31 de dez de 2011

The End

Pois é, leitor amigo, acaba-se o ano de 2011. Mesmo estando este blog ainda por completar um ano de idade (afinal, o aniversário dele é 4 de Fevereiro, dia da primeira postagem e meu primeiro dia como blogueiro), consegui alcançar, graças a todos vocês, ótimos e expressivos resultados. 6000 visualizações em meros 10 meses não é pouca coisa, e sei que só consegui por causa de vossa fidelidade.
Mas, enfim, 2011 se encerra. Que venha 2012, e que venham resultados ainda melhores... para todos nós!

21 de dez de 2011

Retrospectiva 2011 Parte 3

Bom, pessoal, está é a terceira parte da retrospectiva. Acredito que todos vocês esperam por aquele texto bem longo e provavelmente muito chato.
Porém, desta vez é diferente. Ocorreu que, ao contrário de todos os outros posts deste blog, este aqui não havia sido preparado de antemão. Fiquei por dias tentando achar uma forma de colocar o sentimentalismo da terceira parte desta retrospectiva (a parte intimista), e percebi que não conseguiria colocá-lo em um texto normal. Aventurei-me então a fazer poesia para tentar passar o mínimo do meu muito obrigado a todos, tanto na vida real quanto online, que a mim foram fiéis amigos e leitores de todas as horas. Desde aqueles com quem já perdi o contato "olho no olho", como a aspirante a veterinária Laís Rigon, os futuros engenheiros Cássio Sversut, Caio Boneto, Mateus Bolinha e Patrick Brito e todos os outros do Salesiano, a aqueles com quem tive o privilégio de estudar nos últimos 7 ou 8 meses do ano, como os vestibulandos de Medicina Matheus Casquer (a quem desejo uma boa recuperação. Força, Casquer!) e Nicole Pires (também leitora deste blog) e os geniais Lucas Henrique, Mariana Figueiredo, Felippe Tadeu, Claudia Cardoso, Cindel dos Santos e tantos outros, só posso agradecer por todo o aprendizado que tive e por toda a lealdade e amizade que tiveram para comigo*
Bom, enfim, aqui vai a poesia. Aviso a todos que:
A- Não sou poeta. Realmente, não sou. Por isso, adaptei a poesia Se eu Morresse Amanhã, do romântico Álvares de Azevedo, para tentar exprimir um pouco do sentimento
B- Qualquer crítica é só comentar. Sério, se estiver muito ruim, acreditem, virá coisa pior, pois já tenho postagens prontas com o meu estilo de poesia
C- Obviamente, não consegui respeitar todas as rimas do poeta. Mudei um pouquinho o estilo para melhor adaptá-lo à situação. Afinal, Álvares foi pessimista, e eu não serei.
Enfim, aqui vai. O título da adaptação é Se o ano acabasse amanhã

Se o ano acabasse amanhã

Se o ano acabasse amanhã, conversaria com os manos
Sobre os tempos de Salesiano;
Onde estudei por quase três anos
E que nunca deixou meus pensamentos

Quantas alegrias tive no Universitário!
Desses tempos também estaria relembrando
Foram oito meses memoráveis
Quando aprendi bem mais que filosofias vãs

Quantos amigos e companheiros
Eu teria de deixar mais cedo
De católicos e espíritas a quem não segue um credo
Como estes dias passaram ligeiros!

Mas esta dor de despedida que me devora
Traz consigo uma ironia
De nenhuma ruim memória eu lembraria
Se o ano acabasse amanhã!

Bom, é isso. Muito obrigado a todos que tiveram a bondade de ler e ser seguidor deste blog ao longo de 2011. E, sem presunção por minha parte, mas, continuem seguindo. Afinal, 2012 promete.

*Coloquei Lealdade pois, para quem me conhece melhor, são notórios meu gosto e minha preferência por valores como lealdade, honra e justiça em relação a humildade e tantos outros valores morais religiosos




11 de dez de 2011

2011 e a Mídia: Depois da Tempestade... Pt 2

Caros apreciadores de “O Homem e a Crítica”, creio que um título como o que coloquei basta para vosso bom entendimento. Sem mais delongas, partamos aos fatos que negativaram a imagem da imprensa brasileira em 2011
Caso Rafinha Bastos
O comediante Rafinha Bastos foi, indubitavelmente, uma das figuras mais polêmicas do ano de 2011. Ocupando por diversas vezes o 1º lugar nos TT (Trending Topics) do Twitter, esse homem nunca hesitou em usar o direito democrático de liberdade de expressão, em uma atitude exemplar de desafio à censura ao humor, esta sendo advinda do “politicamente correto e ético”.
Porém, Rafael Bastos é mero membro de uma rede televisiva, e pouco pode fazer ao ter a maior parte da imprensa criticando-o após um simples exagero em uma piada envolvendo a decadente “cantora” e gestante Wanessa (Camargo). Além de dar visibilidade exagerada a uma artista cujas habilidades são questionáveis, a imprensa pôs em risco a qualidade dos programas “CQC” e “A Liga”, os quais têm a participação de Rafinha.
(a propósito, este texto foi escrito mais ou menos em Novembro, e só passei para o PC em 11/12/2011. Até hoje, como muitos de vocês já sabem, Rafinha não regressou à bancada do CQC)
Apoio à “Marcha Contra a Corrupção”? Ah, não
Serei o mais objetivo possível. Em 7 de Setembro (Independência do Brasil) e 12 de Outubro (Feriado Católico/Dia das Crianças), houve marchas contra a Corrupção vigente nas entranhas do país. E a imprensa apoiou, certo?
Errado! Especialmente após a segunda manifestação, somente um órgão, a revista VEJA, deu a abordagem séria e adequada para tal Marcha. Muitos outros jornalistas ou apresentadores que vivem pela fama menosprezaram o público participante dessa campanha, sem dizer uma única palavra de apoio ou divulgação de tais eventos.
Recusa a ideologias alternativas
Meus amigos, agora é hora de falar francamente. Que a maioria do povo tupiniquim desconhece conceitos como Socialismo, Comunismo, Populismo, Marxismo e Weberianismo, todos sabemos. Agora, quando a mídia recusa um ou outro conceito sem maiores explicações ou exalta alguma ideologia sem motivos aparentes, o elitismo predominante em muitos órgãos de imprensa mostra a face e torna muitos pontos de vista e notícias ideologicamente inacessíveis às massas.
Pouco apoio ao Voto Distrital e outros
Após o absurdo ocorrido nas eleições de 2010, em que menos de 40 dos mais de 500 representantes legislativos foram eleitos apenas com os próprios votos e muitos destes (como o agora deputado Tiririca) foram usados para “auxiliar” políticos retrógrados e corruptos a voltar ao poder, alguns partidos e organizações começaram a divulgar novos sistemas de votação eleitoral, como o Voto Distrital e o Voto Proporcional. E a mídia, o que fez?
Quase nada. Apenas as revistas impressas, as quais são pouco acessíveis à população, tanto geograficamente quanto intelectual e culturalmente, fizeram manifestos pró-votações alternativas. Em contrapartida, as mídias televisivas, hoje mais acessíveis ao povo, quase não se pronunciaram sobre o tema.
Há também este blogueiro que não se pronunciou até o momento. Não me livrarei de tal culpa, pois poderia ter feito uma postagem sobre o assunto. No entanto, fá-la-ei no ano que vem. Por enquanto, apenas declaro-me um aliado do Voto Distrital.
Bom, é isso, caros leitores. Tenho ciência de que esta retrospectiva possa cheirar a charlatanismo ou enrolação. Asseguro-lhes do contrário, mas me comprometerei a fazer algo menos “subjetivo” e mais jornalístico em 2012. Até lá!

1 de dez de 2011

2011 e a Mídia: Depois da tempestade... Pt 1

Prezados leitores de "O Homem e a Crítica", creio dever-lhes uma explicação sobre o título deste post. Planejei fazer um retrospecto o qual englobasse todos- ou pelo menos os mais importantes- fatos ocorridos em âmbito nacional, internacional e até mesmo local. Entretanto, por falta de tempo e de planejamento, a intenção não se consumou.Ainda assim, após ter este blog tantas visualizações e tantos comentários de apreciadores e amigos, acredito ter o dever de e a total capacidade para postar uma retrospectiva digna de vós. Então, decidi dividir este longo texto em 2 partes (1/12/2011 e 11/12/2011) e fazer um outro um pouco mais intimista.
O tema deste longo retrospecto pode ser surpreendente para alguns. Falarei sobre a mídia, ou meios midiáticos, como quiserem, e sua atividade neste ano.
Eu reitero que o leitor mais desavisado pode perguntar: "Ora, falar sobre a Mídia? Explique-se, Octávio!'. Não só respondo como esclareço. É ponto pacífico que a mídia teve uma importante função no ano de 2010, sendo que esta se "resumia" a cobrir dois eventos importantíssimos para o Brasil (No caso, a Copa do Mundo e as Eleições Presidenciais). Para a maioria, também é ponto pacífico a competência dos meios midiáticos em tal cobertura. Porém, após tão intensa tempestade de informações e notícias, naturalmente viria uma calmaria no ano seguinte. Tendo tudo isso em mente, decidi analisar o trabalho da imprensa neste ano de "bonança".
Esta primeira parte abordará apenas os aspectos positivos da imprensa em 2011. Mesmo contra a vontade e expectativa de alguns censores tacanhos, a maior parte deste órhão imprescindível para qualquer democracia consolidada acabou por, em variadas ocasiões, cobrir de modo impecável vários dos acontecimentos deste ano. Abaixo vão algumas provas para a minha tese:
Corrupção nos Ministérios
Cito este como meu primeiro argumento. Após a eleição de Dilma Vana Rousseff, formou-se um novo time de ministros, além do advento de novos ministérios. Algumas mídias, como a revista VEJA, estiveram atentas a cada passo dos ministros, e não decepcionaram. De Antônio Palocci (Casa Civil) a Orlando Silva (Esportes), as redes televisivas e outros denunciaram e comprovaram cabalmente o nível de corrupção instalado nas entranhas ministeriais por anos a fio
Abordagem Crítica de Tragédias
Todavia, concordarei com os mais céticos os quais rotulam o falar crítico sobre corrupção como tarefa relativamente fácil se comparada a outras, como a abordagem crítica de todo tipo de tragédia.
Opa... Mas a imprensa tupiniquim também fez tal abordagem. Dos acidentes com reatores nucleares em Fukushima- JP aos deslizamentos de terra no Rio de Janeiro. do norueguês fundamentalista o qual cometeu atentados na capital norueguesa ao problemático e emblemático assassino responsável pelo Massacre de Realengo, fez-se um intenso trabalho de busca por informações coerentes e de redação de artigos críticos os quais ajudaram a trazer luz a tais assuntos.
Campanhas contra o Preconceito
"O preconceito é o filho do medo, o medo do diferente". Lya Luft, uma das maiores escritoras do Brasil contemporâneo, definiu com uma só frase qualquer preconceito existente. Ela, porém, só deu a definição. Coube às mídias combater tal "medo".
Desde as declarações polêmicas e homofóbicas do deputado Jair Bolsonaro durante entrevista para o quadro O Povo quer Saber, do programa Custe o que Custar, a imprensa vem dando um competentíssimo enfoque à questão da homoafetividade. Como resultado desse enfoque as conquistas civis dos homossexuais, como o direito de união estável legal e a adoção de filhos, vieram a ocorrer de modo mais rápido do que aconteceriam sem a ajuda midiática.
Movimento #VergonhaRioPreto
No mês de Agosto, após a apresentação de três controversos projetos na Câmara de Vereados de São José do Rio Preto (sendo eles o aumento no número de vereadores, a elevação do salário dos mesmos e do prefeito e a contratação de funcionários "apadrinhados"), a imprensa regional posicionou-se como defensora da população e deu voz ao movimento Vergonha Rio Preto.
O resultado foi favorável ao povo. Mesmo com a aprovação da contratação de apadrinhados, os outros dois projetos foram vetados e subsequentemente arquivados. Mais uma vitória para a democracia, para o povo e para a justiça.


Encerro por aqui esta primeira parte. Dia 11: Parte 2 




21 de nov de 2011

Epitáfio

“A todos os republicanos que já habitaram esta nação,
E que um dia sonharam ingenuamente com um governo
O qual de modo genuíno respeitasse o povo e
Trouxesse progresso socioeconômico ao país”

República Brasileira
Nascimento: 15/11/1889
Óbito: 15/11/1889

A mensagem não poderia ser mais clara. De Benjamin Constan (O positivista) e o golpe militar de 1889 aos dias atuais, pouco se pode dizer de positivo da “República” Brasileira. Ao invés de trazer Ordem e Progresso – mensagem, aliás, patética, ao se perceber a carga de militarismo ditatorial e alinhamento irracional ao Capitalismo-, a República só pode observar enquanto governantes corruptos e incompetentes utilizavam-se ou não da Democracia e espalhavam caos, pobreza e miséria.
República, meus amigos, está para o Brasil assim como a Democracia sempre esteve para o Oriente Médio, ou seja, como um sistema que pouco efeito faz. República funciona, é claro. Mas o funcionamento dela no Brasil é irrisório. O povo pouco decide, e os governantes com uma carga nojenta de Populismo têm medo de promover avanços ao país. Como poderia uma República funcionar em um país cujos filhos fogem descaradamente à luta? Se não há coerência com o próprio hino, como haverá coerência com uma forma de governo com tais demandas?

11 de nov de 2011

“Dialeticando” com Luiz Felipe Pondé

Caros leitores, fãs e até mesmo apreciadores intermitentes deste blog. Vou dar uma explicação sobre o título deste post já de antemão. Meses atrás, tive a oportunidade de ler nas Páginas Amarelas da revista VEJA uma entrevista com Luiz Felipe Pondé, filósofo brasileiro, colunista do jornal Folha de São Paulo e professor da Faap e da PUC- SP. Porém, mesmo com pontos de vista interessantes, ouso discordar desse filósofo. Por isso, o título desta postagem. Farei uma dialética (oposição de ideias) com esse pensador por meio de respostas a alguns dos vieses dele e até mesmo a algumas partes da introdução dada por VEJA. Enfim, boa leitura.

VEJA- “Seja na sua coluna semanal da Folha de S.Paulo, seja em livros como o recém-lançado “O Catolicismo Hoje (Benvirá)”, ele sabe se comunicar com o grande público sem baratear suas ideias”

RESPOSTA- Justos os elogios desprendidos a esse filósofo pela revista. Todavia, há uma ideia um tanto vaga no excerto: Para essa mídia, o que seria um “barateamento de ideias?”. Todos sabemos das opiniões de VEJA. Porém, falar em “barateamento de ideias” torna-se até mesmo sofismático quando não se define parâmetros para tal.

VEJA- “Pondé é um crítico da dominância burra que a esquerda assumiu sobre a cultura brasileira”

RESPOSTA- Absolvam-me os críticos capitalistas a esse suposto regime de esquerda, mas devo discordar e afirmar categoricamente que a cultura brasileira não tende para a esquerda, e sim para a direita. Uma das maiores preocupações da esquerda relaciona-se com o acesso à cultura para todos. Afinal, parafraseando uma música de Gilberto Gil, os proletários têm direito à educação e cultura, o que é uma pregação esquerdista.
Enquanto isso, a cultura (ou a negligência exercida por alguns governos para com a mesma) quando transformada em instrumento de dominação (o caso brasileiro) e de segregação social, torna-se direitista.
O máximo que se pode alegar sobre a cultura brasileira é que a mesma é populista. Porém, por mais que alguns sofistas teimem com essa ideia, o Populismo representa muito pouco da verdadeira esquerda. Seria uma pseudo-esquerda.
E, além disso, é muito difícil ter uma dominância cultural esquerdista em um país que tem asco à esquerda, mesmo sem conhecê-la.

LUIZ FELIPE PONDÉ- “*Um jantar inteligente* É uma reunião na qual há uma adesão geral a pacotes de ideias e comportamentos. Pode ser visto como a versão contemporânea das festas luteranas na Dinamarca do século XIX, que o filósofo Soren Kierkegaard criticava por sua hipocrisia. Esse vício migrou de um cenário no qual o cristianismo era a base da hipocrisia para uma falsa espiritualidade de esquerda. Como a esquerda não tem a tensão do pecado, é pior do que o cristianismo”

RESPOSTA- Até a parte em Itálico, uma resposta muito informativa. Porém, a partir do ponto em itálico, essa resposta virou uma falácia completa.
Primeiro: Espiritualidade de esquerda? Caro filósofo, existe grande diferença entre a esquerda genuína e a demagogia. Apontar que a hipocrisia migrou do cristianismo (alegação que para alguns é uma meia verdade) para uma falsa espiritualidade de esquerda sem argumentação é um sofisma completo.
Segundo: Pondé, colocar o cristianismo acima da esquerda por causa da tensão do pecado sem fazer ponderações necessárias é uma inverdade, para dizer o mínimo. Afinal, o pecado pode tanto ajudar quanto atrapalhar. Lembre-se que vivemos em um mundo o qual precisa urgentemente de ações, e não de pregações. E pondere também que, enquanto a esquerda propõe mudanças radicais que se executadas podem beneficiar a muitos, o cristianismo propõe paciência e esperança, algo dificílimo em um mundo tão desigual e pobre para muitos.

LUIZ FELIPE PONDÉ- “A esquerda é menos completa como ferramenta cultural para produzir uma visão de si mesma. A espiritualidade de esquerda é rasa. Aloca todo o mal fora de você: o mal está na classe social, no capital, no estado, na elite. Isso infantiliza o ser humano. Ninguém sai de um jantar inteligente para se olhar no espelho e ver um demônio. Não: todos se veem como heróis que estão salvando o mundo por andar de bicicleta”

RESPOSTA- Lembre primeiro, caro professor, que a espiritualidade deve ficar a cargo de religiões e (principalmente) de doutrinas filosóficas. Apesar de religião e política terem uma intrínseca relação por serem duas das coisas mais importantes para o ser, a mistura das duas (seja em governos teocráticos ou quando as religiões são usadas para justificar guerras e outros atos) sempre trouxe resultados catastróficos. Não é preciso voltar muito tempo na história para presenciar tal fato. (Exemplo: O Tribunal do Santo Ofício, apoiado por vários reis durante a era medieval e moderna).
Outro fator reside na típica falácia das supostas pregações de esquerda. Primeiro: a esquerda prega realmente que o mal está na classe social, no capital, no estado, na elite. Porém, a mesma corrente ideológica também prega que os trabalhadores não devem ser omissos com relação a esse mal, e por isso devem unir-se e agir politicamente para mudar tal quadro.
E, não, a esquerda ainda não tem pregações relacionadas ao meio ambiente.

PONDÉ- “Não há um pensamento alternativo à tradição de Rousseau, Hegel e Marx. Tenho um amigo que é dono de uma grande indústria e cuja filha estuda em um colégio de São Paulo que nem é desses chiques de esquerda. É uma escola bastante tradicional. Um dia, uma professora falava da Revolução Cubana, como se esse fosse um grande tema. Ela citou Che Guevara, e a menina perguntou: “Ele não matou muita gente?”. A professora se vira para a menina e responde: “ O seu pai também mata muita gente de fome”. O que autoriza um professor a usar esse tipo de argumento é o status quo que se instalou também nas escolas, e não só na universidade. O infantilismo político dá vazão e legitima esse tipo de julgamento moral sumário”

RESPOSTA- Tchê, tchê, tchê, quanta falácia junta.
Pondé, não sei se vivemos na mesma sociedade sinceramente. O que possibilitou tal julgamento não foi qualquer tipo de “infantilismo político”. O que possibilita esse e outros julgamentos é a sociedade em si. Ora, como você mesmo disse, uma menina estuda em um colégio tradicional e de boa qualidade. Quantos outros desejariam a mesma sorte, mas não podem tê-la, já que a sociedade e o sistema exigem demais de quem mal tem o que comer e pouco recompensam a exigência?
Ainda que involuntariamente, você culpa o próprio brasileiro pela situação do país. O grande problema do pensamento brasileiro é a recusa por revoluções. Durante o período Joanino, e até mesmo em outros, só ouvi falar em duas verdadeiras revoluções que ganharam adesão popular, mesmo que insuficiente: A Conjuração Baiana de 1798 e a Insurreição Pernambucana de 1817. Esse é o problema. Seja por piedade, desesperança ou misericórdia pela vida alheia, o povo brasileiro recusa-se a lutar pelos seus direitos, mesmo pacificamente. Por isso, muitos pensadores brasileiros não conseguem enxergar revolucionários como Che Guevara fora da visão de um mero criminoso. Che Guevara lutou... E o Brasil devia seguir o exemplo. Não falo de luta para instalar qualquer regime político. Falo de luta por mudanças, por maior seriedade e menor monopolização da política brasileira por algumas famílias.
A pobreza do povo dá vazão a esse tipo de julgamento. Então, não, infantilismo político pouco tem a ver com isso.

PONDÉ- “O mundo das ciências humanas, em que há pouco dinheiro e se faz pouca coisa, é dominado pela esquerda aguada. Há muito corporativismo e a tendência geral de excluir, por manobras institucionais, aqueles que não se identificam com a esquerda. Existe ainda a nova esquerda, para a qual não é mais o proletariado que carrega o sentido da historia, como queria Marx. Os novos esquerdistas acreditam que esse papel hoje cabe às mulheres oprimidas, aos índios, aos aborígenes, aos imigrantes ilegais. Esses segmentos formariam a nova classe sobre a qual estaria depositada a graça redentora. Eu detesto política como redenção.”

RESPOSTA- Pergunto ao filósofo qual o erro do suposto “novo pensamento esquerdista”. A não ser que a lógica capitalista pregue a mulher sendo oprimida somente porque quer, índios e aborígenes como mais perigosos se comparados aos homens brancos e que todo imigrante ilegal faz-se ilegal por ser mau-caráter, devendo por tal motivo ser deportado de volta ao próprio país, no qual provavelmente ocorrem “regimes de esquerda” os quais deprivam seus habitantes de qualquer oportunidade.

PONDÉ- “O cristianismo, que é a religião hegemônica no Ocidente, fala do pecador, de sua busca e de seu conflito interior. É uma espiritualidade riquíssima, pouco conhecida por causa do estrago feito pelo secularismo extremado”

RESPOSTA- Secularismo do qual os cristãos da Idade Média são culpados, e que até hoje infecta a mente de muitos.
Além disso, já que o senhor se manifesta contra a hipocrisia alheia, caro pensador, peço-lhe que responda, sem hipocrisia, se acha possível que o trabalhador, o qual trabalha muitas vezes 12 horas por dia, de segunda a sexta, correndo o risco de ser demitido por qualquer deslize e ao mesmo tempo pensando em como estão seus familiares em casa, possa ter motivação para se preocupar com qualquer espiritualidade.
O trabalhador, qualquer que seja sua área, merece mais. Antes de exigir intelectualidade e busca por espiritualidade, reformas trabalhistas são essenciais.

PONDÉ- “Ao lado de sua vocação repressora institucional, o cristianismo reconhece que o homem é frágil, fraco”

RESPOSTA- Primeiro, L. Felipe Pondé, creio ser contraditório defender categoricamente a espiritualidade riquíssima de uma religião e ao mesmo tempo admitir a vocação repressora institucional da mesma. O espírito é ilimitado. Colocar barreiras institucionais a ele é prova de falta de espiritualidade.
Segundo, você não aponta uma virtude cristã com a última frase. Aponta sim um problema. Até hoje, nem as religiões nem as ciências conseguiram provas perenes dos verdadeiros limites do homem. Só é frágil e fraco o homem que quer ser frágil e fraco. Discordarei de uma frase do escritor português Fernando Pessoa parcialmente. Todo homem é sim uma ilha. Afinal, toda ilha tem seus mistérios. Um dos mistérios do homem reside em suas capacidades.
Logo, falar em homem frágil e fraco é pensar de modo obsoleto e falacioso.

PONDÉ- “As redenções políticas não tem isso. Esse é um aspecto do pensamento de esquerda que acho brega. Essa visão do homem sem responsabilidade moral. O mal está sempre na classe social, na relação econômica, na opressão do poder”

RESPOSTA- A esquerda nunca afirmou que o homem não tem responsabilidades morais. Existe diferença entre culpar instituições e livrar os homens de qualquer responsabilidade, seja social, política ou até mesmo moral.

PONDÉ- “Na visão medieval, é a graça de Deus que redime o mundo. É um conceito complexo e fugidio”

RESPOSTA- Claro, um conceito complexo e fugidio o qual desmerece completamente os esforços humanos e seus progressos e que foi usado como uma fonte de motivação para a repressão cristã aos pensamentos divergentes, a qual durou mais de 1000 anos.

PONDÉ- “Não se sabe se alguém é capaz de ganhar a graça por seus próprios méritos, ou se é Deus na sua perfeição que concede a graça”

RESPOSTA- Meu caro, falar em méritos em uma época medieval na qual meros questionamentos tornavam-se razões para a morte é um pouco contraditório. Ter mérito não é se omitir. Ter mérito é lutar. Afinal, como diriam alguns dos versos da Canção dos Tamoios, de Gonçalves Dias: “Não chores meu filho, que a vida, a vida é luta renhida. Viver é lutar”

PONDÉ- “Em qualquer hipótese, a graça não depende de um movimento positivo de um grupo. Na redenção política, é sempre o coletivo, o grupo, que assume o papel de redentor. O grupo, como a história do século XX nos mostrou, é sempre opressivo”

RESPOSTA- Se esse for realmente o pensamento cristão da época, eles entraram então em uma contradição sem precedentes quando se adota hipocrisia como o critério. Movimentos políticos não são válidos, mas prometer “vagas no céu” era válido?

Além disso, os grupos do século XX quase nunca pegaram países em franca expansão. Adicionalmente, generalizações são extremamente perigosas. Afinal, existem vários tipos de opressão, não é, Pondé?

PONDÉ- “Ninguém, em nenhuma teologia da tradição cristã – nem da judaica ou islâmica -, pode dizer-se santo. Nunca. Isso na verdade vem desde Aristóteles: ninguém pode enunciar a própria virtude. A virtude de um homem é enunciada pelos outros homens”

RESPOSTA- Então... O seu argumento teológico tende a ser falacioso para muitas situações, Pondé. Ora, usar um dos pensamentos de Aristóteles, misógino famoso por seu desprezo para com os seres supostamente inferiores (como escravos, mulheres, entre outros), para defender qualquer coisa é muito arriscado. Além disso, ser virtuoso não se iguala a santidade. Existem várias virtudes. Um homem que não enuncia suas virtudes pode perder grandes chances em sua vida por ter se subestimado demais por muito tempo.
Autopromoção de virtudes? Claro, mas com sabedoria.

PONDÉ- “O clero da esquerda, ao contrário, é movido por um sentimento de pureza. Considera sempre o outro como o porco capitalista, o burguês...
Não há contradição interior na moral esquerdista. As pessoas se autointitulam santas e ficam indignadas com o mal dos outros”

RESPOSTA- As razões da esquerda não são tão óbvias, L. Felipe Pondé. Os esquerdistas querem mudanças. Entretanto, recordemos: Os verdadeiros esquerdistas tentam lutar por mudanças. Os outros simplesmente fogem da luta, e esses são na verdade os que se intitulam santos.

PONDÉ- “*Sobre acreditar em Deus* Sim. Mas já fui ateu por muito tempo. Quando digo que acredito em Deus, é porque acho essa uma das hipóteses mais elegantes em relação, por exemplo, à origem do universo”

RESPOSTA- Perdoe-me, mas acreditar em Deus por mera questão de “elegância” da hipótese de existência do mesmo é um pouco fútil, algo que o senhor tanto critica.

CLARIFICAÇÃO NECESSÁRIA- O autor deste blog é teísta/deísta. Logo, acredito sim em Deus, mas em um Deus diferente daquele das tradições religiosas

PONDÉ- “Só alguém muito alienado pode acreditar em si mesmo”

RESPOSTA- Como acreditar em qualquer coisa ou pessoa sem acreditar em si mesmo?

PONDÉ- “Para mim, a religião é uma fonte de hábitos morais, e historicamente oferece resistência à tendência do estado moderno de querer fazer a cura das almas, como se dizia na Idade Média- querer se meter na vida moral das pessoas.”

RESPOSTA- Uma fonte de hábitos morais que:
A-    Já cometeu vários crimes contra a humanidade
B-    Usou-se da fé humana para construir obras faraônicas
C-    Já guerreou por mais de 2000 anos, sacrificando muitos fiéis, pela causa mundana de expansão religiosa
D-    Impede o laicismo pleno em muitas nações até os dias atuais


Bom, essa é a minha resposta ao filósofo e professor Luiz Felipe Pondé. Seria pedir demais que o mesmo prestasse atenção a este blog tão pequeno em importância, seja política ou social, e venha a usar seu merecido direito de resposta. Mas, quem sabe...
Nem pedirei para tal filósofo não processar este humilde blogueiro. Afinal, qual filósofo digno, que deve por bem defender a pluralidade de ideias e ideais, processaria um mero blogueiro por “dialeticar” com as ideias do mesmo?
Obrigado pela atenção, caro leitor. Espero que tenha gostado, e estou preparado para as críticas

1 de nov de 2011

Norma Culta Maravilha, nós gostamos de você...

Prezados leitores, neste post falo sobre Nossa Língua Portuguesa. O título entrega meu posicionamento sobre o tema. Caso queiram saber de onde veio a inspiração, acessem: http://educacao.uol.com.br/bancoderedacoes/norma-culta-x-variantes-linguisticas-qual-deve-ser-a-posicao-da-escola.jhtm
Aqui vai o texto:
Dos filhos desta língua, és mãe gentil

Há alguns meses, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) da nação brasileira divulgou publicamente a nova cartilha de ensino de língua portuguesa para as escolas públicas em todo o território nacional. O livro “Por uma vida melhor”, da escritora Heloísa Ramos, adotado pelo MEC como referencial de ensino para as instituições apresentava, além da norma culta padrão do idioma, excertos com uso de linguagem coloquial e uma defesa do uso desta forma de comunicação, alegando que a norma culta faz-se um instrumento de dominância para as elites e que correções a quem fala tal norma inadequadamente constituem-se em “preconceito lingüístico”.
Caso tal livro seja realmente levado a sério, pode-se afirmar concisamente que ocorrerá uma censura ao verdadeiro ensino como um todo. Torna-se contraditório disseminar tais falácias pelas instituições de educação, as quais devem ter posicionamento avesso a toda e qualquer forma de aculturação para com seus estudantes.
Claramente, as variantes lingüísticas devem ser aceitas. Porém, afirmar que a norma culta padrão do idioma apresenta-se como um instrumento de dominação usado pelas camadas mais altas e por isso não disseminá-la às classes menos privilegiadas constitui-se uma hipocrisia burra ( ao se considerar que, quanto maior ascensão social há em um país, melhor torna-se sua imagem mundial e mais esse país pode lucrar com trabalhadores mais especializados) e até mesmo inconstitucional (por ferir o direito à educação de qualidade).
Em síntese, as escolas devem respeitar igualmente todas as variantes da língua. Porém, não há necessidade de ensinar tais coloquialidades, já que brasileiras e brasileiros usam as mesmas na maioria das situações. E salve a Língua Portuguesa, de cujos filhos é mãe gentil!

31 de out de 2011

Um debate entre "titãs"

Bom, amigos leitores, este post de 31 de Outubro será um tanto inovador. Há mais ou menos um mês, tive um debate com um colega dos tempos de Salesiano (Para o pessoal do Salê: Sim, é o Patrick) no qual focamos a figura de Deus entre outras tantas coisas. Sendo ele ateu e crítico de todas as religiões e eu também crítico mas deísta, creio que vocês já sabem o tom em que falamos.
Aviso: Ao pessoal do politicamente correto, há algumas brincadeiras durante esse debate. Aprendam a discernir brincadeira de preconceito antes de continuar a ler
Bom, aqui vai o debate:

Octávio diz:
Qual seria a reação dos cristãos se o público ateu ou deísta começasse a fazer suas "propagandas ideológicas" no Face?
 Digo, os cristãos são cheios de colocar mensagens com Deus e tal
 e se os Deístas mostrassem outro lado?
 E se os ateus dessem um passa-fora na hipocrisia e também fizessem o seu "show"?
Patrick diz:
 em que está pensando?
Octávio diz:
 é só um questionamento
 por qual razão?
Patrick diz:
 eu acho que seria inútil
 por melhor que sejam nossos argumentos
 os cristãos por inércia preferem tapar os ouvidos
Octávio diz:
 Será que eles se sentiriam provocados?
 Concordo
Patrick diz:
 eles não querem pensar racionalmente
 eis a questão
Octávio diz:
 também
 por isso que saí do Cristianismo
Patrick diz:
 e já é ateu?
Octávio diz:
 Não
 Preferi optar pelo Deísmo
 ou Teísmo, como preferir
Patrick diz:
 pensa comigo
 acompanhe meu raciocínio
 e diz se concorda ou não
 posso começar?
Octávio diz:
 Claro
Patrick diz:
 para ser Deus é preciso ser onipotente, onisciente e onipresente
 e o mais importante na minha linha da raciocínio é a onisciência
 se Deus é onisciente antes de criar o universo e a humanidade Deus sabia de tudo o que ia acontecer
 as guerras, a fome, as secas, as matanças, o holocausto, enfim, Deus sabia de tudo
 Deus sabia que o homem iria se corromper
 Deus sabia que nada sairia bem
 eu, por exemplo, sei que se eu colocar um objeto na bolsa de alguém e denunciá-la vou prejudicar essa pessoa
 eu posso escolher ou não fazer isso
 e se fizer serei malvado e perverso
 então Deus quando fez a humanidade sabia de tudo o que ia acontecer
 então ele foi mau e perverso
 logo Deus não é bom e muito menos justo
 se você ler o Antigo Testamento
 lerá um Deus exatamente assim
 malvado, perverso, egoísta, vingativo
 e o egoísmo de Deus chega ao egocentrismo
 porque se ele sabia que tudo isso ia acontecer, por que veio ao mundo como Jesus?
 para satisfazer a si mesmo
 engrandecer a si mesmo
 Judas não é o vilão da história
 porque era preciso que Judas traísse e entregasse Jesus para que ele pudesse morrer por nós
 então Deus cria uma humanidade que ele sabe que vai pecar, depois se transforma em homem para morrer por esses pecados, induz Judas a traí-lo, morre na Cruz... para impressionar quem? Ele mesmo? Para mostrar a si mesmo o quanto é poderoso?
 Que Deus é esse?
Octávio diz:
 Concordo plenamente
 lógico que, pelo menos para mim, justiça é valor relativo
 Mas, taí o detalhe: o meu "Deus" não é o cristão
 Teísmo não demanda isso
Patrick diz:
 então seu Deus não tem nada a ver com o Antigo Testamento, nem o Novo Testamento?
Octávio diz:
 Exato
 Lógico que é uma visão particular
Patrick diz:
 é onisciente?
Octávio diz:
 Na verdade, eu nem sei qual seria a definição da onisciência do meu Deus
Patrick diz:
 sei
Octávio diz:
 Porque, veja bem
Patrick diz:
 é uma convicção um pouco nebulosa
 mas é muito melhor
Octávio diz:
 Deus, pelo menos para mim, não vai te punir caso você faça algo errado
Patrick diz:
 deixe-me entendê-lo
Octávio diz:
 eu creio em que, mesmo que alguém "peque" ou cometa um crime, Deus tem vários destinos já preparados para essa pessoa
 mas não ocorre punição
Patrick diz:
 Deus para você é um design inteligente que criou o mundo, mas não interfere nesse mundo, não faz papel de júri, reú, nem platéia
Octávio diz:
 isso
 Deus fica lá só de boa tomando umas "cerva"
Patrick diz:
 mas acredita em vida após a morte?
 ou alguma coisa assim?
 pois fala em destino pós-morte
Octávio diz:
 Acredito que Deus te julgará, um dia, não por seus pecados
 mas por suas ações
 por exemplo, se para mim existisse o "inferno", os omissos seriam os primeiros a rodar
Patrick diz:
 acredita que ele o fez a imagem e semelhança?
Octávio diz:
 Não
 acredito mesmo em que Deus deixou várias vias diferentes de evolução
Patrick diz:
 mas para você existe um conjunto de valores que são independentes de qualquer civilização?
Octávio diz:
 e, em uma delas, "aconteceu" o homem
 Como assim?
Patrick diz:
 e que esses valores vêm de Deus?
 porque se Deus faz um julgamento de suas ações
 ele precisa ter um conjunto de valores que ele julga certos
Octávio diz:
 A honra, por exemplo, é um
 A justiça é outro
 a não-omissão é outro
 o desprezo ao falso moralismo
 e o RESPEITO pelo outro ser
Patrick diz:
 será que você não precisa atribuir esses valores a um design inteligente?
 claro
 não sabemos as raízes de nossos valores
 em um mundo regido por leis darwinistas
Octávio diz:
 Sim, eu atribuo
Patrick diz:
 não matar o outro por um senso de justiça é algo que não vem da natureza
Octávio diz:
 Sim
 Mas Deus não te força a isso
 prova é que existem pessoas que promovem matanças em larga escala
 ele tem os valores para te julgar
Patrick diz:
 mas você concorda comigo que se isso viesse de Deus porque não absorvemos isso há muito mais tempo?
Octávio diz:
 mas ele está mais preocupado com suas ações
 Não, eu discordo
 Deus, meu amigo, não é uma ideia inata
Patrick diz:
 é só olhar sociedades mais antigas
 Esparta, por exemplo
Octávio diz:
 e os valores de Deus, por conseguinte, também não
Patrick diz:
 o senso de justiça deles era diferente do nosso
 e porque o nosso é o certo?
 por que *
 por que o nosso vêm de Deus?
Octávio diz:
 Quem disse que o nosso é o certo?
Patrick diz:
 se o nosso vem de Deus
 é o certo
 ou estou errado?
Octávio diz:
 Eu falei de justiça, honra e talz, mas eu não sei quais os conceitos de Deus para isso
Patrick diz:
 mas isso não foi inventado pelo homem ao longo da história?
Octávio diz:
 Você e eu, talvez, estejamos agindo completamente errado
 Só que eu não tenho como saber
Patrick diz:
 como dizer que "a" é criação divina e "b" é humana?
 não crer em um Deus é mais simples
 quer ver?
Octávio diz:
 O vocábulo "justiça" sim
 seu significado também
Patrick diz:
 veja bem Octávio
Octávio diz:
 Mas isso não quer dizer que seja condizente com o divino
 fale
 digo, digite
Patrick diz:
 ok
 vivemos em um mundo perigoso
 regido por leis darwinistas
 sobreviver nesse mundo é muito difícil
 foi isso que nossos ancestrais perceberam
 mas viram que se ajudassem um ao outro poderiam sobreviver e gerar descendentes férteis
 por natureza somos egoístas
 temos genes egoístas
 entretanto
 se nossos genes egoístas se unirem poderemos sobreviver melhor
 então o homem passa a viver em sociedade
 e para que essa sociedade dê certo
 é preciso organizá-la
 precisa-se de um líder, de uma ordem, de um conjunto de valores
 e de uma instituição que puna os transgressores
 foi assim
 que surgiu nosso senso de justiça
 nossa moralidade
 pois não vivemos em sociedade desde que existimos
 isso foi algo gradual
 não precisamos de Deus para explicar isso
Octávio diz:
 Só uma observação: Então, no Brasil, temos um senso fraco, hein? Pq, ora, quem mais transgride sai impune
Patrick diz:
 essa é outra questão
 não misture as coisas
 voltemos ao debate
Octávio diz:
 Claro
 voltaire ao debate
Patrick diz:
 se você insistir em Deus seria equivalente a dizer:
 "a Terra gira em torno do Sol pela gravidade do Sol"
 não precisamos de Deus para explicar isso
 mas você poderia dizer
Octávio diz:
 Teoria da Gravitação Universal, certo?
Patrick diz:
 mas "Deus é que tem que ter criado esse mecanismo"
 nesse caso
 você estaria dando uma explicação (Deus) para uma outra explicação (gravidade)
 uma explicação basta
Octávio diz:
 Sim
Patrick diz:
 não é preciso uma explicação para explicar um outra explicação
 sabe por quê?
 porque caímos em um círculo vicioso
Octávio diz:
 No meu caso, a explicação seria que Deus deu o pontapé inicial
Patrick diz:
 pois teríamos que explicar quem criou Deus
Octávio diz:
 e, de alguma forma, o universo evoluiu sozinho
 e se tornou o que é hoje
Patrick diz:
 ok
 e quem criou Deus?
Octávio diz:
 Taí o problema
 O problema do Ateísmo, creio eu, é um só
 Esse tipo de retórica é bom
 Mas, vai convencer a uma pessoa que não conhece ciência
 ou melhor, prove para ela ateísticamente
 que Deus não criou as árvores
 por exemplo
Patrick diz:
 ok
 como provar que uma coisa não existe?
 não posso provar que fadas não existem
 não posso provar que duendes não existem
 nem unicórnios
Octávio diz:
 Exato
Patrick diz:
 mas tenho certeza que fadas, unicórnios e duendes não existem
Octávio diz:
 *de que
 ter certeza de que
Patrick diz:
 o que não pode ser provado não é real
 é assim com ciência
Octávio diz:
 falácia
 falácia grande
Patrick diz:
 não
 confunde as coisas
 se eu digo que "a" é "b"
 não é você que tem que provar que "a" não é "b"
 sou em que tenho que provar que "a" é "b"
 se eu falo que Jesus está sentando na minha cama
 você não tem que provar o contrário
Octávio diz:
 Observação: Uhhmmmmm, boiola
Patrick diz:
 eu é que tenho que provar que Jesus está sentado na minha cama
 não sou eu que tenho que provar que Deus não existe
 é você que tem que provar
 digamos que eu ganhe na Megassena
 e perca o bilhete
Octávio diz:
 Mega - SENA
Patrick diz:
 e afirme que ganhei
 a escrita corréta é megassena
 escrevem errado
 pode tirar a dúvida
 mas enfim
 eu afirmo que ganhei e não tenho o bilhete
 é o banco que tem que provar que eu não ganhei?
 eu é que tenho que provar que eu ganhei
 difícil me derrubar, não?
 eu me tornei especialista nesse tipo de debate
Octávio diz:
 Percebe-se
 um especialista em falácias
 ashaushaushauhuah
Patrick diz:
 difícil discutir com você
 você brinca muito
Octávio diz:
 você simplesmente afirma que o Ateísmo não precisa provar nada
 Mentira
Patrick diz:
 claro que não
Octávio diz:
 esqueces que estamos lidando com humanos, Patrick?
Patrick diz:
 quem tem que provar alguma coisa são vocês
Octávio diz:
 Refutar Deus com retórica é fácil
 quero ver é provar que Deus não existe
 Com provas concretas
Patrick diz:
 ah
Octávio diz:
 e outra
Patrick diz:
 digamos que você esteja pensando na morte da bezerra
Octávio diz:
 Se eu não posso provar que algo existe, também não posso afirmar sua irrealidade
Patrick diz:
 como vou provar quem você está pensando na morte da bezerra?
 mas não quer dizer que existe 50% de possibilidade de existir e 50% de possibilidade de não existir
Octávio diz:
 Sim
Patrick diz:
 pode me provar que fadas NÃO existem?
Octávio diz:
 mas não sei as possibilidades
 Não
 Mas não provo que existem
 Para um louco, talvez, fadas existam
 realidade, meu caro, é muito relativa
Patrick diz:
 acredita em fadas?
Octávio diz:
 a verdade é relativa
 é trolling?
Patrick diz:
 não
 estou perguntando
 acredita em fadas?
Octávio diz:
 Ah, bom
 Eu não
Patrick diz:
 por quê?
 eu respondo
 porque foi doutrinado a não acreditar em fadas
 porque é CONSENSO: fadas não existem!
Octávio diz:
 +-
Patrick diz:
 por isso acredita em Deus
 foi doutrinado a isso
 foi a primeira verdade passada a você
 melhor
 revelada a voc
 você
Octávio diz:
 +- também
 talvez antes fosse
Patrick diz:
 e é concenso: Deus existe
 no geral é assim
 é ou não é?
Octávio diz:
 mas hoje, acredito em Deus por não ter provas
 provas para refutá-lo
 provas, pelo menos relativamente, concretas
Patrick diz:
 não tem provas para refutar fadas e MESMO assim não acredita em fadas
 então não é por isso que crê em Deus
 se fosse acreditaria em fadas, duendes, unicórnios
Octávio diz:
 Não relacione as duas coisas
Patrick diz:
 acredita em Deus porque foi doutrinado
 e é muito caro para você deixar de acreditar
Octávio diz:
 Não acredito em fadas porque fui coercido, desde muito jovem, a não crer em fadas
Patrick diz:
 LEIA de novo o que disse
Octávio diz:
 não é consenso, para mim
 é coerção
Patrick diz:
 e foi coercido a crer em DEUS
Octávio diz:
 Primeiro sim
Patrick diz:
 por que se deixa influenciar dessa maneira?
Octávio diz:
 Mas agora creio por livre e espontânea vontade
Patrick diz:
 será?
Octávio diz:
 Fui coercido quando criança
Patrick diz:
 não é o camelo que não virou leão?
Octávio diz:
 mas, agora, tenho liberdade para escolher
Patrick diz:
 e escolheu acreditar
Octávio diz:
 Sim

Aviso 2: O título foi sugerido pelo Patrick ao terminarmos o debate. Como julguei ser um pouco engrandecedor demais (poderia gerar reclamações e acusações por parte de quem lesse os textos e não nos conhecesse), resolvi colocar umas aspas na palavra "titãs"