil), e que, portanto, deveria ter focado-se em manter-se na série A do Brasileiro. O detalhe é que, como já mostrei aqui, o Palmeiras tinha esse elenco. O erro, pelo menos em minha concepção, foi exatamente pensar que o elenco não conseguiria manter as duas disputas. Além disso, o que mais trouxe problemas não foi tanto a suposta falta de força do elenco, mas sim o número de lesões e a pressão que ocorreram quando o fim do ano se aproximava.

Concluindo, com o que vimos aqui, fica mais fácil entender o título deste post. Afinal, é a volta à Série B daquele que era para ser um dos melhores anos que o Palmeiras teve nos últimos tempos. Agradeço aos leitores que tiveram a paciência de ler todo este post e fico por aqui.

Ah, corinthianada que está zuando os palmeirenses, só um aviso: 2017 está aí. Não precisamos dessas zuações. Seria melhor se lembrássemos com orgulho dos clássicos com o rival que podemos perder para sempre.

 Enfim, boa noite, meus dignos leitores.


PS: Ficam aqui alguns links para vocês verem:

http://www.palmeiras.com.br/futebol/elenco.asp - Para os que quiserem ver o atual elenco palmeirense (foi de onde tirei um pouco dos nomes que pus naquelas duas listas)

http://www.lancenet.com.br/tabela/brasileiro2012/ - Para quem quiser ver a tabela do Brasileirão e os placares de cada rodada (lado direito da tela)

Uma crítica do Denílson (pentacampeão brasileiro, ex-Palmeiras e ex- São Paulo, atual comentarista do Jogo Aberto) ao modo como se deu a saída de Felipão do Palmeiras no meio do ano 

Perfeito desabafo do Ulisses Costa sobre o rebaixamento do Palmeiras em 2012.

Alguns exemplos de "supertimes" que não se deram tão bem em Brasileiros:

Flamengo - 1995 (Ataque dos sonhos - Romário, Edmundo e Sávio)
Corinthians - 2003 (Pós-derrota para o River Plate -ARG, na Libertadores)
Palmeiras - 2006 (Quase rebaixado com Juninho Paulista, Valdívia e outros)
Corinthians - 2006 (Pós-derrota para o River Plate -ARG, na Libertadores)
Santos - 2011 (Pós-vitória na Libertadores)
São Paulo - 2010 e 2011 (Time foi sendo desconstruído a partir do fim de 2009, mas ainda era de alto nível)